Nota:

Data de lançamento 21 de março de 2019 (1h 56min) Direção: Jordan Peele Elenco: Lupita Nyong'o, Winston Duke, Elisabeth Moss mais Gêneros Suspense, Terror Nacionalidade EUA
8.0

Depois de uma longa carreira como ator de cinema e Tv, Jordan Peele tornou-se em 2017 a nova grande esperança de Hollywood, graças ao sucesso de público e crítica que recebeu em sua estreia na direção com ‘Corra’. Menos de dois anos depois Peele deu a luz a mais um terror, agora com ‘Nós’ ele terá o desafio de mostrar que  o seu sucesso não foi sorte de principiante.

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O filme começa em 1986, quando uma menina se perde dos pais por 15 minutos em uma atração de um parque de diversões. O tempo passou e a garotinha cresceu, ela se chama Adelaide (Lupita Nyong´o), que ainda atormentada por traumas decide viajar em família, acompanhada de seu marido Gabe (Winston Duke) e seus filhos Zora (Shahadi Joseph) e Jason (Evan Alex). Juntos em uma casa de praia bem próxima onde Adelaide havia se perdido quando criança, eles recebem uma visita inesperada e aterrorizante. Uma versão atormentadora de todos eles.

O filme parece um cruzamento da série da HBO ‘The Leftovers’ com toques de suspense a lá Hitchcock somado-se aos efeitos sonoros e elementos do clássico terror (tesouras, bastões, falta de energia e banhos de sangue). Tudo funciona razoavelmente bem, e fica clara toda a dura crítica por questões sociais e políticas do passado e do presente. Isso é tão explicito que se você tiver alguma dúvida, ele esclarece usando por exemplo a canção ‘Fuck The Police’ do grupo N.W.A.

Quando apostamos num thriller psicológico, esperamos por muita tensão, angustia e sofrimento, mas o diretor aqui revela ser um narrador também cheio de humor, e surpreende de uma maneira que não diminui em nenhum momento os aspectos sombrios do seu filme.  Quando ele quer fazer você rir, ele consegue; quando ele quer fazer você sofrer também.

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A fotografia de Michael Gioulakis  (também envolvido em Fragmentado e Vidro), é uma verdadeira maravilha. Às interpretações horas são premeditadamente teatrais, e entre as quais se destacam as da brilhante Lupita Nyong’o e Elisabeth Moss.  A primeira, em particular, oferece uma verdadeira aula de interpretação e mostra mais uma vez sua versatilidade interpretativa.

O longa de terror também tem algumas quedas de ritmo, mas ele consegue se recompor muito bem. Muitos aspectos, confirmam que essa será uma obra lembrada por quebrar moldes e reinventar o gênero, mas surgem alguns aspectos forçados para direcionar o filme para um público mais amplo, aí ele entra em uma zona perigosa. 

De todas as formas, temos um resultado um pouco menos fascinante do que ‘Corra’, mas não deixa de ser uma valiosa contribuição para um gênero como o terror. E a surpresa do final está a altura do sucesso de  Peele.