O Filho Eterno | Crítica


Ser pai ou mãe é uma jornada que começa com a concepção desse pequeno novo ser e se estende por toda a vida. Essa jornada habitualmente é marcada por amor, expectativas, conflitos e transformação de todos os envolvidos no processo. Inspirado no livro homônimo de Cristóvão Tezza , o drama “O Filho Eterno”, que tem estreia marcada para o dia 01 de dezembro explora justamente a história de um casal aprendendo a ser pais e a sua relação com essa criança.

O Filho

Através de uma interessante cronologia da história dessa família paralela com as Copas do Mundo de Futebol, o longa estrelado por Marcos VerasDébora Falabella e Pedro Vinícius, com direção de Paulo Machline, vem mostrar vários elementos e nuances desse processo.

Roberto (Veras) colocou no nascimento do filho Fabrício (Pedro) todas as suas idealizações de uma vida melhor, como se todos os seus erros e falhas fossem sobrepujados pelo nascimento dessa criança e sua vida fosse magicamente renovada e melhorada, contudo quando isso não acontece e ele ainda tem que lidar com a condição especial de seu filho, ele sente que falhou novamente e passa a agir como uma pessoa amargurada e exigente, especialmente com o pequeno, que se torna objeto de toda a sua frustração.

O Filho

Fabrício nasceu portador da Síndrome de Down, portanto seu desenvolvimento ocorre através de um processo mais lento quando comparado à outras crianças que não apresentam tal condição, o que muitas vezes esse pai não pode compreender. Isso acaba por estremecer sua relação com a esposa Cláudia (Débora), uma mulher forte, independente, que se encontra sobrecarregada pela responsabilidade de tentar oferecer mais estabilidade e afeto para o filho enquanto o pai se vê totalmente perdido e incapaz. Veras consegue transparecer toda a angustia e revolta desse pai ao ver seus planos se desfazerem, a sua insensibilidade ao querer forçar o aprendizado e autonomia do filho e ainda a sua evolução como ser humano e como pai. Enquanto Débora demonstra todo esse instinto materno que preza por cuidar, proteger e respeitar as necessidades do filho, sendo ainda é capaz de dar suporte ao marido. Já Pedro vem reafirmar com sua atuação no longa que as pessoas com Down embora tenham um ritmo mais lento, são capazes de aprender e evoluir quando recebem os estímulos adequados.

O Filho

Com ambientação entre os anos 80 e 90 podemos notar o cuidado do diretor e sua equipe com caracterização e cenário, valorizando ainda mais a qualidade visual do filme, tanto nas cenas feitas em estúdio quanto nas tomadas externas.

O Filho

“O Filho Eterno”, uma história de descobertas e transformações, na qual um homem aprende a ser pai, num processo cheio de incertezas, culpa, raiva, angustia e muito aprendizado. A reconciliação de um pai com seu filho, consigo mesmo e seu esporte preferido, o futebol.

Título Original: O Filho Eterno
Lançamento: 01 de dezembro
Direção: Paulo Machline
Roteiro: Leonardo Levis
Elenco: Marcos Veras, Débora Falabella, Pedro Vinícius, Uyara Torrente, Zeca Cenovicz, Augusto Madeira
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasileira

[yasr_overall_rating size=”medium”]