O Estranho Que Nós Amamos | Crítica


Em um clima sombrio e bem misterioso, somos apresentados ao mais recente filme da cineasta Sofia CoppolaO Estranho Que Nós Amamos, adaptação do livro homônimo, que já teve uma versão para o cinema lançada em 1971. Nele conhecemos o soldado ferido, desertor do exército inimigo na Guerra Civil americana, John McBurney interpretado por Colin Farrell e a um grupo de mulheres que o acolhem e cuidam de suas feridas. Elas viviam isoladas em uma casa onde funcionava uma escola dedicada a meninas, e onde ainda permanecem junto de sua professora Edwina (Kirsten Dunst) e a dona do local, Martha Farnsworth (Nicole Kidman) enquanto aguardam o fim da guerra. O estudo, com o desenvolvimento de novas habilidades e da espiritualidade são a realidade delas, até que a chegada desse homem desconstrói essa rotina.

Sedentas por atenção, e  tendo John um perfil de charmoso Don Juan, logo cria-se uma disputa pela atenção do moço. Ele não dispensa as investidas e se conecta de alguma maneira com cada uma delas, explorando onde vislumbra possibilidades, cheio de sorrisos e elogios, ele as conquista pois sabe exatamente em qual ponto tocar, de que forma agir. Sensibilizadas pelo estado dele e atraídas pelo charme masculino, logo elas começam a travar entre si uma competição pelo posto de preferida do galanteador. Claramente algo assim tem tudo para gerar um conflito, o que de fato ocorre. Cada uma das ações em locações com cenários perfeitos, figurinos elegantes e uma fotografia com um equilíbrio exato de luz e sombra contribuem para ambientar toda a trama de competição e desejo pulsante, cada cena vai se desenrolando nesse sentido, Sofia é indiscutivelmente uma grande diretora e nesse filme ela demonstra um cuidado extremo com cada detalhe, para garantir assim a energia necessária para o desenvolvimento da história, que flui bem nos seus primeiros 30 minutos. Sem revelar muitos detalhes do passado dos personagens, nos dando espaço para criar hipóteses sobre quem eles de fato são e como isso pode influenciar no desfecho desse encontro.

Considerando tudo isso, algumas cenas bem explicitas e fortes que deixam nossa tensão lá em cima, é como se essa parte do roteiro não valorizasse tão bem a força que esses personagens poderiam exercer sobre nós espectadores, algo parece tornar a sequência do meio para o fim mais arrastada, forçada e nem mesmo as atuações bem marcantes, especialmente de Nicole Kidman – que é magnifica e ninguém pode negar – são capazes de manter o ritmo interessante inicial. Em todo caso esteticamente falando é um filme impecável, cheio de referências e texturas, muitas das cenas inclusive ficam parecendo uma pintura ou mesmo uma fotografia antiga e desgastada pelo tempo, que te desperta interesse pelas histórias daqueles que estão compondo o quadro.

Título Original:  The Beguiled

Lançamento: 10  de agosto

Direção: Sofia Coppola

Roteiro: Mark Bomback

Elenco: Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Colin Farrell, Elle Fanning, Emma Howard, Oona Laurence, Angourice Rice, Addison Riecke

Gênero: Drama, suspense

Nacionalidade: EUA

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