Memoráveis do Oscar – O Discurso do Rei


O Discurso do Rei
“Tive que gaguejar, assim saberiam que era eu.” Rei George VI

 

O fato de conseguir superar dificuldades e limitações, não significa que você possa ou deva apagar tudo o que você foi até aquele momento, pois é isso que faz de você quem é.
E esse é um princípio interessante que podemos compreender em “O Discurso do Rei”, a história de um homem que precisa ser a voz de uma nação mas não possui voz nem para falar por si mesmo. A luta de um homem para ter voz e se fazer ouvir. Uma história de superação e autoconhecimento, na qual Colin Firth (Mamma Mia – 2008) interpreta brilhantemente (e por isso levou o Oscar de Melhor Ator) o Duque de York, que se tornou o Rei George VI, um homem que apesar de todo o poder e responsabilidades em suas mãos, se vê totalmente impotente quando precisa falar em público.
Além de Colin, o filme que foi lançado em 2011, ainda levou o Oscar de Melhor FilmeMelhor Direção para Tom Hooper (A Garota Dinamarquesa – 2015) e Melhor Roteiro Original.
Nele temos Bartie  (como era chamado pela família), que desde de bem pequeno sofreu para se moldar ao perfil exigido pela realeza e junto com ele logo descobrimos que mais do que limitações físicas, o que na verdade o impede de falar fluida e continuamente, teve origem nas sua relações familiares, com a rigidez no tratamento dado por seu pai, no descaso dos pais ao não perceberem os maus tratos impostos pela babá que “cuidava” dele e do irmão, as comparações com o irmão mais velho e ainda o bullying que sofreu ao apresentar problemas com a fala.
Tudo isso o levou a crescer se sentindo desacreditado e fugindo de situações nas quais precisasse usar a habilidade da oratória. Contudo ao ser um príncipe, você nunca irá ser ver livre dessas obrigações. E é por isso que Bartie, com a ajuda de sua esposa Elizabeth (Helena Bonham Carter – A Fantástica Fábrica de Chocolate – 2010), procura vários meios para tratamento de sua gagueira, porém ainda sem sucesso.
Quando Elizabeth encontra Lionel (Geoffrey Rush – A Menina Que Roubava Livros  – 2013), Bartie já não estava disposto a tentar nenhum outro tratamento, entretanto decidiu ir à uma consulta. E ao se deparar com o métodos nada usuais do fonoaudiólogo, acaba deixando o consultório extremamente irritado.
Lionel o havia colocado para ler em voz alta o monólogo de Hamlet “Ser ou não ser” enquanto ele usava fones de ouvido tocando uma ópera de Mozart extremamente alta, impedindo-o assim de ouvir-se. Quando ele deixou o consultório, Lionel o entregou o disco de vinil com a gravação do que ele havia lido.
Essa foi a chave para que Bartie começasse a acreditar que seria capaz de se curar e retomar o tratamento, pois dias depois ao decidir ouvir a gravação, descobriu que tinha lido perfeitamente sem hesitação em nenhum momento.
Com as sessões mais frequentes, além da relação terapeuta-paciente, eles desenvolvem uma amizade, e isso também beneficia e muito o sucesso do tratamento, como podemos comprovar no discurso que Bartie faz para a nação no início da Segunda Guerra Mundial, a todo momento guiado por Lionel.

Quando ele termina, Lionel o parabeniza mas não deixa de observar que ele gaguejou nas palavras que tinham a letra “w”, e é daí que retirei a citação que acompanha a foto com a qual inicio a postagem de hoje. Segundo Bartie esta era a forma de seu povo reconhecer que era ele realmente fazendo aquele discurso.

De fato somos reconhecidos pela nossa essência, e sim é possível aperfeiçoá-la.

Nos vemos na semana que vem!