O adorável “45 Dias Sem Você” | Crítica


"45 Dias Sem Você": longa estreou na última quinta-feira (16) (Foto: Divulgação)

Nota:

Data de lançamento: 16 de maio de 2019 Direção: Rafael Gomes Elenco: Rafael de Bona, Mayara Constantino, Julia Corrêa, Fábio Lucindo Gêneros: Comédia dramática, Romance Nacionalidade: Brasil Duração: 96 min
6.0

Nada como uma viagem à Europa para curar um coração partido, não é mesmo? Rafael (Rafael de Bona) é um jovem que acaba de ser dispensado por um outro rapaz após 45 dias o esperando retornar de uma viagem. Tudo o que sobrou para ele foi uma caixa de chocolates, presente do amado que o rejeitou, e que ele promete terminá-la apenas quando aquela dor sumir. É a partir dessa decepção que Rafael embarca em uma viagem que começa na Inglaterra, passa por Portugal e termina na Argentina tentando se reencontrar. É a sua vez de ter os seus 45 dias.

Coração partido: com a ajuda de amigos, Rafael tenta superar a rejeição de um amor não correspondido (Foto: Divulgação)

A premissa é simples e não há muito o que se esperar de 45 Dias Sem Você (dir. Rafael Gomes, 2019), que estreou na última quinta-feira (16) — e é isso que o torna tão bacana. Inegavelmente bebendo de fontes como Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual (Medianeras, dir. Gustavo Taretto, 2011), para falar de amor de forma graciosa e cativante, e Regras da Atração (The Rules of Attraction, dir. Roger Avary, 2002), para resgatar um pouco da juventude em meio à vida adulta dos personagens, o diretor e roteirista Rafael Gomes conseguiu construir um longa adorável, com cenários lindíssimos e uma história que agrada, apesar de se perder em sua trama e se tornar imprevisível por todos os motivos errados. Eu explico.

Com pouco tempo dentro do filme, já somos apresentados a um antigo relacionamento de oito anos de Rafael, que havia terminado há cerca de seis meses. Apesar do personagem alegar que o romance terminou bem e que o ex era incrível, a sua motivação para a viagem com o intuito de superar um novo relacionamento, que durou bem menos do que o anterior, acaba minada e deixa de ser crível. É aí que o roteiro se perde, acrescentando novos personagens à história, alguns deles sem função alguma além de gerar novas questões sobre a sua presença. Para instigar, o final ainda é deixado em aberto.

Dublador de Ash, do “Pokémon”: carismático, Fábio Lucindo se destaca como um dos melhores personagens do longa

Apesar disso, o filme não perde o ritmo e diverte com um texto bem escrito — apesar de um tanto quanto clichê em alguns momentos — e personagens carismáticos (como o de Fábio Lucindo que, aparentemente, interpreta a si mesmo — além de ator, Fábio também é dublador e foi a voz de Ash, da série Pokémon, por anos). Aliás, esse é outro problema do filme: com coadjuvantes tão apaixonantes, o protagonista acaba sendo engolido e se safa pela beleza e o tempo de tela já que, de todos, é o que se dá pior com a atuação, embora tenha os seus momentos.