The Breakdown

Título Original: Millenium: The Girl In Spider's Web Lançamento: 08 de novembro de 2018 Direção: Fede Álvarez Roteiro: Fede Alvarez, Steven Knight Gênero: Ação/Thriller Elenco: Claire Foy, Sverrir Gudnason, Lakeith Stanfield, Stephen Merchant, Sylvia Hoeks Nacionalidade: EUA
7.0

A trilogia Millenium conquistou o mundo com sua história humana, cheia de suspense e crimes hediondos que exploravam questões sociais delicadas presentes na Suécia. Com a morte prematura do seu autor Stieg Larsson em 2004 e a partir dos manuscritos deixados por ele para sua família, David Lagercrantz se tornou o responsável por continuar a série, originalmente planejada para 10 livros. Foi a vez de A Garota na Teia de Aranha (2015) e O Homem Que Buscava Sua Sombra (2017) conquistarem seu espaço e darem continuidade à história de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist.

Os três livros de Larsson foram adaptados para o cinema sueco, levando ao público três filmes muito amados pelos fãs e o reconhecimento mundial para Noomi Rapace, responsável por interpretar Lisbeth Salander. Anos depois, Hollywood aproveitou o sucesso da franquia e, com a direção de David Fincher, adaptou o primeiro volume da série para os cinemas, com Rooney Mara e Daniel Craig nos papéis principais. Os Homens Que Não Amavam As Mulheres teve boa aceitação pela crítica, mas obteve uma bilheteria mediana, causando o cancelamento de suas continuações. Em 2018, eis que Hollywood volta a explorar a história de Lisbeth, agora com um novo elenco. A Garota na Teia de Aranha, adaptação do quarto livro, vem como uma espécie de reboot para a franquia. O filme traz um novo elenco e uma atmosfera muito mais parecida com um thriller de ação do que um suspense de mistério.

Na trama, Lisbeth (agora interpretada por Claire Foy) se tornou uma espécie de super hacker justiceira, que ganha a vida perseguindo e punindo homens responsáveis por crimes de abuso físico, psicológico e sexual. Conhecida internacionalmente, Lisbeth se vê obrigada a pedir ajuda a seu antigo amigo Mikael (Sverrir Gudnason) quando um perigoso software capaz de transformar qualquer computador em uma arma nuclear é roubado de suas mãos por uma organização conhecida como Os Aranhas. Em um jogo de xadrez com várias reviravoltas, a cada jogada Lisbeth é obrigada a tomar decisões difíceis e lidar com fantasmas do seu passado para poder salvar o mundo.

A Lisbeth de Claire Foy é menos gótica, freak e bizarra do que as de Mara e Rapace, adquirindo um tom gótico muito mais próximo da sobriedade e da maturidade do que as interpretações anteriores da personagem. Tal fato não é um ponto negativo. A personagem continua muito fria, calculista e com um humor seco e ácido. Mas Foy se entrega à personagem de corpo e alma, dando à Lisbeth uma habilidade física de ação dignas de James Bond e Ethan Hunt.

Além disso, ela extrapola os limites da surrealidade com suas habilidades de hacker. Se nos filmes anteriores estávamos acostumados a pequenas invasões, transferências e busca em lugares proibidos, aqui vemos a personagem usar a tecnologia quase como um super poder, hackeando e assumindo o controle de basicamente qualquer objeto eletrônico. Apesar de todas suas diferentes interpretações e leituras, Lisbeth continua marcante e profundamente interessante a ponto de ser, de longe, o maior destaque da franquia desde que foi criada e umas das personagens femininas mais importantes da cultura pop moderna.

O roteiro não se preocupa em esconder a surrealidade das decisões que toma. Seu ritmo é frenético, com cenas de ação seguidas de poucos momentos de real reflexão sobre a trama que ele está apresentando. Esse é um ponto positivo, já que muitas surpresas da história são descobertas facilmente pelo telespectador antes mesmo que os personagens principais cheguem à tal informação. Apostar em um filme mais acelerado, tira a atenção do telespectador da história óbvia que ele se propõe a contar.

A trama, porém, peca em deixar personagens importantes de lado (como o próprio Mikael e Erika Berger) e introduzir personagens novos irritantemente moldados para fazer a história acelerar e acontecer (como o funcionário americano da NSA que parece um agente secreto, tamanha habilidade em combate, artilharia e tecnologia). Para um filme que faz parte de uma franquia famosa por explorar seus personagens e dar profundidade a todos eles com histórias densas, é um pouco frustrante vê-los se resumir a cenas de ação e atitudes cheias de previsibilidade e conveniência.

A direção de Fede Álvarez segue o estilo dos filmes anteriores e se assemelha muito com a personalidade do filme de Fincher em termos de fotografia e ambientação. Além disso, Álvarez tem momentos de grande inspiração, com movimentos de câmeras inusitados e técnicas criativas para filmar suas cenas (vide o momento em que Lisbeth precisa realizar uma fuga sob efeito de drogas e a câmera reproduz o que seria a visão e a sensação de desequilíbrio da personagem naquele momento).

Millenium: A Garota na Teia de Aranha chega aos cinemas com um clima menos pesado que as adaptações anteriores da franquia e focado mais na ação do que na trama em si. Porém, a obviedade e o ritmo acelerado de sua história faz esse filme ser a obra que mais se distancia da personalidade construída pela série de livros e filmes anteriores. A impressão que se tem ao final do longa é que uma fórmula mais comercial foi aplicada no material original. Agora é torcer para que essa fórmula dê certo e que possamos ver mais de Lisbeth Salander nos cinemas.

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