Nise – O Coração da Loucura | Crítica


O que melhora o atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito. 

Se norteando por esse princípio, Nise da Silveira revolucionou a história da psiquiatria, transformou a vida de muitos e ainda é inspiração para novas mudanças, não somente na área da saúde, como também nas relações interpessoais.

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No longa do diretor Roberto Berliner (A Pessoa É para O Que Nasce – 2004), Nise – O Coração da Loucura, temos a interpretação excepcional de Gloria Pires (Flores Raras – 2013) como a Dra Nise, e o narrar tem inicio no momento em que ela retoma seu trabalho como psiquiatra clinicando no Hospital Psiquiátrico Pedro II (que, anos depois, passou a se chamar Instituto Nise da Silveira), localizado no Bairro Engenho de Dentro, da cidade do Rio de Janeiro/RJ.

Uma vez lá, ela assumiu o Setor de Terapia Ocupacional, o qual estava completamente abandonado, transformando-o em um ateliê e começou a desenvolver ali o tratamento de seus clientes (modo como ela preferia chamar seus pacientes), através da arte (especialmente pintura e escultura), do afeto e do respeito pelo próximo.

O filme nos faz acompanhar a delicada e ardilosa trajetória de uma psiquiatra ao iniciar um revolução ao tratamento daqueles que confiaram em seu trabalho, onde, em uma citação do próprio filme, luta contra os picadores de gelo (instrumentos que eram utilizados nas cirurgias de lobotomia naquela época) usando o pinceis como arma. Não há que se negar, desde a primeira cena, que Nise é uma mulher que não pode ser facilmente derrubada, persistente, ela tem a difícil missão de mostrar ao mundo que a visão que carregamos é encharcada de preconceitos e falsas análises daqueles que são denominados pela sociedade como “loucos”. Indo contra o pensamento de seus colegas de trabalho e até dos familiares daqueles que buscavam tratamento em Engenho de Dentro, ela não se deixa abater pelas derrotas e comemora a cada passo dados pelos seus clientes.

Nise da Silveira, foi uma pioneira não somente para a sua área, já que lutou para humanizar o tratamento psiquiátrico, mas também como mulher, uma vez que foi uma das primeiras mulheres no Brasil a se formar em Medicina.

Com um trabalho muito bem embasado e conduzido, temos um elenco primoroso que consegue colocar na tela a realidade daqueles que sofrem com distúrbios mentais como a esquizofrenia, a forma brutal com que eram realizado os tratamentos de pessoas portadora de enfermidades neurológicas e, ainda, como o afeto pode ser uma importante ferramenta durante o tratamento.

Com uma história forte e emocionante, que se destaca por si só e deixa o espectador ávido por mais, o filme ainda conta com uma fotografia belíssima, que valoriza cenários e figurinos, enquanto somos agraciados com uma trilha sonora encantadora (com canções como por exemplo Clair de Lune), nos fazendo sentir tudo de forma mais intensa.

O longa tem estreia marcada para a próxima quinta, 21 de abril, sendo um programa excelente para o feriado.

 

Elenco: Gloria Pires, Simone Mazzer, Julio Adrião, Claudio Jaborandy, Fabrício Boliveira, Roney Villela, Flávio Bauraqui, Bernardo Marinho, Augusto Madeira, Felipe Rocha, Roberta Rodrigues, Georgiana Góes, Fernando Eiras, Charles Fricks, Zé Carlos Machado, Michel Bercovitch, Tadeu Aguiar, Luciana Fregolente, José Mário Farias, Pedro Kosovshi, Eliane Costa, Perfeito Fortuna e Zezeh Barbosa.
Direção: Roberto Berliner.
Produção: Rodrigo Letier.
Produção Executiva: Lorena Bondarovsky.
Direção de Fotografia: André Horta.
Gênero: Drama.
Duração: 108 m.
Estreia Nacional: 21 de abril de 2016.

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