Nota:

Data de lançamento 16 de maio de 2019 (1h 50min) Direção: Wagner de Assis Elenco: Leonardo Medeiros, Guilherme Piva, Genézio de Barros mais Gêneros Biografia, Drama Nacionalidade Brasil
8.0

Um dos nomes mais reconhecidos do universo do Espiritismo (e até fora dele), acaba de ganhar um filme. Agora todos poderão acompanhar e conhecer quem é a pessoa por de trás do famoso ‘Allan Kardec’.

O filme dirigido pelo carioca Wagner de Assis, já conhecido por seus anteriores êxitos no cinema, os longas ‘Cartomante’, ‘Nosso Lar’ e ‘A Menina Índigo’, é baseado na obra do estudioso jornalista e escritor Marcel Souto Maior. Essa que acompanha a jornada interessante do professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (vivido por Leonardo Medeiros) nos estudos mediúnicos que o levaram a criação da doutrina do espiritismo, também mostra como Léon foi guiado a descoberta de um novo mundo, isso tudo exatamente numa época onde juntamente com a sua esposa Amélie Gabrielle Boudet (Sandra Corveloni), enfrentavam dificuldades e divergiam batendo de frente com líderes políticos e a Igreja Católica.

Sabe uma bela e antiga pintura a tinta óleo? É a melhor definição para descrever a impressionante recriação dos detalhes desse longa. Aqui aprecia-se os esforços para trazer a atmosfera da Paris da década de XIX, que mesmo acolhendo interpretações 100% no idioma português, não deixou de ser um deslumbrante trabalho de arte, figurino e fotografia. Assis mais uma vez envolvido em projetos que nos lembram quão o cinema brasileiro pode ser fantástico sobretudo nesses aspectos.

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Focando principalmente na ligação do professor com ciência, a narrativa que flui perfeitamente, trabalha para demonstrar o processo de sua descrença no espiritismo, e a busca por explicações até o momento da virada. O ritmo mais lento e a escuridão de algumas cenas deixam uma impressão cansativa, mais parece algo intencional na tentativa de nos transmitir sensações específicas.

O filme também se preocupa em ser simplesmente uma obra cinematográfica, sem pretensão religiosa ou qualquer outra atitude que pudesse interessa apenas ao público espírita. Isso o torna ainda mais interessante, já que estamos ali para conhecer no geral, a história de um homem, suas descobertas, relações e jornadas. Mas sim, quem já conhece sua história vai adorar ver como tudo começou.

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Kardec é um filme que promete ter bons resultados, em vista que sua qualidade é indiscutível. Tanto os conhecedores da doutrina, quanto os que não conhecem foram respeitados. Existem atuações maravilhosas e outras que vão do teatral ao quase forçadas, mas sua mensagem é transmitida com sucesso.

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Depois de assistirmos ao filme tivemos a oportunidade de conversar um pouco com o diretor Wagner de Assis. Além de dirigir, Wagner também é roteirista e produtor, foi responsável inclusive pelos documentários Os Transgressores, Que Geração é essa?, e também foi autor de séries para TV, e colaborador de novelas da TV Globo.

Cinema Sim: Assim como o filme ‘Nosso Lar’, que me impressionou muito em vários aspectos (inclusive tem uma fotografia belissima na minha opinião), Kardec mostra um cuidado muito bacana com a fotografia. Existe uma dificuldade maior em se tratando de um filme que se passa em outro país?

Wagner: Boa pergunta! Eu acho que na verdade, nesse caso reconstituir a época é um desafio por si só. Um dos motivos por decidirmos filmar na França também foi capturar aquela luz impressa no filme, a luz da cidade de forma que a gente pudesse traduzir de maneira crível a ambientação.

Cinema Sim: Bom, está claro que você se interessa muito pelo tema, O filme foi inspirado na biografia do Marcel Souto, inclusive foi relançado com a nova capa, que traz o cartaz do filme. Mas quando que surgiu essa possibilidade onde você pensou  “Vou fazer um filme sobre Allan Kardec” ?

Wagner: O projeto nasce com o Marcel, ele estava escrevendo a biografia, me ligou e sugeriu qee levássemos a história para o cinema. Eu já conhecia Kardec mas é sempre bom revisitar e voltar as origens, e nesse caso encontrar um ser humano fora religião. Então foi justamente uma surpresa positiva quando recebi o convite, porque a gente tinha a oportunidade de contar do ponto de vista humano, a história dele a cima de qualquer coisa. Ao recortar o roteiro eu quis optar justamente por contar algo que fosse compreendido por espiritas e não espiritas, quis fazer ‘cinema bom’, e cinema bom viaja, encontra o público.

Cinema Sim: Nós temos aqui um super elenco, dentre eles Leonardo Medeiros, Sandra Corveloni e você volta a trabalhar com a Letícia Braga. Essa escolha foi um processo demorado, ou você assim que conheceu os personagens já fazia mais ou menos ideia de quem poderia interpreta-los?

Wagner: Não! É super difícil, eu costumo brincar que escalar ator para personagem é mais complicado que convocar jogador para a seleção brasileira, não tem volta. Nossa primeira opção foi o Leonardo Medeiros, um talento sem igual, e a partir daí fomos escolhendo os demais integrantes do elenco, Sandra Corveloni, o Genézio de Barros. A Letícia eu amo de paixão, ela tem uma força cênica, e acho que quando personagem e interprete se encontram isso funciona.

Cinema Sim: Tem corrido a informação de que existe a possibilidade da sequencia de ‘Nosso Lar 2’. Queria saber se é real, o que você planeja pra esse filme, e além dele, se tem algum outro projeto no gatilho.

Wagner: É real sim, ‘Nosso lar 2’ vai sair, estamos no final de financiamento e está bem maduro pra ser feito, a gente está em busca dos últimos parceiros. Gostaria muito de poder filmar esse ano ainda, mas estamos nessa indefinição na área cultural do país. Eu também vou lançar um outro filme no segundo semestre, se chama ‘ Amor Assombrado’, com a Vanessa Gerbelli e o Carmo Dalla Vecchia, que é inspirado livremente num conto de Heloisa seixas.

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