LEITURA SIM | Conheça o livro que deu origem a “Assassinato no Expresso do Oriente”


A matéria original foi publicada na Revista Subjetiva, em 30 de novembro de 2017.

Quem já jogou Detetive, deve se lembrar: no jogo de tabuleiro, criado pela fabricante de jogos Waddingtons e lançado no Reino Unido em 1949, Dr. Pessoa é assassinado e os jogadores devem descobrir, dentre seis suspeitos — Dona Branca, Coronel Mustard, Sra. Peacock, Professor Plum, Reverendo Sr. Green e Senhorita Scarlett — , quem o matou, com qual arma e em qual lugar da grande mansão onde o jogo se passa. Quinze anos antes, também no Reino Unido, a famosa autora Agatha Christie (1890–1976) lançava o romance policial Assassinato no Expresso do Oriente, que apresentava a investigação do assassinato de um passageiro dentro do Expresso do Oriente, enquanto o trem é parado por uma nevasca que o atinge e atrapalha sua viagem até Istambul.

Capa do relançamento de “Assassinato no Expresso do Oriente”, da editora HarperCollins Brasil

Recentemente relançado no Brasil pelas editoras HarperCollins Brasil e L&PM Editores, Assassinato no Expresso do Oriente traz o detetive Hercule Poirot, um homem baixo e de cabeça oval — protagonista em, aproximadamente, quarenta histórias de Agatha Christie —, em uma viagem de férias a Istambul que é bruscamente interrompida ao chegar em um hotel no meio do caminho, na Turquia, onde recebe um telegrama solicitando que volte imediatamente a Londres para retomar os trabalhos em um tal Caso Kassner.

Em sua estadia no Expresso, Poirot é abordado por Sr. Ratchett, que pede para que o detetive zele por sua segurança, pois é um homem cheio de inimigos. Poirot, no entanto, nega o pedido, dizendo não ir com a cara de Ratchett. A verdade é que Ratchett é um homem suspeito e gera inquietação em muitos — ainda mais após ser assassinado a facadas a bordo do Expresso. Poirot, então, é indicado por um velho amigo, o diretor da companhia que opera o Expresso, Monsieur Bouc, que também está a bordo, para resolver o crime.

O livro é dividido em três partes: “os fatos”, onde os personagens são introduzidos e se encerra com a ocorrência do crime; “os testemunhos”, onde o detetive Poirot passa a entrevistar os passageiros e trabalhadores do Expresso em busca de pistas de quem poderia ser o assassino; e a parte final, onde Poirot propõe a solução ao crime. É um livro curto, mas as suas divisões são muito bem trabalhadas. Nelas estão os detalhes sobre a personalidade de cada personagem, os motivos que os tornam (ou não) suspeitos do crime, as pistas que vão surgindo, o exame de Poirot dessas pistas etc. É muito fácil se sentir mais inteligente que a própria trama, conforme ela vai se desenrolando, mas Agatha Christie não era chamada de Rainha do Crime à toa.

A trama é inspirada em um incidente que aconteceu com a própria autora, dentro do mesmíssimo Expresso do Oriente, um serviço de trem que existe realmente, criado em 1883, ligando Paris a Istambul (à época Constantinopla), e que funciona até hoje, mas com outra rota. Durante um período em que ficou presa dentro do veículo, em uma viagem, Agatha Christie escreveu uma carta para seu marido relatando o ocorrido e contando um pouco sobre os passageiros que se encontravam presos com ela. A autora, então, juntou a situação com o sequestro de Charles Augustus Lindbergh Jr., filho mais velho do aviador Charles Lindbergh, em 1932, que culminou na morte da criança de quase dois anos. Assim surgiu Assassinato no Expresso do Oriente.

A história já foi adaptada três vezes: em 1974, em filme dirigido por Sidney Lumet (12 Homens e Uma Sentença, Rede de Intrigas) e estrelado por Albert Finney (Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas, 007: Operação Skyfall) no papel de Hercule Poirot; em 2001, no filme para a TV dirigido por Carl Schenkel (Tarzan e a Cidade Perdida) e estrelado por Alfred Molina (o Doutor Octopus de Homem-Aranha 2); e, por fim, em 2010, na série Agatha Christie’s Poirot (1989–2013), onde o detetive foi interpretado por David Suchet pelos 24 anos em que a série foi ao ar.

Nova adaptação de “Assassinato no Expresso do Oriente” (“Murder on the Orient Express”) estreou essa semana no Brasil (Foto: Divulgação)

Estreou essa semana, nos cinemas brasileiros, a nova adaptação do livro, dirigida e estrelada por Kenneth Branagh, que já dirigiu cerca de vinte produções e atuou em mais de sessenta. O filme tem roteiro de Michael Green, que também roteirizou Logan e Blade Runner 2049, e tem a produção de Ridley Scott, diretor de Alien: O Oitavo Passageiro (Alien), Blade Runner, o Caçador de Andróides (Blade Runner) e dos recentes Perdido em Marte (The Martian) e Alien: Covenant.

Além de Branagh, no papel de Poirot, o elenco ainda conta com Penélope Cruz (Volver), Willem Dafoe (Anticristo), Michelle Pfeiffer (mãe!), Judi Dench (007: Operação Skyfall), Josh Gad (A Bela e a Fera), Daisy Ridley (Star Wars: O Despertar da Força) e Leslie Odom Jr. (da série Smash).

Assista ao trailer legendado abaixo e leia a crítica do Cinema Sim, escrita por Priscila Miguel.

 

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