Kong – A Ilha da Caveira | Crítica


Quando foi lançado em 2014, o longa ‘Godzilla’ ressuscitou os filmes de monstros de uma perspectiva muito mais épica e dramático, apesar disso, aconteceu algo bem típico desse gênero. As pessoas esperaram muito mais tempo para ver a criatura em ação.

Em ‘Kong – A Ilha da Caveira’ não existe essa ‘deficiência’, o Gorila gigantesco e o resto dos monstros tiveram uma grande presença na história, evitando a tendência de esconder as criaturas quanto tempo fosse possível. Como se não pudesse ser melhor, esses seres conseguem corresponder a descrição de “maiores, mais fortes, e mais ferozes”.

No filme, um grupo de viajantes, exploradores e soldados é recrutado para viajar para uma ilha misteriosa no Pacífico. Entre eles estão o capitão James Conrad (Tom Hiddleston), tenente-coronel Packard (Samuel L. Jackson) e uma foto-jornalista (Brie Larson). Mas ao entrar nesta bela e traiçoeira ilha, eles encontram algo absolutamente incrível. Sem saber, eles estão invadindo o domínio do mítico Kong, o gigante gorila rei desta ilha. Hank Marlow (John C. Reilly), um residente local peculiar, os encontra e ensina os segredos da ilha da caveira, além de alerta-los sobre outros seres monstruosos que ali habitam.

Um dos grandes ases que o diretor Jordan Vogt-Roberts puxa da manga, é a atmosfera da década de 70 que lhe permitiu usar uma trilha sonora muito poderosa com grandes sucessos, incidentalmente, também trazer a Guerra do Vietnã como uma referência, e ainda utilizado como menção estilística e visual o filme ‘Apocalypse Now’ de 1979. Isso poderia ter dado muito errado, mas funciona muito bem.

O trabalho de gestão não é menos poderoso e nos mostra um Kong em uma disputa com os helicópteros de tirar o fôlego,e isso acontece ainda no início!

Esse nova versão tem um propósito muito claro, é muito bem filmada e utiliza sem medo, uma proposta narrativa que sugere elementos ambientados no mesmo universo do filme dos anos 30, dando a Kong uma mitologia prévia e o próprio reino.

É perceptivo que dessa vez há mais concessões ao humor (mesmo sendo de situações mórbidas), e o sentimentalismo e a reflexão são descartados desde o início do filme. Além de algumas breves pinceladas de caráter anti-guerra de nossa heroína foto-jornalista, alguma alusão aos direitos dos animais ou conflito entre os interesses do Coronel Packard e da proteção do equilíbrio natural frágil em que Kong é a chave, quase nada nos distrai, e tudo nos entretêm. O diretor também se beneficia de um império, abraçando um CGI megalomaniaco.

Apesar de parecerem reais, o desenho de algumas criaturas não são tão convincentes, os inimigos de Kong por exemplo, tem um movimento quase não natural. Isso também poderia ter arruinado seu trabalho, mas há um enorme esforço na sala de edição para as imagens fluírem sem congestionamento. Duas horas de entretenimento na sua cara, passando como um suspiro, não é tarefa fácil.

O roteiro escrito por Dan Gilroy, Max Borenstein e Derek Connolly é inteiramente baseado em arquétipos para definir seus protagonistas, deixando a descrição de todos limitada a uma ou duas notas, também é irrelevante que os personagens desapareçam aleatoriamente, e há outros que não sabem o que fazem bem ali, como a assistente interpretada por Jing Tian ( que teve destaque em “A Grande Muralha“), cuja a presença, infelizmente parece ser motivada unicamente pelo crescimento da China em bilheterias do assunto.

As performances de Samuel L. Jackson e John Goodman, são como duas instituições errantes, eles vão deliciar os espectadores, enquanto Brie Larson, com um pequeno papel, fica aquém das nossas expectativas. A grande surpresa foi Tom Hiddleston, que mostra uma grande transformação física que o leva a estar mais próximo de uma espécie de Indiana Jones. Ele é protagonista de uma das cenas mais ousadas e exageradas do filme, e também a que te fará dar uma gargalhada.Junto com todos eles, John C. Reilly é outra das grandes atrações do filme, com um papel feito sob medida para o típico náufrago.

Kong torna o grande rei dos macacos o centro da história em todos os momentos. E com o seu espetáculo visual brutal, seu diretor consegue evitar o problema de ter um script e alguns personagens muito pobres.

OBS: vale a pena esperar todos os créditos passarem!

Data de lançamento 9 de março de 2017 (1h 58min)
Direção: Jordan Vogt-Roberts
Elenco: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson mais
Gêneros Aventura, Fantasia, Ação
Nacionalidades Eua, Vietnã
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