Julieta | Crítica


O filme ‘Julieta’ de Pedro Almodóvar, é um trabalho silencioso porque se trata de um clássico melodrama que usa gestos para narrar a dor de uma vida.

Julieta

Baseado em três contos de “A Fugitiva”, de Alice Munro, o filme conta a história de ‘Julieta’ (Emma Suárez/Adriana Ugarte), uma mulher de meia idade que está prestes a se mudar de Madri para Portugal, para acompanhar seu namorado Lorenzo (Dario Grandinetti). Entretanto, um encontro na rua com Beatriz (Michelle Jenner), uma antiga amiga de sua filha Antía (Blanca Parés), faz com que Julieta repentinamente desista da mudança. Ela resolve se mudar para o antigo prédio em que vivia, também em Madri, e lá começa a escrever uma carta para a filha relembrando o passado entre as duas.

Julieta

A força e a independência do ‘Almodóvar girl’ volta a marcar o ritmo do filme número vinte do cineasta espanhol, o trabalho das mulheres que atinge a maturidade em sua exploração da relação mãe-filha. Nele, uma mulher enigmática explicado em uma carta todas as decisões de sua juventude, que inconscientemente, levaria à perda de sua filha.

Os personagens construídos em seus sigilos como meros fantoches do destino, não são expressos de forma visceral, no entanto, conseguem gerar alguma empatia com a sua dor, real e longe do clichê.

Julieta

A Julieta quase não chora, mas arrasta sua dor por gerações em um filme muito íntimo. Bastante contido, Almodóvar calculou que Emma Suarez e Adriana Ugarte se complementariam em um pulso interpretativo apertado representando a mesma mulher, e acertou em cheio.

O longa não tem pressa de contar a sua história, e oscila entre o passado e o presente a todo instante. Tudo acontece no seu devido momento e temos a impressão de que progride quase sem vácuos. Mas pequenas falhas nos diálogos e em algumas escolhas feitas no enredo são uma fenda aberta na inteligência do Almodóvar que estamos acostumados a degustar.  Os argumentos dessa vez não nos surpreendem ao ponto de adorar o filme, temos uma história regular, contada de uma forma correta, não há tantas surpresas ou algo que venha para lhe dar um choque, é realmente uma história das mais possíveis à realidade.

Julieta

Este constante vai e vem contribui para o sentimento de avalanche temporária que persegue Julieta. Não é a primeira vez que Almodóvar fragmenta a sua história usando saltos temporais, mas nunca antes tinha feito desse recurso um elemento central e constante.

Dito isso, é perceptível que após logo tempo de carreira Almodóvar ainda é capaz de fazer um bom filme (mesmo sem surpresas).

Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Emma Suárez, Adriana Ugarte, Daniel Grao mais
Gênero: Drama
Nacionalidade: Espanha
[yasr_overall_rating size=”medium”]