The Breakdown

Título Original: The Divine Order | Die göttliche Ordnung Lançamento: 14 de dezembro de 2017 Direção e Roteiro: Petra Biondina Volpe Elenco:Marie Leuenberger, Maximilian Simonischek, Rachel Braunschweig Nacionalidade: Suiça Gênero: Drama
6.0
Pros
Peso histórico, liderança feminina
Cons
-

Aposta da Suíça para concorrer a uma vaga de filme estrangeiro no Oscar, Mulheres Divinas, que fez sua estreia no Brasil nessa quinta (14/12), é um recorte da vergonhosa realidade a qual nós mulheres, pela questão de gênero somos frequentemente submetidas, seja através de leis ou tratamento extremamente patriarcais e machistas, inclusive por parte de outras mulheres.

Lembro que quando eu assisti Better Things e uma das filhas da Sam (Pamela Adlon) diz à mãe em uma cena: “As mulheres são os negros da sociedade”., eu fiquei bem impressionada e não de uma forma positiva, claro, mas meio que em choque, sabe, por perceber que a declaração realmente fazia algum sentido. E é algo que até hoje me vem a mente. Pois se formos considerar os abusos, assédios e uma série de outras questões pelas quais passamos diariamente, somos menos valorizadas e respeitadas que homens negros ou gays. E não se trata de polemizar nem querer minimizar os horrores causados pela escravidão, pelo racismo e pela homofobia, todavia não se pode fechar os olhos nem esquecer o que vivemos. E quando se trata de mulheres negras, a situação ainda pode ser considerada mais grave, pelas notícias que acompanho. Ou seja, mesmo de acordo com os censos e pesquisas demonstrando que existimos em maior número no planeta, ainda somos consideradas e tratadas como minoria, se formos observar que as leis ainda são feitas por e para homens. A questão é que independente de homem ou mulher, todos somos seres humanos e deveríamos ser guiados pelos mesmos direitos.

No longa acompanhamos a história de Nora (Marie Leuenberger), uma mulher jovem, inteligente, bonita, que após casar-se e se tornar mãe, passou a dedicar-se apenas a família. O que não tem nada de errado. Entretanto quando Nora começa a cogitar a possibilidade de trabalhar fora novamente, logo seu marido a desencoraja, e quando ela insiste, ele afirma que não importa o que ela quer, pois de acordo com a lei matrimonial – vigente em 1971 na Suíça, época em que se passa a história do filme – ela só poderia fazê-lo com a permissão do marido, e ele não iria autorizá-la.

Esse foi o gatilho que desencadeou a sua própria revolução, uma vez que ela passou a se interessar mais pelas leis e direitos das mulheres em seu país, buscando conhecimento e se aproximando de outras mulheres que já lutavam por mais direitos, entre eles o de direito ao voto, visto que somente os homens podiam exercer esse direito e dever naquela época em seu país. A sua atitude logo desperta o interesse e apoio de outras mulheres, que como ela querem ter voz e poder de voto.

Com isso podemos acompanhar sua jornada como líder do movimento em sua aldeia, as transformações em suas relações com o marido, os filhos, o sogro que morava com eles e ainda consigo, uma vez que ela passa a se conhecer melhor, ter mais segurança para agir e ir em busca do que quer e precisa. Também podemos observar o quanto a sua atitude foi determinando na mudança da realidade de tantas outras mulheres, que ao vê-la lutando, se sentiram motivadas a lutar também.

Mulheres Divinas é sobre uma causa, sobre se posicionar e o agir em favor das transformações que o mundo precisa, sejam elas quais forem. E cumpre bem o seu papel enquanto cinema de não apenas divertir, emocionar, como também provocar reflexões em seus espectadores.