The Breakdown

Data de lançamento: 31 de agosto de 2017 (1h 08m) Direção: William Friedkin Roteiro: William Friedkin, Mark Kermode Gênero: Documentário/Terror Nacionalidade: EUA
5.0

O sobrenatural é algo que fascina e sempre fascinou o público. Filmes de terror e de suspense conseguem atrair uma platéia enorme para os cinemas, conquistando o título de clássicos e brincando com o imaginário das pessoas. Suas produções sabem como mexer com o psicológico do espectador, abusando de efeitos especiais de imagem e som, criaturas e espíritos assustadores e, é claro, muitos sustos. Porém, ver uma história dessa em um documentário, como algo que realmente existe e aconteceu, pode assustar a muitos e ser a fórmula perfeita pra conseguir que uma produção dessas supere os grandes filmes de terror de Hollywood. Infelizmente, não é esse o feito que “O Diabo e o Padre Amorth”, documentário lançado no Netflix, consegue.

Dirigido e escrito por William Friedkin, diretor do clássico “O Exorcista” (1973), o documentário acompanha o Padre Gabriele Amorth, um dos mais renomados exorcistas do Vaticano, no suposto caso de possessão de Cristina, uma arquiteta italiana moradora de uma vila do interior do país. Os acontecimentos, que foram filmados em 2016, retratam a nona tentativa de exorcizar Cristina, que acredita estar possuída pelo Diabo. Em paralelo a isso, Friedkin consulta diversos especialistas religiosos e da área da saúde para achar uma explicação racional para os acontecimentos que ele testemunha.

Apesar da proposta ser interessante, o documentário não consegue se assemelhar a um filme de terror. A cena de exorcismo foge completamente dos exorcismos que estamos acostumados a ver nos grandes clássicos do cinema. Esqueça objetos voando, ambientes escuros, pessoas terrivelmente assustadas e fisicamente debilitadas ou mortes entre os envolvidos. O exorcismo filmado por William é instigante, mas não consegue assustar a ponto de nos fazer sentir calafrios de medo. Pelo menos não aqueles já acostumados com o gênero do terror. Tudo acontece em pouco mais do que 10 minutos, em um ritual extremamente parado, pouco dinâmico e repetitivo. O mais assustador que pode impressionar o público é a voz que Cristina possui enquanto grita e fala durante o exorcismo. Apesar disso, devido à repetição do ritual, é inevitável racionalizar e buscar uma explicação para aquilo, trazendo dúvidas internas como se a voz dela não poderia ter sido alterada com alguma mixagem de som, ou se aquilo tudo não é simplesmente uma encenação.

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The Devil and Father Amarth

Ficou faltando também uma explicação melhor sobre o passo a passo do ritual do exorcismo, algo que pode ser encontrado no livro que deu origem ao filme “O Exorcista” em 1973, de autoria de Thomas B. Allen. O livro “Exorcismo” (publicado recentemente no Brasil pela editora Darkside)descreve de forma técnica e bem próxima o caso real que deu origem à história de Regan MacNeil no filme de Friedkin. Todas as orações, lógica e abordagem de um exorcista é explicada em detalhes, deixando o leitor próximo do que está acontecendo e mais ciente de como a igreja acredita que deve ser uma abordagem para expulsar um demônio do corpo de alguém possuído. O ritual registrado no documentário não tem essa explicação. Todas as orações, perguntas e abordagens feitas pelo Padre Amorth não são realmente explicadas, o que poderia dar um tom de urgência e tensão maior para a cena.

Todo dia | Crítica

Para chegar ao exorcismo, Friedkinconta todo seu background e sua paixão pelo sobrenatural, nos levando à história e cenários de “O Exorcista” e entrevistando pessoas que o levaram a se interessar pelas atividades do Padrem Amorth. Talvez aqui seja a parte mais interessante do documentário. Em busca de uma explicação para os acontecimentos de Cristina, o diretor vai em busca de especialistas em diversas áreas da saúde, teologia, religião e psicologia para analisar o fenômeno por trás do exorcismo em questão. As interpretações e conclusões dessas pessoas são muito interessantes, apresentando diferentes visões e interpretações do mesmo assunto. Explicações surgem de áreas inesperadas como a neurologia e a psicanálise e o debate que se gera entre as diferentes opiniões é muito interessante de assistir.

Infelizmente o documentário é curto e não aprofunda muito o assunto. A história de Cristina não tem um final concreto e deixa o espectador curioso para saber o que pode ter acontecido com a arquiteta depois da nona sessão de exorcismo registrada pelas câmeras de William Friedkin. Muito menos cria uma resposta definitiva e racional sobre se aquilo realmente é real nos termos sobrenaturais ou se existe uma explicação mais lógica por trás de todos os sintomas que ela apresenta durante o ritual. A impressão que fica é que o documentário promete muito em sua proposta mas não entrega o que gostaria de entregar, algo que pode ser notado pela trilha sonora e sua necessidade de transformar diversos momentos do roteiro em cenas de terror com o objetivo de deixar o espectador assustado através de músicas com muitos tons altos e tensos. No final, o documentário serve mais pelo debate sobre a existência ou não do sobrenatural e como os exorcismos realmente acontecem no “mundo real” do que como uma produção feita para os amantes dos filmes de terror.

A Festa | Crítica

 

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