Macbeth: Ambição e Guerra | Crítica do filme


MACBETH’ chega rasgando tensão em uma noite densa, interminável e traiçoeira. O filme baseado na literatura shakespeariana começa sua narrativa sem cores, e pálido enfrenta contraste com a lama escorregadia.macbethtop

Assim nos transporta para um dia de triunfo onde um grupo de bruxas cerca o general escocês Macbeth depois de um grande batalha e dizem que ele será Rei, apesar de ter vencido essa luta para um outro. Claro, ambicioso e encorajado por sua esposa, Lady Macbeth (Marion Cotillard), ele assassina o Rei Duncan (David Thewlis) e toma o trono para si, decidindo adiantar o desejo do destino.

A partir de então, somos presenteados por Justin Kurzel com a sua versão de um Macbeth que inicialmente nos faz perder o ar. É impressionante o trabalho visual e toda a arte conceptual da produção, é fica nítido que eles foram felizes em desenvolver um discurso cinematográfico coerentemente baseado nas desventuras do futuro rei e através dele ser capaz comunicar um sentimento.

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Está claro que o filme vem nos apresentar um conjunto de fatos, que servem acima de quase tudo, para nos ensinar como a ambição pode surgir fantasiada de triunfo através da neblina espessa de uma floresta em chamas.

Kurzel se adapta bem ao roteiro de três quase iniciantes, Jacob Koskoff, Michael Todd e Louiso Lesslie. Este visita com frequência às previsões das bruxas reforçando a infelicidade interior que incentiva o despertar dos sonhos mais febris do protagonista.

Nesse instante em que já estamos inseridos em uma mente sedenta por poder, percebemos o quão perturbadora é a luta doentia de Macbeth. O filme sai do eixo e provoca confusões visuais que nos leva de uma ideia para outra deixando espaço para suportar os monólogos de ‘Shakespeare’, que perdem força quando traduzidos para o inferior discurso do cinema.

Em meio a esses detalhes a história vai ganhando cores, do cinza frio ao vermelho, que chega para arrematar uma conclusão trágica, uma leitura do futuro dentro dos sussurros das bruxas.

No fim nós sabemos exatamente o que vai acontecer, e apesar de um argumento muitas vezes cansativo, a mensagem de Shakespeare adquire uma contundência magnífica, perceptível até para o espectador que não conhece a literatura.

Elenco: Michael Fassbender – Macbeth, Marion Cotillard – Lady Macbeth, David Thewlis – Duncan, Elizabeth Debicki – Lady Macduff, Jack Reynor – Malcolm, Sean Harris – Macduff

Direção: Justin Kurzel
Gênero: Drama
Distribuidora: Diamond Filmes
Estreia: 24 de Dezembro de 2015

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