Logan | Crítica


“Charles: Logan, o que você fez?

Logan: Charles, o mundo não é mais o mesmo.”

 

Não, de fato o mundo não é, e nem nós somos. Sou da geração nascida no fim dos anos 80, e embora não seja uma leitora de quadrinhos, na adolescência conheci e logo me tornei fã dos X-Men, começando com o primeiro filme lançado em 2000, seguindo com o desenho “X-Men: Evolution” que passava nas manhãs do SBT e sem o qual eu não saia de casa antes de assistir o episódio pra ir à escola já no ensino médio. Logan logo se tornou meu personagem preferido, a relação de amizade e cumplicidade com Charles, que o fazia considerar e respeitar às decisões do professor ainda que não concordasse com elas; o carinho e o cuidado com a Vampira, o que elevou a relação deles de amizade para uma coisa até mesmo meio paternal em muitos momentos, talvez por ele ver nela muito de sua própria personalidade; e ainda que eu não conseguisse gostar dele com a Jean Grey, é provável que ela ao conquistar o seu amor despertasse nele toda a vulnerabilidade e fragilidade humana que estava submersa sob o adamantium.

Wolverine foi, é e sempre será uma referência. E  ao escolherem Hugh Jackman para trazê-lo à vida, foi como se de fato ele se materializasse à nossa frente, tamanha a semelhança alcançada com a representação em desenho e a capacidade do ator em expressar tudo o que o papel exigia. E com um personagem que detém tantas camadas, que consegue matar de forma tão violenta e ao mesmo tempo se sentir extremamente culpado e perturbado por isso, que muitas vezes transparece apenas arrogância, frieza, mau humor, voracidade e revolta em seus gestos, e todavia exprime no olhar solidão, receio, dor, pesar e outros tantos sentimentos e sensações de quem já viveu e enfrentou batalhas incontáveis.

E até mesmo por isso ganhou seus filmes independentes nos quais pudemos desvendar, nos aproximar e aprofundar em algumas dessas histórias. Considerando-o um dos precursores dos chamados anti-heróis que saíram dos quadrinhos e vêm ganhando com muito sucesso às telonas e telinhas – inclusive cogita-se Deadpool como o herdeiro natural desse legado do Wolverine – , fica difícil considerar a possibilidade de uma despedida, porém é exatamente isso que ocorre em “Logan”, terceiro filme solo do personagem que chega aos cinemas no próximo dia 02 de março.

Neles somos guiados por um homem exausto, abatido e fragilizado que sente que já viu e fez coisas demais, sem esperança ou motivação para seguir em frente. Uma sombra da imagem de poder e agilidade que emanava. Há muito ele perdeu a fé na vida e em si mesmo, porém sempre esteve de pé lutando. Agora é como se ele não vislumbrasse nenhuma razão para reagir. Levando tudo de forma automática, ele apenas sobrevive para proteger o amigo Charles (Patrick Stewart). Entretanto o surgimento de Laura (Dafne Keen) o tira ainda que a contragosto desta letargia, o faz refletir sobre a sua história e a possibilidade de ter uma vida “comum”, o faz querer lutar por algo, por alguém. Nela ele enxerga muito dele, não somente pelos poderes impostos através do adamantium, mais também pelas incertezas de uma vida sem raízes, em que se precisa sempre estar indo de um lado a outro sem saber onde encontrar segurança e tranquilidade, poder colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, sem pesadelos ou ameaças batendo à porta.

É um filme que retrata a humanidade como o maior poder que um homem deve exercer, essa capacidade de se colocar no lugar do outro, de lutar pelo bem do outro por ele ser seu semelhante e merecer a chance de viver livremente. É um momento difícil para nós que constituímos essa legião de fãs, ter que nos despedir, ainda que seja de Jackman como o Wolverine, não é nada agradável, entretanto tudo foi feito de uma forma muito sensível, genuína e bela.

Título Original: Logan

Lançamento: 02 de março

Direção: James Mangold

Roteiro: Michael Green, Scott Frank, James Mangold

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Richard E. Grant

Gênero: Ação, aventura, ficção científica

Nacionalidade: Estados Unidos

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COMO vocês devem ter acompanhado, Hugh Jackman esteve no Brasil para promover o filme e eu participei da coletiva com ele que aconteceu no último domingo (19/02) em São Paulo. Para mim como fã, a palavra que provavelmente poderá exprimir tudo o que senti é: SURREAL. Racionalmente eu sei que estive lá, que o vi, pude ouví-lo e admirar seu profissionalismo, simpatia e atenção conosco. Entretanto é como se eu estivesse me observando à distância, como um sonho mesclado à realidade. Um sonho breve contudo bonito demais pra se esquecer. Obrigada Hugh Jackman por se dedicar e retratar de maneira tão marcante o Logan em em sua jornada!

Abaixo temos um resumo do que ele falou durante a coletiva.

“O Brasil tem apoiado muito o Wolverine e o X-Men. Eu queria muito vir aqui para dizer obrigado”, agradece o ator Hugh Jackman para uma entusiasmada plateia de mais de 200 jornalistas brasileiros e latino-americanos que participaram da coletiva de imprensa de lançamento do filme “Logan” às 12h do dia 19 de fevereiro, no Hotel Hyatt em São Paulo, logo após uma sessão exclusiva para a imprensa na sala IMAX do Cinépolis JK Iguatemi. Esta é a última vez que o público poderá ver Jackman vivendo o X-Man Wolverine. O ator já anunciou que não voltará a interpretar o personagem, mas confessa: “Eu nunca vou deixar de ser o Logan e ele nunca vai me deixar”.

Eu fico emotivo de ver o quanto cresci com esse papel, o quanto ele me ensinou. Sempre senti que existia uma história mais profunda sobre o personagem”, disse Jackman para os jornalistas. Ele conta ainda que há dois anos acordou durante a madrugada com a ideia do que queria mostrar em Logan: “É a primeira vez que tive a sensação de gerar algo, mesmo não escrevendo ou dirigindo o filme”.

Sobre as expectativas para o lançamento, o ator contou: “Meu sonho é que a gente consiga fazer as pessoas olharem o filme de maneira revolucionária. Ele é muito autêntico. Rezo para o fãs do Wolverine falarem: “Finalmente, é esse Wolverine que eu quero ver”.

A première mundial do filme foi na sexta-feira (17/02), como parte da programação oficial do Festival de Berlim. O ator e o diretor estiveram presentes à exibição. Jackman veio diretamente da Alemanha para o Brasil para participar da coletiva.