O Desconcertante AMY


A vida de um ser humano tem seus altos e baixos, contudo quando se trata de alguém que está exposto na mídia, tudo isso se intensifica e parece ganhar proporções gigantescas. Atualmente, com a facilidade do acesso à internet e maior difusão das redes sociais como Instagram e Snapchat, todos acabam por estar ainda mais expostos.

Acontece que nem todos estão preparados para as consequências da fama e repercussão tanto do trabalho como da parte pessoal, e muitas vezes isso pode se tornar um fardo muito pesado para se carregar, e foi esse o caso da cantora Amy Winehouse, que teve sua vida levada para as telas pelo diretor Asif Kapadia (o mesmo responsável pelo documentário Senna, que conta a trajetória do piloto Brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Sennaatravés do documentário AMY, vencedor do Oscar na categoria Melhor Documentário.

E a história nos foi contada por ela, uma vez que ele é todo composto por trechos de gravações pessoais e apresentações dela em programas de TV e shows, deixando ainda mais real e nítido tudo que acompanhamos em um pouco mais de duas horas de duração do longa.

Amy era extremamente talentosa e sensível, mas com uma vida conturbada desde cedo, sofrendo muito com a separação dos pais, desenvolvendo um quadro de depressão e distúrbios alimentares e depois com a sua relação complicada com Blake Fielder-Civil e o intenso consumo de álcool e outras drogas, acabaram conduzindo-a para uma morte precoce e trágica.

Ela era uma pessoa que sentia, acima de tudo e isso fez com que ela sofresse ainda mais com os efeitos de toda essa exposição. Amy amava cantar, mas se sentia muito desconfortável com o sucesso, ela não queria todo aquele tumultuo de pessoas observando-a, especialmente em momentos em que ela se encontrava fragilizada e desfigurada pelo uso constante de drogas.

O peso de um sucesso indesejado, o peso do mundo nas costas, essa foi a minha impressão ao assistir o documentário AMY. Ela queria mais, viver de música, porém sem toda a exposição, queria o amor do pai (Mitchell Winehouse) que além de ausente após a separação, parecia ter se reaproximado mais por se importar com a carreira dela e com os benefícios que isso poderia trazer para ele, assim como o homem que ela amou (Blake) e que a conduziu na maior parte do caminho para o fundo do poço.

E ela conseguiu transformar todas estas experiências, inclusive as mais difíceis em belas e tristes canções, as quais ela cantava com tamanho sentimento de quem sentiu cada uma das palavras em sua própria pele.

Ainda no início do documentário ela diz que não saberia lidar com a fama, que isso com certeza a enlouqueceria e ao ouvir isso a sensação que eu tive é de que no fundo ela pressentia que era isso que a iria destruir. Tanto talento, uma voz incrivelmente poderosa e um fim tão solitário.

E pra mim foi inevitável não pensar que talvez, só talvez, se ela tivesse se cercado de outras pessoas, seria possível que ela ainda estivesse por aí cantando como nunca e sendo feliz com isso.

Mais que um documentário para ser assistido, AMY foi feito para ser sentido.

Com o trailer, deixo também o vídeo da minha música preferida da Amy, se é que dá pra escolher apenas uma!