Meu Rei | Crítica


Quando limites são ultrapassados, quando o que você sente se torna maior do que quem você é, quando você se afasta de tudo que o faz ser quem é e se transforma em apenas uma sombra de outro ser. Esse roteiro pode apresentar uma mulher inteligente, forte e destemida que se transforma ao encontrar um homem sedutor e extremamente manipulador – ou a ordem inversa também é possível -, e que juntos embarcam numa relação intensa e conturbada, na qual o que era para ser amor, carinho, amizade acaba por se tornar algo nocivo.

Meu Rei

Meu Rei

Talvez você já tenha ouvido algo parecido, talvez você já tenha sido ou possa ser um desses personagens, talvez você nunca passe por isso, mas uma coisa é certa, é uma história mais recorrente do que supomos. E é justamente isso que faz do longa “Meu Rei” uma experiência tão intensa, profunda, reveladora e em muitos níveis totalmente assustadora.

Nada do que eu disse até o momento representa 10% do que você pode ver ou sentir assistindo o filme estrelado por Emmanuelle Bercot Vincent Cassel. Ambos estão espetaculares ao darem vida ao casal Marie Antoinette Jézéquel, mais conhecida como Tony e Georgio Milevski.

Com uma temática forte desenvolvida em duas horas de duração, é possível acompanhar cada nuance presente em relações nocivas, cada etapa que se sucede repetidamente na vida desses casais, os possíveis danos físicos e psicológicos. Inclusive demonstrando que na maioria das vezes a violência psicológica pode ser muito mais agressiva, prejudicial e até irreversível se comparada a violência física.

A diretora Maïwenn, conduziu tudo com um olhar tão sensível e de forma tão genuína, que fica quase que impossível não acreditar que aquilo ali realmente está acontecendo, que aquelas pessoas não são reais, e com isso causa no espectador um sentimento de de identificação e até mesmo a sensação de fragilidade por nos fazer vislumbrar quão vulneráveis estamos/somos, seja diante do outro ou de nós mesmos, considerando que o nosso próprio cérebro nos impõe esse tipo de sentimento, de desejo, de vício, que é tão forte e controlador, ao ponto de nos levar a extremos como assassinato ou suicídio.

Um destaque para a música Easy (Son Lux), que embala o trailer, ainda que no filme ela não tenha sido colocada junto a cena mais adequada, ela traz toda essa angústia e densidade presente na história.

O longa que já estreou no Rio de Janeiro, chega nesta quinta, 22 de setembro aos cinemas de São Paulo, Barueri, Belo Horizonte, Brasilia, Fortaleza, João Pessoa, Manaus, Natal, Porto Alegre e Salvador, e definitivamente vale muito a pena assistir.

Título Original: Mon Roi
Direção: Maïwenn
Roteiro: Maïwenn, Etienne Comar
Elenco: Vincent Cassel, Emmanuelle Bercot
Distribuição: Mares Filmes

Nota filme: [yasr_overall_rating size=”medium”]