Jogo Perigoso | Crítica


Jessie (Carla Gugino) e o marido Gerald (Bruce Greenwood) viajam para uma casa de campo para aproveitar um momento romântico, no intuito de recuperar o casamento. Isso envolve um jogo, a princípio, inofensivo. Até que ela é algemada na cama e de repente tudo se transforma numa luta angustiante pela sobrevivência.

O roteiro de Mike Flanagan, é baseado na obra homônima de Stephen King. E temos uma história bem característica do autor, traumas de infância, um ambiente familiar problemático, tudo que encontramos nas obras do escritor. E o roteiro é bem introspectivo,  a personagem Jessie relembra e reconstrói passagem de sua vida, o relacionamento com o marido, medos, tudo em meio a situação que lhe impede de agir, sobrando apenas o encontro consigo mesma. E o roteiro sabe fazer isso muito bem, constrói uma narrativa de medo, não só pela vida da personagem e tudo que lhe pode afetar, mas também pelo que viveu, principalmente em relação aos dois homens em sua vida (pai e marido). Há também um subtexto das aparências para a sociedade e hipocrisia, que cabe muito bem nesse contexto. E isso perdura por ⅔ do longa, contudo o último terço a história muda de foco e perde um pouco a força, não compromete o filme, mas o enfraquece consideravelmente.

A direção e também de Mike Flanagan, e ele parece se sentir muito à vontade em dirigir personagens em  situações desesperadoras (seu trabalho anterior o Hush: A Morte Ouve, tem similaridades com este). Conseguindo passar todo o desespero enfrentado pela personagem e a forma com que ela encara a sua situação, criando formas imaginárias e mergulhando no seu passado. A fotografia nos traz a sensação de urgência, com a luz sendo bem usada para passagem do tempo e a forma como as lembranças da personagem é retratada, todas num tom avermelhado, é um recurso inteligente, cheio de significado e bonito. Há uma excelente sequência bem tensa e sangrenta que nem todos os espectadores conseguirão assistir.

Quanto a atuação, Carla Gugino carrega o filme, ela transita bem entre a mulher bem casada, e a criança traumatizada. Consegue também passar o quanto aquela pessoa, numa situação extrema é frágil, e tememos por seu destino. Além de nos apresentar outra versão de Jessie. Bruce Greenwood tem como seu maior elogio nos deixar claro que não estamos conhecendo o verdadeiro Gerald, mas a versão conhecida por Jessie. é uma interpretação exagerada em alguns momentos e contida em outros, tornando o personagem mais complexo.

Jogo Perigoso é tenso, claustrofóbico e angustiante, foi uma das melhores produções da netflix e vamos torcer que outras obras como essa continuem.

Data de lançamento 29 de setembro de 2017 na Netflix (1h 43min)
Direção: Mike Flanagan
Elenco: Carla Gugino, Bruce Greenwood, Carel Struycken mais
Gêneros Drama, Suspense
Nacionalidade EUA
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