Meu Rei | Crítica II


Desde que este texto era apenas um monte de ideias e memórias soltas na minha cabeça, já sabia que não haveria outra jeito de tirá-lo daqui que não fosse em primeira pessoa. Essa foi mais uma das tantas formas que “Meu Rei” mexeu com meu juízo.

Meu Rei

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A sinopse explica que a obra vai acompanhar a vida de Marie Antoinette Jézéquel, ou Tony, a partir do trecho em que ela conhece Georgio Milevski, homem com quem tem um filho em meio a um relacionamento conturbado e abusivo. A história é contada em retrospectiva enquanto Tony se submete a um tratamento para recuperar a capacidade de andar normalmente depois de sofrer um acidente.

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O que a sinopse não explica, é que um relacionamento pode tomar o rumo do abuso de maneira tão sutil, que até você, que está ali vendo tudo literalmente de fora e comendo pipoca, demora pra perceber. Maïwenn foi impecável no roteiro e na direção que ditaram o ritmo preciso em fazer com que o expectador enxergue através dos olhos de Tony e, assim como ela, demore a entender a gravidade do que se passa em sua vida.

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No papel de Georgio temos um Vincent Cassel tão convincente que cogitei a hipótese daquela ser sua personalidade na vida real, que o humor rápido e constante permanecia quando ele saia do set.  Dá pra entender porque Tony se deixou envolver  mesmo quando logo de início fica claro que há algo muito errado na relação entre  ele e sua ex-namorada, personagem que, apesar das aparições pontuais e ligeiramente irritantes, é essencial pra que um “poderia ser eu” passe a reverberar na mente enquanto acompanhamos a trama.

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Esse é o maior trunfo do filme, poderia ser eu, poderia ser você, já foi alguém que você conhece… Não foi por acaso que a atuação de Emmanuelle Bercot lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, ela está realmente fantástica e é um dos elementos que transforma uma história ordinária em horas memoráveis.
“Meu Rei” cumpre seu papel de obra cinematográfica com uma maestria assustadora, e por isso não quero dizer que se trata de um filme de arte pela arte compreendido somente pelos integrantes do seleto círculo dos “entendidos de cinema”. Ele conta uma história com as cores, com a trilha, com o silêncio, tudo ali faz sentido. Afinal cinema é isso, não é mesmo?

Título Original: Mon Roi
Direção: Maïwenn
Roteiro: Maïwenn, Etienne Comar
Elenco: Vincent Cassel, Emmanuelle Bercot
Distribuição: Mares Filmes

Nota filme: [yasr_overall_rating size=”medium”]