LIFE – Um Retrato de James Dean| Crítica


Título Original: Life
Elenco: Robert Pattinson, Dane DeHaan, Ben Kingsley mais
Direção: Anton Corbijn
Gêneros: Biografia, Drama
Nacionalidades: Eua, Reino unido, Canadá, Alemanha, Austrália
Nota do filme:  
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Às vésperas do lançamento do filme “Vidas Amargas” (1955), James Dean (Dane DeHaan) ainda não é um ator famoso. Os estúdios têm grandes planos para transformá-lo em um astro, mas ele não se sente à vontade com a vida de festas, eventos e autógrafos. O fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson), apostando no sucesso iminente de James Dean, pede para fotografá-lo em um ensaio para a revista Life, mas recebe apenas respostas negativas.

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Um dia, para fugir da promoção de “Vidas Amargas”, Dean esconde-se na fazenda de sua família, e leva o novo amigo Stock junto. Neste local, o fotógrafo registra as imagens mais famosas de toda a carreira do ator.

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Com roteiro de Luke Davies temos uma história de detalhes, a escolha aqui é mostrar o oposto das cinebiografias que sempre retratam feitos espetaculares. Em Life, mostra-se o que normalmente não é dito, o tédio pela espera de trabalho, a relação com os grandes do cinema, a luta pra se tornar reconhecido. Ações pequenas que estão por trás dos grandes feitos.

Dessa forma o roteiro é arrastado, sem grande atrativos (é preciso de um pouco de paciência). O relacionamento entre Dean e o fotografo é a grande chave que move a história. E as ações são egoístas por um lado, pois o fotógrafo acreditando no sucesso de Dean espera ser o seu “descobridor” e Dean, que apesar de ser avesso ao jogo de Hollywood, quer ser reconhecido, mas ao seu modo, e por outro cria-se entre eles uma empatia estranha que acaba sendo o que podemos chamar de amizade.

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A direção é de Anton Corbijn e aqui podemos destacar sua coragem. É um filme sem pressa, que preza pelos diálogos e as vezes apenas olhares, o desenvolvimento é lento e em muitos momentos arrastado. Isso pode ser um problema ao grande público. A direção consegue criar um clima lúgrube, com tons acinzentados e pouco saturados sem falar nas paisagem com neve que torna atmosfera mais melancólica. E podemos dizer que a escolhas do diretor só enfatizam a intenção de buscar os detalhes, as coisas simples do dia a dia, reforçando o objetivo do roteiro.

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Quanto as atuações, temos Robert Pattinson fazendo um fotógrafo que pretende sair de sua vida medíocre e vê num jovem ator, talento e a oportunidade de ser famoso. Sempre acreditando no potencial de Dean e acaba até se prejudicando ao apostar nisso, mas mesmo assim, continua determinado no objetivo.

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Com o olhar cansado e sempre com uma urgência de mudar sua situação, Pattinson entrega um personagem complexo com uma atuação muito convincente. Dane DeHaan faz um jovem que ao mesmo tempo que é inquieto nas falas e totalmente o oposto nas ações. Transparece nele um grande conflito, seu personagem quer ser reconhecido pelo trabalho mas ao mesmo tempo não se encaixa nas regras de Hollywood. Com uma voz arrastada e falando quase ‘enigmas’ é um personagem notável. E a transformação que o ator passa tanto em postura quanto na aparência é impressionante. Ben Kingsley é o chefão Jack Warner, pragmático, controlador e sisudo, é quase a caricatura de um executivo.

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Life – Retratos de James Dean é um filme de detalhes e é necessário estar disposto a vê-los, o que pode afastar o grande público. Sem falar que conta uma história pouco interessante onde nenhuma grande ação se desenrola, é preciso ter paciência e manter olhos abertos pra perceber o que não é dito.

Veja o Trailer: