La La Land – Cantando Estações | Crítica


Numa época em que os musicais têm se tornado cada vez mais um gênero rejeitado pelo grande público do cinema, Damien Chazelle (diretor do brilhante Whiplash) arrisca e inova em seu mais novo trabalho de grande distribuição ao levar para às telas um romance banhado em referências de grandes musicais e clássicos da “era de ouro” de Hollywood. Usando a nostalgia para mover sua narrativa para a frente, o diretor se preocupa em homenagear o passado e ao mesmo tempo conectá-lo de forma excepcional com a realidade do nosso presente.

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O longa funciona como uma grande ode à Los Angeles, berço da cultura audiovisual americana e a cidade dos sonhos de todos que buscam crescer no mercado do cinema, da música e das artes. Dentre eles, somos apresentados à Mia (Emma Stone), uma aspirante à atriz que trabalha numa cafeteria dos estúdios Warner Bros. e busca incessantemente ser aprovada em testes de elenco para iniciar sua carreira profissional, e o classicista pianista de jazz, Sebastian (Ryan Gosling), que sonha em abrir o seu próprio clube e bar de jazz enquanto pula de emprego em emprego tentando resgatar e levar a cultura mais pura da sua música por onde passa. Enquanto tentam sobreviver a esse incerto período da vida, ambos vêm seus caminhos se cruzarem e buscam força um no amor crescente do outro para alcançar o tão sonhado sucesso.

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O que parece apenas mais uma trama simples de um filme de romance com a fórmula já comum onde o “garoto encontra a garota”, nos leva para um caminho surpreendente em paralelo à história dos protagonistas. O filme usa a história de amor do casal para presentear o espectador com uma chuva de referências para os clássicos do cinema. Desde o primeiro take, relembrando a época em que a tecnologia do Cinemascope foi implantada nas grandes produções da década de 50, passando pelos números musicais elaborados e cheios de coreografias clássicas e milimetricamente cronometradas típicas dos grandes musicais de Hollywood, como Cantando na Chuva, até os cenários nostálgicos, cheios de pôsteres, estúdios, locações e imagens de grandes produções famosas da indústria do cinema americano. Combinado ao visual do cinema, o filme presenteia nossos ouvidos com uma homenagem ao jazz mais clássico, ressaltando sua beleza, importância cultural e histórica. Usando a trajetória de Mia e Sebastian, fica claro o quanto os grandes clássicos do cinema e da música, outrora tão cheios de sentimento, paixão e significado, estão perdendo espaço para produções cada vez mais fúteis, sem alma e sentimento, com o único objetivo de vender e gerar lucro para seus produtores e estúdios.

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A performance e química de Emma Stone e Ryan Gosling surpreende, principalmente por não serem atores acostumados a trabalhar com canto e dança. Fica clara a intenção de usar a falta de experiência dos dois para tornar os momentos performáticos ainda mais delicados e realistas. Gosling interpreta de forma excelente um pianista profissional, sem medo de ter a câmera apontando para suas mãos enquanto elas tocam o piano com maestria durante todo o filme. Porém, o maior destaque fica para Emma Stone, que dá vida à uma Mia insegura e sonhadora, cheia de carisma e com uma voz doce e muito mais crível para a história do que grandes vozes típicas de atores da Broadway. A história da personagem reflete à história da própria atriz, que também se mudou para Los Angeles com a esperança de conquistar a carreira de atriz e deve ter passado por muitas situações parecidas com as vividas pela personagem no filme. Talvez por esse motivo Stone se mostre tão à vontade e verdadeira ao interpretá-la.

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A direção do filme é impecável, com figurinos e direção de arte que dão à trama um ar de anos 50, deixando o espectador com a impressão que a história se passa no passado, com exceção dos poucos momentos em que celulares, música eletrônica e outras invenções da modernidade aparecem em tela. A visão do diretor é fascinante e desafiadora ao filmar muitas cenas grandiosas sem nenhum corte aparente (como o número musical de abertura), dando uma fluidez impressionante à trama que mescla perfeitamente com a trilha sonora encantadora (seja ela cantada ou apenas tocada). O longa abusa do colorido, com uma fotografia ensolarada e poética seja nos momentos mais alegres até os momentos mais tristes, além de recursos visuais e narrativos inesperados (como a cena final, cheia de significado e beleza).

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Dividindo sua história entre as quatro estações de um ano, La La Land – Cantando Estações, desafia o espectador a sair do cinema sem querer cantar e dançar, trazendo o frescor dos clássicos de Hollywood para a modernidade através de uma trama tocante, apaixonante e nostálgica. Para os apaixonados pelos grandes musicais do cinema, o filme funciona como uma grande homenagem ao gênero, sem deixar de agradar os mais desinteressados pelo mesmo, com uma narrativa cheia de significado, conectando o passado ao presente. A referência ao passado vem para reverenciar e saudar o auge do cinema americano, sem deixar de passar uma mensagem importante para o público do presente, cada vez mais distante dessa história.

Lançamento: 19 de Janeiro de 2017
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, John Legend, J.K. Simmons
Gênero: Drama, Musical
Nacionalidade: EUA
Duração: 2h 8min

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