Mulher do Pai | Crítica


A transformação de uma relação inexistente, a superação de uma perda terrível, vários silêncios sendo preenchidos por sensações e sentimentos, tudo isso desenvolvido de maneira sensível em “Mulher do Pai” pelo olhar e cuidado da roteirista e diretora Cristiane Vieira e de sua equipe.

O longa que chegou às telonas na última quinta, depois de se destacar em diversos festivais nacionais e internacionais é daqueles que não te permitem sair da sessão sem um misto de tristeza, angustia e questionamentos devido à densidade da história. Ele nos conta as histórias de Nalu (Maria Galant) e Ruben (Marat Descartes), que são pai e filha e embora até vivam na mesma casa, estão mais para estranhos conectados apenas pela avó/mãe deles que cuida de todos. Ruben é deficiente visual, portanto dependente para a realização de muitas tarefas diárias, enquanto Nalu passa a maior parte do seu tempo com a amiga Elisa (Fabiana Amorim) partilhando suas vivências e sonhos. Quando a matriarca morre, ambos ficam totalmente desamparados e precisam lidar não somente com a perda da única família que conheciam, como com as diferenças de personalidades e necessidades que possuem.

O filme é amplamente rico tanto no que concerne ao roteiro e as características de seus personagens – que em maioria são mulheres, com personalidades autênticas, desafiadoras e que se permitem viver o que desejam -, como no que diz respeito à cenografia, figurino e fotografia, compondo assim uma obra bem marcante. Com atuações dignas do vigor e dualidade de cada personagem, vemos Nalu e Ruben surgirem na tela de modo espontâneo, cada um vivendo sua rotina, como se aquilo fosse a única coisa a ser feita, contudo a medida que perdem sua base de sustentação, tanto emocional quanto financeira, eles vão se revelando diante de nós, os conflitos vão ganhando força e transformando-os à medida que transformam suas realidades.

É interessante observar como a dor muda o ser humano, e o que poderia nos fragilizar muitas vezes nos impulsiona a lutar e ir em busca do que precisamos, porém antes não tínhamos conseguido. Cristiane através de seus personagens nos mostra que a vida vai além das limitações físicas ou psicológicas, da dor de uma perda ou do medo de viver algo novo, mesmo quando se trata de um sonho que nos assusta. A vida é experimentar, arriscar, a vida mudança, é se permitir viver os momentos e ciclos que se apresentam e não a angustia do que já foi ou está por vir.

Nós conversamos após a sessão com a diretora Cristiane e vocês podem ouvir nosso papo clicando no link abaixo.

Título Original: Mulher do Pai

Lançamento: 22 de junho

Direção: Cristiane Oliveira

Roteiro: Cristiane Oliveira

Elenco: Maria Galant, Marat Descartes, Verónica Perrotta, Amélia Bittencourt, Áurea Baptista, Fabiana Amorim, Jorge Esmoris, Liane Venturella, Diego Trinidad

Gênero: Drama

Nacionalidade: Brasil, Uruguai

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