O Lar das Crianças Peculiares | Crítica 1


Chega aos cinemas esta semana o aguardado “O Lar das Crianças Peculiares”, com isso, finalmente, se vai a ansiedade de presenciar mais uma vez a mágica da direção de Tim Burton. Mas será que dessa vez sentiremos essa magia?5701980-jpg-r_x_600-f_jpg-q_x-xxyxx

No filme Jacob Portman (Asa Butterfield) é um jovem adolescente que cresceu ouvindo as histórias de seu avô, que contou tudo sobre a sua infância em um orfanato misterioso habitado por crianças com necessidades especiais: transformar qualquer coisa em pedra com o seu olhar, crescer a vegetação rapidamente, super força, dominar o ar e fogo ou dar vida a coisas inanimadas. Após a morte de seu avô, Jacob descobre uma série de pistas misteriosas que o levam a uma ilha remota para encontrar este lugar estranho. Assim, Jacob vai ajudar este grupo de crianças órfãs a lutar contra criaturas horríveis que ameaçam destruí-los.

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Com um enredo menos peculiar do que o esperado, a moral supõe com esta história meio divertida/meio confusa, que devemos aprender a enfrentar nossas dificuldades e superar os nossos medos. Essa ideia está lá, mas muito pouco desenvolvida.

Transparecendo um trabalho de direção também pouco confuso, Burton  resgata muitas referências de seus filmes anteriores: todo o ar de aberração contido no filme lembra poderosamente Big Fish; os arbustos do orfanato são como em Edward Mãos de Tesoura e, de fato, a criança que tem a capacidade de dar vida a seres inanimados, revela o stop motion legitimo de Tim; a aparência do vilão Barron (Samuel L. Jackson) lembra o Cavaleiro Sem Cabeça de Sleepy Hollow, com seus dentes afiados, e assim vai…

A boa notícia é que  “O Lar das Crianças Peculiares” não perde o senso de humor, isso graças a capacidade do modo burtoniano de se conectar com o público adolescente. O caráter da criança invisível, as divergências entre adultos e crianças e a imaginação habitual do cineasta invadiu a adaptação do romance de Ransom Riggs para torná-lo totalmente seu, deixando-a um pouco vampiresca e reescrevendo praticamente uma nova peça literária.

Uma das vantagens criativas do filme é que nós podemos viajar no tempo visitando diferentes locais e ambientes, a partir de uma casa de terror em um parque de diversões em 2016 até o final da II Guerra Mundial, mas uma das desvantagens maiores é o roteiro escrito por Jane Goldman, que aparenta remendos para cobrir inconsistências em uma história que apresenta alguma falta de coesão.

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O trabalho artístico visual em geral, ajuda a aprimorar parte dos deslizes do argumento. Destaca-se o desenho das criaturas perseguidoras (“etéreos”), que no inicio são bastante assustadoras, mas perdem a essência do meio para o final.

Os papeis de Eva Green e Judy Dench poderiam ter sido melhor aproveitados, especialmente porque se tratam de grandes atrizes, mas dessa vez ambos foram minimamente desenvolvidos.

Além da tentativa de nos passar uma mensagem, o que fica é o seguinte questionamento: Onde está a magia do diretor? Dessa vez, apenas podemos esbarrar em breves flashes burtonianos, mas não é por isso que você não deve assistir o filme no cinema, não é?

Agora é a sua vez de assistir, tirar as suas próprias conclusões e deixar o seu comentário aqui!

Data de lançamento 29 de setembro de 2016 (2h 07min)
Direção: Tim Burton
Elenco: Eva Green, Asa Butterfield, Samuel L. Jackson mais
Gêneros: Aventura, Família, Fantasia
Nacionalidades: Eua, Bélgica, Reino unido
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