Neve Negra | Crítica


Como um fato pode determinar a vida inteira de um ser? O que as escolhas que fazemos dizem sobre nós? Nós de fato vemos o que queremos ver? Acreditamos no que queremos acreditar? Através das ações e reações de três personagens centrais o diretor argentino Martín Hodara nos envolve e provoca em seu longa “Neve Negra” que estreia no dia 08 de junho no Brasil, e é até o momento o filme mais assistido em seus país de origem.

A coprodução Argentina-Espanha apresenta uma surpreendente trama familiar que conta a história de Salvador (Ricardo Darín), um homem que vive isolado em uma cabana nas terras da família, desde a adolescência quando foi acusado de ter cometido um assassinato. Todo o roteiro se desenvolve a partir do reencontro indesejado de Salvador com seu irmão Marcos (Leonardo Sbaraglia) – que vem acompanhado da esposa Laura (Laia Costa) – , após o falecimento do patriarca, para resolver as pendências legais com a herança, depois de anos de afastamento e um passado repleto de segredos e questões não resolvidas.

Com a maior parte de suas cenas se passando na gélida Patagônia Argentina e todo o clima de rancor, culpa, raiva evocados pelas memórias e diálogos, tudo ganha um ar inóspito, desde os ambientes que parecem contar apenas com a iluminação natural e fria como gelo que cobre a região e ainda a penumbra durante a noite gerada pelas fracas chamas de alguns lampiões. Tal penumbra também acrescenta a sensação de que essa seria uma maneira de cada um dos personagens se protegerem do olhar do outro, como se ela lhes permitissem ocultar as verdades que temem que sejam reveladas. As transições passado e presente são conduzidas de modo instigante, muitas vezes mesclando personagens do/no presente e passado no mesmo enquadramento, algumas vezes apenas como observadores, outras como agentes da ação e os do presente se sentindo encarados, desafiados pelos do passado.

Os protagonistas oferecem atuações bem marcantes e Darín com seu olhar extremamente expressivo enaltece ainda mais o talento do ator que não teve, nem precisou de muitos diálogos para nos transmitir a história de seu personagem. Martín soube exatamente o que desejava e como orientar muito bem a sua equipe nesse caminho, para galgar um saldo positivo com a produção que muito provavelmente também irá agradar em terras tupiniquins.

Martín veio ao Brasil na última segunda, 29 de maio para promover o filme. Em uma coletiva ele contou como foi o processo e trabalhar com uma lenda como Darín, que para ele é o ator latino com o status de estrela do cinema como o concedido para muitos atores americanos e europeus.

Ao questioná-lo sobre a fama dos argentinos irem ao cinema para assistir produções nacionais, ele revelou que na verdade os argentinos adoram ir ao cinema e ponto. Para eles é um hábito agradável e está enraizado na  cultura do país, e que embora ele não conheça muito das produções brasileiras, ele foi aos cinemas para assistir “Aquarius” de Kleber Mendonça Filho, lançado no ano passado.

Eu também perguntei como funciona o mercado para se fazer filmes no seu país e que aqui no Brasil nós temos leis de incentivo, editais, mas que ainda é bem complicado captar. Ele disse que eles também possuem esses tipos de programas, mas que o que realmente é um diferencial são as parcerias, especialmente com a Espanha para o desenvolvimento de coproduções, como ocorreu em “Neve Negra”.

Título Original: Nieve Negra

Lançamento: 08 de junho

Direção: Martin Hodara

Elenco: Ricardo Darín, Leonardo Sbaraglia, Laia Costa

Gênero: Suspense dramático

Nacionalidade: Argentina, Espanha

[yasr_overall_rating size=”medium”]