Nota:

Título Original: Lady Bird Lançamento: 15 de fevereiro Direção: Greta Gerwig Roteiro: Greta Gerwig Gênero: Drama Elenco: Saoirse Ronan, Tracy Letts, Laurie Metcalf, mais Nacionalidade: EUA
9.0
Pros
Atuações, fotografia, direção,trilha sonora.
Cons
-

Além de marcar a estreia de Greta Gerwig na direção e ainda lhe render uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Direção – fato pouco visto na premiação, mulheres indicadas – , Lady Bird – A Hora de Voar – não a única do filme, que também figura nas categorias: Melhor Roteiro Original (também para Greta Gerwig), Melhor Filme, Melhor Atriz (Saoirse Ronan) e Melhor Atriz Coadjuvante (Laurie Metcalf) – também podemos considerá-lo inspirado na vida de Greta, já que ela e sua protagonista Christine “Lady Bird” (Saoirse) partilham muitos elementos comuns em suas histórias, como sua cidade natal, Sacramento, na Califórnia, a profissão da mãe, enfermeira e o amor e talento para a arte.

Equipe de Lady Bird recebendo o prêmio de

Para Lady Bird, sua mãe é dura demais e não lhe permite viver o máximo da vida como ela gostaria, especialmente quando se trata do seu sonho de ir estudar em uma universidade longe de sua cidadezinha e da vida sem luxos que eles têm nela. Enquanto para sua mãe Marion (Laurie Metcalf), a filha não passa de uma pessoa egoísta que nunca é capaz de reconhecer e valorizar tudo o que a família, em especial ela têm feito pela jovem. Entre elas um pai e marido Larry (Tracy Letts), que procura estreitar as relações dessas duas e manter a paz entre elas.

Greta tem um olhar e um jeito muito sensível de contar suas histórias, seja como atriz e roteirista – como pude sentir em Frances Ha e Jackie – e agora com Lady Bird, com uma história que pode ser considerada simples em sua premissa, porém em sua essência está repleta de nuances e simbolismos. Afinal não é apenas sobre uma garota que como tantas de nós sonhou um dia mudar de realidade, sair da cidade onde nascemos e com a qual geralmente desenvolvemos uma relação permeada de amor e ódio, seja pelas possibilidades e oportunidades que não existem nela, seja pelas cobranças e expectativas alimentadas por nossas famílias e a comunidade na qual estamos inseridas, seja pelo desejo de recomeçar do zero e poder viver coisas que antes você talvez nem conseguiu imaginar, seja pela sensação de liberdade para ser e fazer o que você quiser, pra testar coisas novas, afinal ali você não é ninguém, portanto não haverá alguém te dizendo que você não é assim, que você não pode ou que isso não é parte de quem você é.

Indicados aos Oscar: Lady Bird – A Hora de Voar

É também sobre alguém se descobrindo, se reinventando e lutando para encontrar o seu próprio caminho. É sobre conflitos internos e externos, é sobre superar limites e a evolução das relações humanas. É ainda sobre as transformações e conflitos a cada geração, é sobre comunicação e como a falta dela reflete negativamente nas estruturas das famílias e por consequência da sociedade. É sobre como equilibrar o “só se vive uma vez” com as responsabilidades e boletos a pagar que vão se acumulando. É sobre não ter controle sobre nada e insistir em querer controlar tudo.  É sobre culpa, fé, amor, amizade, carinho, respeito, atenção, medo e amadurecimento. A vida na sua forma mais pura e simples, porém divina e bela, mesmo quando se trata de suas obviedades.

Greta sabe como construir e partilhar histórias que conectam, emocionam e te aproximam dos personagens. E seu elenco e equipe técnica demonstram estar na mesma sintonia, tanto que mesmo nos menores detalhes como o nome do crush escrito na parede do quarto, as visitas nas casas para alugar, a saída do metrô cheia de malas e o deslumbramento com o que é novo e o que está do lado oposto da linha do trem ao qual a protagonista “pertence”. Tudo isso sob a perspectiva de um olhar nostálgico e explorador, daqueles que sabem que sonhar faz diferença.

Viva Greta e a sua habilidade de levar a vida de forma tão humana, delicada e tocante para às telas.

 

Quer mais sobre Lady Bird? Veja também o vídeo da nossa amiga Thaís Polimeni da CultCultura, AMEI LADY BIRD? | cnpuy