Após painel especial na Comic Con Experience 2017, na quinta-feira (07), onde lançaram o primeiro trailer de Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom), o diretor J.A. Bayona e o produtor e roteirista Colin Trevorrow participaram de uma coletiva de imprensa em São Paulo, na última sexta-feira (08), para falar sobre o novo filme da franquia Jurassic Park, que estreia no ano que vem.

O novo filme se passa quatro anos após os eventos de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World, 2015), primeiro filme da nova trilogia. Conforme mostrado no trailer lançado, o novo parque já não existe mais e a Ilha Nublar está novamente sob o domínio dos dinossauros, só que a situação está pior como nunca antes: um vulcão está em erupção e ameaça a vida dos habitantes da ilha, podendo levá-los à extinção uma segunda vez. A fim de evitar a situação, Claire (Bryce Dallas Howard) vai atrás de Owen (Chris Pratt) e busca convencê-lo a ajudá-la a salvar a ilha e os animais.

Segundo Trevorrow, a personagem de Howard passou por uma grande evolução nesse meio tempo: “No primeiro filme, ela é uma personagem muito corporativa, que pensa nos dinossauros como números, e quando ela interage com o animal de verdade, de repente ela começa a apreciar essas vidas. Nesse filme, ela criou um grupo para salvar os animais. Ela se sente responsável pelo que aconteceu, por razões óbvias.” O produtor garante que a evolução da personagem impressiona: “Eu acredito que ela realmente se tornou um ser humano fascinante.” Quando perguntado se Claire voltará a correr em sapatos de salto alto, em referência ao filme anterior, Trevorrow respondeu que ela havia sido pega no meio de uma situação e não sabia que passaria o dia correndo e lutando contra dinossauros: “Nesse filme, ela sabe que vai e usa essas botas bem fodas.”

O produtor ainda falou sobre o relacionamento entre Claire e Owen, personagem de Chris Pratt: “Eles passaram por uma situação heroica e, ao final de uma situação assim, às vezes vocês beijam, mas isso não significa necessariamente que vocês ficarão juntos para sempre. Eu acho que a relação deles, nesse filme, é de duas pessoas que ainda não têm muito em comum, mas têm mais em comum agora porque partilharam um objetivo.” No entanto, nem Trevorrow, nem Bayona entraram em detalhes sobre em que momento da vida os personagens estão e o que eles têm feito.

A grande história de Jurassic World: Reino Ameaçado é a possibilidade de uma nova extinção dessas criaturas que foram trazidas de volta à vida depois de milhões de anos extintos. “Acredito que o primeiro filme tenha sido sobre criar novos dinossauros; o segundo é sobre a responsabilidade em relação às nossas criações”, reflete Bayona. “O filme começa com uma situação completamente nova: os dinossauros estão abandonados, o parque está fechado e um vulcão está prestes a entrar em erupção. Esse é o efeito dos seres humanos. De alguma forma, agora o homem pode fazer tudo”. O ponto de vista a ser discutido, no entanto, é se essas criaturas serão deixadas para serem extintas novamente ou se, agora que elas já foram trazidas de volta, é nosso dever zelar pelo seu cuidado. No centro do debate está o Dr. Ian Malcolm, interpretado pelo veterano Jeff Goldblum, que retorna após ficar ausente dos dois últimos filmes da franquia.

“O papel de Ian Malcolm no filme é de ser a autoridade moral para a audiência que assiste a esses filmes e questiona o motivo de terem feito isso em primeiro lugar. ‘Por que eles fizeram dinossauros? Por que eles continuam voltando para essa ilha?’, diz Trevorrow. “Nós trouxemos esses animais de volta à vida e agora eles correm o risco de serem extintos. Nós temos a responsabilidade de salvá-los ou de deixá-los morrer novamente?” O produtor diz que essa é questão central do filme e é também um grande paralelo para como nós tratamos os animais, a natureza e o meio ambiente no mundo de hoje. “Acredito que (o filme) entretém e é empolgante, mas também nos faz pensar um pouco sobre as escolhas que fazemos. Quando você o vê (Malcolm) no filme, ele é realmente o personagem que nos alertou sobre isso. Tudo o que ele disse que poderia acontecer, no primeiro filme, está começando a acontecer. Um único erro pode se transformar em um desastre cada vez maior.”

O retorno de Jeff Goldblum levantou rumores sobre uma possível participação de outros rostos conhecidos da franquia, como Laura Dern e Sam Neill, que estiveram em Jurassic Park (1993) e retornaram em Jurassic Park III (2001). “Não quero deixar ninguém muito excitado. Eu passei um tempo com a Laura e eu mal posso esperar para conhecer o Sam. Eu os acho dois atores incríveis e espero trabalhar com eles algum dia”, desconversou Trevorrow.

Além de roteirista e produtor, Trevorrow também foi responsável pela direção de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros e agora passa o bastão para J.A. Bayona: “Nós estávamos falando sobre os planos para uma trilogia e eu sabia que queria que outra pessoa dirigisse o segundo filme, então apresentei uma opção e era J.A. Bayona”. Conhecido por dirigir filmes como O Orfanato (The Orphanage, 2007), O Impossível (The Impossible, 2012) e Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, 2016), a missão de Bayona é trazer e um pouco de obscuridade à nova trilogia. “Há bastante suspense”, diz o diretor, “e, de alguma fora, (o filme) tem a mesma arquitetura do primeiro Jurassic Park. Cinema, para mim, é suspense. Ele (o suspense) tem uma grande participação no filme, de forma mais cinemática. Essa é uma das coisas que me deixaram mais empolgado sobre o filme.” Trevorrow complementa: “Os filmes de Jurassic Park têm a tendência de se apoiarem em seus personagens e nas relações entre eles; você vê isso de filme para filme. Mas esses são personagens com relações que estão evoluindo e têm novas características cruciais para a história. Se você se apoiar em maiores e melhores dinossauros, isso para de funcionar depois de um tempo. Você deve criar personagens que as pessoas genuinamente se importarão e vão querer acompanhar para convencê-las a retornarem.”

Embora o suspense esteja presente e o trailer mostre cenas onde o caos parece imperar, Trevorrow garante que o filme é um pouco mais tranquilo do que foi mostrado até agora: “Acredito que esse filme é muito menos caótico ou bombástico do que Jurassic World foi. Ele brinca com a simplicidade que transformou Jurassic Park em algo tão bom: algumas pessoas e animais muito assustadores. Espero que as pessoas confiem que nós temos um plano e esse plano existe há um tempo. J (Bayona) e eu fomos muito cuidadosos quando conversamos sobre os efeitos desse filme. Esse filme é um marco. O mundo muda durante o filme e, quando chegamos ao final, está tudo de cabeça para baixo.” Bayona corrobora: “Para mim, é sempre sobre a história. Não importa o quão grande o filme seja.”

Questionados sobre o porquê das pessoas não cansarem de dinossauros, Bayona acredita que “há algo muito atrativo em ver o mundo de uma forma que ele não pode ser. Acredito que o fato de que esses animais estão aqui e você pode vê-los… É impossível! Estamos falando de criaturas que viveram anos atrás e isso é fascinante.” Sobre os dinossauros no novo filme, Bayona diz que não quer estragar muito, mas garante que “veremos muitos dinossauros que não vimos antes. É muito empolgante.”

O filme deve estrear em 21 de junho de 2018 no Brasil.