O Caseiro| Crítica


Davi (Bruno Garcia) é um professor de psicologia que ficou famoso em escrever sobre fenômenos paranormais explicando-os através da psicanalise. Após anos sem atender pacientes, ele aceita o convite da estudante Renata (Malu Rodrigues) para investigar o que acontece com sua irmã caçula. A família acredita que o fantasma do caseiro suicida está perseguindo a menina, e desesperados buscam ajuda para solucionarem o problema.

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Com roteiro de Julio Santi, Felipe Santi temos aqui uma história bem estruturada. Todo o roteiro é montado em cima de mistérios que aos poucos vão sendo revelados, o que deixa o espectador preso a história e interessado nas atitudes dos personagens, que nunca deixam claro suas intenções. Contudo há artifícios utilizados que, apesar de não serem clichés, já foram usados em outros filmes, e por isso, o espectador acaba antecipando alguns acontecimentos. O grande problema é que há situações que são claramente conveniências do roteiro, a fim de fazer a história andar. E em algumas ocasiões as escolhas e atitudes dos personagens chegam a ser absurdas, fora do real, e só servem pra dar sentido a outras situações mais a frente no desenvolvimento da história. O final é um pouco confuso, mas não chega a prejudicar o resultado final.

A direção fica a cargo do Julio Santi que mostra conhecer do gênero. Sua direção é competente e consegue criar um ambiente de mistério e tensão. Ele explora bem as emoções dos personagens criando empatia com os mesmos. Outro destaque é a paleta de cores dessaturada, mostrando uma certa melancolia tanto em Davi quanto na família que passa por momentos difíceis. Aqui fica o elogio a produção, digna de filmes de ponta, impressiona pelos detalhes do design de produção.

Quanto aos atores o destaque é Bruno Garcia, somos levados pelo seu ponto de vista e isso cria um empatia quase que imediata ao personagem, o ator se mostra suficientemente competente para assumir o papel e o faz muito bem. temos também Malu Rodrigues, sua personagem é a ponte entre Davi e a família, aparece pouco tempo no filme e desempenha bem o seu papel de irmã mais velha e preocupada com a caçula. Leopoldo Pacheco é o patriarca da família, Rubens, que faz de tudo para ajudar suas filhas, e mesmo com as suspeitas sobre Davi, se mantem nos seus objetivos, o que muitas vezes para nós ainda fique obscuro. Denise Weinberg como Nora, irmã de Rubens é a responsável por cuidar das crianças e muitas de suas atitudes são dúbias, o que nós deixa mais interessados em suas ações. Já as pequenas atrizes Bianca Batista e Annalara Prates fazem bem seus papeis, mas sem grandes destaques, são atuações funcionais.

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O caseiro é um excelente filme de suspense. E é muito bom ver filmes nacionais desse gênero (coisa raríssima). E apesar de suas falhas vale a pena ser visto. E quem sabe não veremos em breve mais filmes nacionais desse gênero.

Elenco: Bruno Garcia, Malu Rodrigues, Leopoldo Pacheco, Denise Weinberg, Bianca Batista e Annalara Prates
Roteiro: Julio Santi e Felipe Santi
Direção: Julio Santi
Gênero: Suspense, terror
Duração: 120 min
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