Leitura Sim | INFERIOR É O CAR*LHØ


 INFERIOR É O CAR*LHØ e o espaço da mulher na história.

 INFERIOR É O CAR*LHØ e a desvalorização da mulher na história.

 INFERIOR É O CAR*LHØ e a voz da mulher na história.

 INFERIOR É O CAR*LHØ e as superações da mulher na história.

INFERIOR É O CAR*LHØ e a importância da mulher na ciência.

 

Sabe, eu tô lendo  Inferior é o Caralho há algum tempo, de Angela Saini publicado pela Darkside e que gentilmente a boneca me foi enviada em agosto – Muito obrigada Caroline Borges 😀 – . O livro que está em pré-venda desde ontem foi para mim a cada página do que já consegui ler – afinal é um conteúdo que precisa ser absorvido, refletido, analisado, pois te faz pensar sobre o que está sendo discorrido, questionar suas próprias referências e experiências, então está me demandando mais tempo em sua leitura  – uma nova descoberta, uma nova reflexão e até uma certa angústia por compreender o quanto nossa luta pra ter voz e espaço nesse mundo machista não parece nunca ter fim.

A cada momento temos que nos bancar, nos provar e lidar com a subestimada e  idolatrada superioridade deles, os homens sobre nós, mulheres, o chamado sexo frágil.

Cada expressão, cada expectativa e cada ação na busca contínua de se auto-afirmarem através de nós.

É curioso e ao mesmo tempo revoltante como tudo tem estado tão intrinsecamente inserido em nós de tal maneira, que até mesmo a nossa origem de acordo com os cristãos, ambiente onde fui criada, está associada à nossa subserviência à um homem e eu nunca tinha parado para pensar sobre isso. Mas também como eu iria fazê-lo se sempre fui bombardeada por todas essas referências ao longo de uma vida inteira?

 

“Confiamos aos cientistas a missão de nos alimentar com fatos objetivos. Acreditamos que a ciência oferece uma história livre de preconceitos. É a nossa história, partindo da própria aurora da evolução. Quando o assunto é a mulher, uma enorme parte dessa história está errada”.

Angela Saini

 

Foi somente de uns 3 anos para cá que comecei a vislumbrar outras referências e ter outras vivências que me fizeram despertar para o quanto temos sido subjugadas. E precisou ainda chegar Inferior é o Caralho às minhas mãos e aos meus olhos afoitos por tudo que a autora explora e compartilha em suas páginas, para que eu tomasse consciência de como isso tinha passado tão batido por mim e deve com certeza passar por muitas outras e outros de nós. E ainda o quanto isso me incomodava, mesmo antes de eu entender, tanto que um dos meus grandes desconfortos durante as celebrações, em especial as de casamentos eram quando diziam que a mulher/esposa deveria ser submissa ao homem assim como a igreja deve ser a Cristo.

Criada assim e para permanecer assim, os confrontos internos começaram a aumentar a medida que meus desejos não conseguiam encontrar espaço para se manifestarem ali, a medida que a minha crença no amor, na monogamia e fidelidade eram – ainda que lá no fundinho da alma tivesse/ e ainda tenha a esperança e o anseio, tenho que admitir,  de que isso fosse real – ia se desconstruindo e enfraquecendo.

E aqui não estou colocando em pauta o amor livre, pois foi algo que eu só vim saber muito tempo depois dessas primeiras batalhas internas e ainda não sou uma profunda conhecedora para discorrer ou fazer comparações a respeito.

O fato é que o amor para a mulher, por tudo que tenho assimilado desde então sempre esteve atrelado a agradar o outro, a servir, a abrir mão de si e do que deseja para atender às necessidades masculinas, começando pelos próprios pais, irmãos e se seguindo por todos outros personagens que entram para a sua história.

A obra expõe o quanto teorias e feitos creditados aos homens tiveram e continuam tendo imprescindíveis atuações femininas para alcançarem seu potencial, mesmo que a todo momento elas tenham sido e continuam sendo privadas dos créditos.

Eu não gostava da palavra feminismo, eu não compreendia a palavra feminismo, afinal eu fui apresentada a ela pela ótica do extremismo – assim como diz Chimamanda Ngozi Adichie em Sejamos Todos Feministas sobre o amigo chamá-la de feminista e isso soar como algo ruim apenas pelo tom de voz que ele apresentava no momento. Inclusive fica aí outra ótima indicação de leitura. O livro é sobre as vivências dela, mas que poderiam muito bem serem minhas ou tuas, mulher que me lê agora, pois provavelmente já passamos por muitas dessas situações, ainda que não tenhamos nos dado conta no momento em que as vivenciamos. – o que de fato nunca é aconselhável, portanto a partir do momento que eu pude vivenciar e descobrir outras facetas desse substantivo, fez todo sentido me identificar com o que ele de fato representa.

Conhecimento é tudo, e a leitura é o melhor caminho para construí-lo e desenvolvê-lo. Lembrando, que especialmente no presente a maior parte das informações que consumimos vem de redes sociais, devemos ficar alertas para não apenas acumular esse mundo de coisas que nos chegam diariamente sem ponderar sobre elas, suas fontes e o que estão propondo. É preciso atenção e um pensamento crítico, reflexivo diante da vida, do quê e quem nos cerca.

Nesse sentido, leituras como a proposta em Inferior é o Caralho podem agregar e muito nesse processo.

Dito isso, sigo lendo-o, ao tempo que também exploro outras obras que têm me despertado interesse e que em muitos momentos parecem vir de encontro e complementar as reflexões propostas nele.

Por fim, além de ratificar a minha sugestão dele como uma obra muiiiito instigante e pertinente, não somente para mulheres, como para qualquer outro ser humano e suas sociedades, relembro que não há verdades absolutas e que cada um precisa ir descobrir por si.

Afinal a vida é investigação, é experimentação, é construção onde a vivência de cada um tem valor.

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1 Comment

  1. Taísa
    19 de outubro de 2018
    Responder

    Sim… eu fui apresentada ao feminismo, como se fosse um palavrão, com deboche e um sorrisinho cínico no canto dos lábios. Graças a uma amiga, que num bar entre uma cerveja e outra, me salvou do machismo, que eu não sabia que estava tão intrínseco em mim. Hoje, entendo o que é o feminismo e abraço a causa e me abraço, por estar cada vez mais aprendendo e me libertando da ignorância.

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