Museu Nacional na LEGO Ideias | Descubra mais em nossa entrevista com Diego Ferrite


Maquete do Museu Nacional em Lego

Em setembro de 2018 um grande incêndio destruiu o Museu Nacional, localizado na cidade do Rio de Janeiro.

Entre o choque, a tristeza, revolta e tantas outras sensações e sentimentos fomos acompanhando as notícias de que a mais antiga instituição científica do Brasil até aquele momento e seu acervo de mais de 20 milhões de itens estava sendo destruído pelo fogo e não havia nada que se pudesse fazer.

Muitos “por ques” foram surgindo, entre eles “Por que não fizeram os reparos necessários?” “Por que esse descaso do governo com o nosso patrimônio cultural?” “Por que não conseguimos impedir essa tragédia?” e assim sucessivamente

O fato é que aconteceu, e agora não tem o que possa ser feito para reverter, entretanto podemos sim ter iniciativas que possam ajudar na reconstrução do que restou e ainda na conscientização da população e governo sobre a importância de uma atenção maior com a nossa história e com as instituições que a abrigam.

Uma dessas iniciativas nasceu dos amigos e publicitários Caio Gandolfi e Diego Ferrite, que decidiram não somente homenagear como também viabilizar de alguma maneira parte dessa reconstrução ao aplicar na plataforma LEGO IDEAS o projeto para esse novo produto – a maquete do Museu Nacional -, que caso aprovado, terá os royalties destinados à reconstrução da entidade.

A ação teve como objetivo imortalizar a instituição e tudo que ela representa e ainda mobilizar a sociedade civil em prol da reconstrução.

Após alcançar a meta de 10 mil likes em apenas 20 dias, o projeto agora aguarda a avaliação do board da companhia dinamarquesa, que deve acontecer ainda este ano.

 

Parabéns pela iniciativa e seguimos na torcida!

Confira mais na entrevista que fizemos com Diego Ferrite, um dos idealizadores do projeto.

1 – Podemos dar início com vocês se apresentando e contando um pouquinho da trajetória de ambos até se conhecerem?

Eu sou o Diego, e cresci na zona leste de São Paulo até vir para a zona sul da cidade fazer faculdade. Sou graduado em Comunicação Social na ESPM e pós-graduado em Semiótica Psicanalítica – Clínica da Cultura na PUC.

O Caio cresceu em Campinas e veio para estudar Publicidade na USP, e ficou em São Paulo desde então. Nos conhecemos trabalhando juntos em agência de publicidade, e trabalhamos como dupla criativa há 5 anos.

2 – Eu gostaria que vocês explicassem o tipo de relação e vivências vocês tiveram com o Museu Nacional e com LEGO, e de que maneira isso acabou reverberando a ponto de decidirem desenvolver esse projeto?

Acho que desde pequeno os dois tiveram contato com LEGO. É um brinquedo onde você pode construir e reconstruir o que quiser. Por isso quando pensamos no tema da “reconstrução” do Museu, lembramos do LEGO. Daí veio a ideia: Porque não criar um brinquedo com o qual as pessoas possam “reconstruir” o Museu Nacional bloco a bloco, e ajudar na reconstrução do Museu Nacional de verdade?

Não sabíamos se isso seria possível, mas fomos pesquisar e descobrimos que a LEGO já tinha uma plataforma, chamada LEGO IDEAS, onde qualquer pessoa pode submeter uma ideia de brinquedo e eles avaliam se merece se tornar realidade.

3 – A partir da ideia inicial, quais foram os principais passos que vocês precisaram dar para chegar ao ponto que estamos testemunhando agora?

A primeira etapa era ter o projeto aprovado e publicado na plataforma. A segunda era conseguir os 10 mil apoiadores. Agora estamos aguardando o OK final da empresa, que vai avaliar se produz o brinquedo ou não.

De qualquer forma, acredito que conseguimos trazer o assunto “Museu Nacional” de volta. Ficamos felizes de ver pessoas comentando e compartilhando e não deixando o assunto esfriar.

4 – E considerando todo esse percurso, e claro um resultado positivo, o quanto vocês já pensaram ou planejam poder contribuir ainda mais diretamente com a reconstrução do museu a partir dos fundos que serão arrecadados?

Se o projeto for aprovado, produzido e vendido, os royalties são destinados aos “criadores” da ideia. Nós vamos abrir mão da propriedade intelectual e destinar 100% dos royalties à reconstrução do Museu Nacional.

Já escrevemos uma carta de compromisso para o Diretor do Museu. Acho que o papel principal é manter o assunto vivo e alertar a galera da importância de se visitar os museus, e também cobrar que sejam bem cuidados.

5 – Se vocês tivessem a possibilidade de desenvolver algo semelhante, qual ou quais seriam as outras instituições que vocês escolheriam para poder reconstruir ou fazer uma super restauração? E qual o significado delas para vocês?

Nós não paramos para pensar sobre isto, mas a gente sempre tenta utilizar a expertise que temos como publicitários para criar ideias que ajudem não apenas as marcas com as quais trabalhamos, mas também que sirvam para engajar as pessoas em boas causas.

A reconstrução do Museu Nacional nos pareceu uma causa justa e digna de esforço. Quando vimos a notícia do fogo no Museu, ficamos em choque. Inúmeras peças históricas foram completamente perdidas, talvez sem recuperação, e logo pensamos no que fazer para ajudar a reconstruir o que fosse possível.

Nós temos inúmeros casos semelhantes, como o Museu da Língua Portuguesa, o Museu do Ipiranga, O Teatro Cultura Artística que também pegou fogo.

Acho que o mais importante da nossa campanha foi alertar a importância de olhar por esses patrimônios culturais para que novos casos assim não aconteçam.

Obrigada ao pessoal da Lado C por mediar essa entrevista.

Em breve voltamos com mais.