Mulher do Pai | Coprodução Brasil-Uruguai chega aos cinemas essa semana


Mulher do Pai”, primeiro longa de Cristiane Oliveira, que estreia dia 22 de junho, é um filme encabeçado por mulheres e com uma temática feminina muito presente no roteiro. Protagonizado por Maria Galant e Marat Descartes, o filme conta a trajetória da adolescente Nalu, que, após a morte da avó, precisa cuidar de Ruben, o pai cego, mas, ao mesmo tempo, vive o dilema entre ser tecelã como a avó ou buscar uma nova vida longe da comunidade.

“Se por um lado o personagem masculino está fragilizado no filme, por outro lado temos mulheres que vivem em função dele, numa repetição de modelos que favorecem a figura masculina”, aponta a diretora e roteirista. “A transformação que Nalu viverá, com o apoio de outras mulheres, não é redentora. Vem acompanhada das perdas naturais do amadurecer”, completa.

Não só a temática do filme traz uma questão sobre o feminino e a condição da mulher, como o próprio processo de produção do longa também levanta pontos importantes. Rodado em municípios do interior do Rio Grande do Sul, onde a cultura do gado é muito forte, consequentemente, com menos atuação das mulheres no mercado de trabalho, o filme deu a oportunidade para muitas delas terem seu primeiro emprego remunerado.

“A discriminação em relação à identidade de gênero pode estar tão ligada a uma cultura que acaba se manifestando como algo natural na própria mulher. Nalu é uma adolescente que vem desse contexto e é difícil para ela realizar a própria autonomia independente de um homem”, revela Cristiane.

Além dos pontos abordados na trama, a equipe técnica do filme é encabeçada por mulheres: a produção sob o comando de Aletéia Selonk, a produção executiva de Graziella Ferst e Gina O’Donnel, a direção de fotografia de Heloisa Passos, a direção de arte de Adriana Nascimento Borba e a supervisão de som de Miriam Biderman, além do roteiro e da direção de Cristiane Oliveira.

“Não foi intencional escolher mulheres para a equipe, foi uma reunião de pessoas com quem eu queria trabalhar, pelo talento delas. Mas o talento precisa de espaço para se expressar e fico feliz que, em um mercado ainda majoritariamente masculino, tantas mulheres tenham encontrado no filme uma oportunidade e estejam sendo reconhecidas pelo seu trabalho.”

O filme já arrebatou oito prêmios em festivais – nós já assistimos e em breve vocês poderão ler a nossa crítica – , entre eles o de melhor Direção no Festival do Rio e o Prêmio ABRACCINE na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, ambos em 2016, além de ter sido selecionado para importantes festivais internacionais, como os de Berlim, Guadalajara e o do Uruguai – onde ganhou o prêmio da FIPRESCI na competição Ibero-americana. O longa conta com a participação do ator paulista Marat Descartes (conhecido por sua participação em filmes como Trabalhar Cansa e em novelas da Globo como Totalmente Demais) e da atriz uruguaia Verónica Perrotta, que ganhou o prêmio de Melhor atriz pelo filme no Festival do Rio, além de apresentar a jovem gaúcha Maria Galant.

Mulher do Pai” é uma coprodução oficial Brasil-Uruguai, produzida pela Okna Produções com a Transparente Filma, e distribuído no Brasil pela Vitrine Filmes. A parceria de sucesso com o país vizinho trouxe talentos uruguaios renomados internacionalmente, como o consultor de arte Gonzalo Delgado (diretor de arte do filme “Whisky”, de Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella); o técnico de som Raúl Locatelli (“Luz Silenciosa”, de Carlos Reygadas); o produtor Diego Fernández (“Whisky”); a atriz Verónica Perrotta (“Whisky” e “Acné”, de Federico Veiroj); e o ator Jorge Esmoris (“Artigas: La Redota”, de César Charlone).