No Coração do Mar | Crítica do Filme


Anunciado como a história que inspirou Moby Dick, a adaptação “No Coração do Mar” conta a verdadeira história do navio Essex, um baleeiro que afundou depois de ser atacado por uma baleia gigante.

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O filme apresenta longos flashbacks para mostrar todos os detalhes da história contada por Thomas Nickerson (Brendan Gleeson), a pedido do jovem e insistente escritor Herman Melville (Ben Whishaw), que está prestes a descobrir detalhes jamais revelados sobre o acontecimento e pretende com isso lançar uma verdadeira obra-prima.

Estamos no ano de 1820 quando o Essex deixa a cidade de Nantucket, Massachusetts, sobre o comando do inexperiente capitão George Pollard (Benjamin Walker), que por sua vez não simpatiza com seu primeiro comandante, Owen Chase (Chris Hemsworth), este que navegou por anos e acredita que ele sim devia estar no posto de capitão. Entre os tripulantes também conhecemos o amigo de Owen, o Matthew Joy (Cillian Murphy), o primo do capitão, Owen Coffin (Frank Dillane), e o jovem aspirante a pescador de baleias (Thomas) interpretado por Tom Holland.


Ao iniciar a aventura marítima a rivalidade entre o capitão e o primeiro comandante é apresentada e já fica claro para quem assiste que mais tarde essa “Disputa” vai acabar prejudicando a viagem. Enquanto isso vemos como o Essex se esforça para encontrar sua presa e preencher sua cota prometida de 2000 barris de óleo de baleia. No entanto, quando ouvem falar de supostos mamíferos gigantes no meio do Pacífico, os responsáveis pelo navio resolvem sair do curso e acabam se deparando com um confronto espetacular contra uma grande baleia branca.

Ainda que não seja uma adaptação do clássico romance de Melville, “No Coração do Mar” trabalha seus detalhes de forma semelhante e e consegue convencer o público mesmo com sua produção complexa, onde vemos uma ação náutica de caça praticamente fiel às proeminências do século XIX. Destaco todo o equipamento reproduzido e o momento em que uma baleia é reduzida a óleo, ainda no mar.

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Esta autenticidade estende-se também aos próprios atores, que foram submetidos a uma rigorosa dieta para viver os papéis de uma tripulação que viveria meses longe das abundâncias da terra firme.

Os efeito especiais são muito bem aplicados, mas algumas vezes, tanto a Massachusetts mostrada quanto o oceano vibrante, se assemelham a uma pintura, uma arte que na minha opinião pode ter sido propositalmente usada para se aproximar ainda mais do romance de Melville. Não vejo necessidade de tal ação, mas em outras ocasiões, no entanto, a fotografia de Anthony Dod Mantle é deslumbrante.

Numerosos encontros do Essex com a baleia gigante, sequências em uma ilha deserta e, em particular, o momento crucial, quando a embarcação em chamas afunda nas profundezas, fazem parte de um show visual que nos faz esquecer completamente que se trata de um flashback. Isso, sem citar as transformações físicas incríveis, as performances são uniformemente fortes, sem nunca recorrer ao exibicionismo.

Pondo de lado mínimas coisas que não agradam o resultado é uma aventura de alto mar robusta e resistente, que deixa a impressão de missão comprida, tanto em suas convincentes atuações cênicas quanto na rigorosa direção de Ron Howard. Um filme com inicio, meio e fim, que mostra que todo o esforço pode valer a pena, inclusive nas bilheterias.

Ficha Técnica:
Elenco:Chris Hemsworth, Cillian Murphy, Ben Whishaw, Brendan Gleeson, Paul Anderson, Benjamin Walker, Tom Holland, Charlotte Riley, Joseph Mawle, Jamie Sives.

Roteiro: Charles Leavitt
Produção Executiva: Sarah Bradshaw, Palak Patel
Produção: Brian Grazer, Marshall Herskovitz, Joe Roth, Paula Weinstein
Direção: Ron Howard

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