Em clima descontraído e de muita alegria, fomos recebidos pela equipe de O Negócio no escritório da HBO em São Paulo na quinta, 08 de março, Dia Internacional das Mulheres,  para assistir ao primeiro episódio da 4ª e última temporada dessa série de grande sucesso da casa que é protagonizado por 4 mulheres poderosas, na série e fora dela.

Num papo fluído e muito divertido, pudemos conversar e tentar desvendar um pouquinho mais sobre a produção com os diretores Michel Tikhomiroff e Julia Jordão e ainda o ator Gabriel Godoy (Oscar) na primeira rodada e na segunda com as protagonistas Rafaela Mandelli (Karin-Joana), Michelle Batista (Magali), Juliana Schalch (Luna-Maria Clara), Aline Jones (Mia), e o vice-presidente de Produções Originais da HBO Latin America, Roberto Rios.

Felizes com a jornada até aqui, O Negócio é um marco importante para todos, seu expressivo êxito o fez ganhar hoje (18 de março) o lançamento simultâneo na HBO Brasil às 21h e em mais de 50 países na América Latina, Europa e Estados Unidos.

Também não é para menos, veja abaixo algumas informações dos bastidores reveladas pelo canal.

Composta por 12 episódios, a temporada final é o ápice do percurso dessas mulheres inteligentes, sagazes e belas que começaram lideradas por Karin, utilizando estratégias de marketing para se re-posicionar num mercado que embora seja tão antigo quanto o mundo, ainda segue meios tradicionais, tornaram-se executivas, empresárias empreendedoras e agora decidem se tornar também ativistas no combate ao preconceito contra garotas de programa, trazendo à tona diversas questões familiares. Enquanto Karin enfrenta os setores mais conservadores da sociedade, as outras meninas tentam realizar o sonho dela de construir um hotel de luxo monumental no terreno que foi de sua família. Com humor, drama, romance e sexo conduzindo a trama, o desfecho dessa história promete ser surpreendente.

Na última temporada, a série traz novidades no elenco. Eduardo Moscovis, Rodrigo Pandolfo, Dalton Vigh, Erom Cordeiro, Leo Moreira Sá, Rodrigo Pavon e Carolina Borelli se juntam aos protagonistas, com papéis de destaque na história. Além disso, a modelo Talytha Pugliesi faz uma participação especial nesta temporada.

O NEGÓCIO é produzida por Roberto Rios e Luis Peraza, da HBO Latin America Originals. Criada por Luca Paiva Mello e Rodrigo Castilho, a série conta com direção geral de Michel Tikhomiroff e direção de Julia Jordão, da Mixer.

Sobre nosso bate-papo – ALERTA SPOILERS

Geralmente eu preparo um roteirinho de todas as questões sobre as quais pretendo falar com os entrevistados, porém dessa vez me recusei. Você desenvolve uma aproximação tão grande com as personagens, que parece que as conhece há séculos.

Pensando assim, fui com a cabeça borbulhando de ideias e curiosidades, porém livre pra poder vivenciar aquele momento único onde eu estaria na presença delas e poderia conversar como amigas de infância depois de um longo tempo sem se ver, onde qualquer tempo parece pouco para compartilhar sobre tudo que cada uma viveu na distância.

E assim, então eu fui tranquila e serena, e foi tão incrivelmente bom estar ali diante de todos eles, que dava vontade levá-los pra casa de tão gostoso e produtivo que foram esses encontros.

E a seguir vocês conferem tudinho sobre nossa conversa.

Primeira Rodada

Priscila Miguel: Então, quem é o mais louco: A Luna ou o Oscar? E será que ele vai conseguir manter essa fortuna por quanto tempo? Será que até o fim da temporada ainda tem dinheiro?

Gabriel Godoy:  Calma que eu preciso de um tempo

Tá cheio de gente louca nessa série, você viu, né? Não é só o Oscar e…

PM: Ė tem até uma cena da Luna com a Magali que elas falam “Nossa a gente vai ser as mais normais na sala”.

GG: Você lembra da cena da segunda temporada quando a Luna tá quase contando pra família e ela vai ver a família dela, todo mundo trocando, a prima traindo…E ela resolve não contar porque capaz desse pessoal ser mais doido que eu né? Então existe também uma loucura num lugar honesto. Eles são loucos, mas eles são meio transparentes. Eles mentem mas para de mentir, ‘desculpa tchau’..Num é ver se eu tô errado, mas assim não é hipócrita que nem muitas relações são hoje em dia. Acho que isso que eu acho legal da Luna e do Oscar.  É uma loucura mas eles estão muito conectados, né? Agora quem é mais louco e se ele vai mantendo…Não posso, a gente tem aqui dois policias, aqui oh..

PM: E vocês, o que acham já…?

Michel Tikhomiroff: Os loucos acho que são os roteirista né?

PM: Que criaram né?

MT: O Negócio se você olhar direito é quase um hospício né? Não tem ninguém… A gente usa isso pra se divertir

GG: É tudo um pouquinho sublinhado né? O Ariel por exemplo que tá..

PM: Maravilhoso!

GG: A cena com a maē é maravilhosa. É muito boa né?

PM: A cena também referente ao pai da Mia é bem legal.

 

Guilherme CineMundo: Eu tenho uma pergunta pro Michel e pra Julia: Eu queria saber como vocês equilibram o tom dramático e cômico da série, porque eles são bem opostos né, por gênero mas vocês conseguem equilibrar e tal, como é isso pra direção?

MT: Acho que no começo já vem meio que equilibrado no roteiro. Acho que esse eh o nosso grande guia e o roteiro do Fábio, Camila e Alexandre que estabelecem esse equilíbrio. A gente tenta ler sempre juntos, ensaia a cena..é quer falar também sobre a direção?

Júlia Jordão: É e eu acho que a gente tá conversando entre a gente pra entender o tom de cada cena, né? Porque eu acho que é uma série que o  tom ele é mais baixo, não é estereotipado. E de tanto para a comédia quanto para o drama, a gente tenta seguir essa linha assim.

Michel Série Maníacos: Eu queria aproveitar o que ele perguntou porque é eh bem interessante. Na nossa sessão agora que a gente  acabou de ver o episódio, eu dei muita risada. Imagino que ontem também lá no cinema o pessoal, a reação que as pessoas tinham deve ter sido parecida. É mas sarcasmo escrito às vezes é difícil de você ler e entender aquilo como algo engraçado. Como é a preparação quando vocês vão conversar com o ator e falar: “Olha isso aqui  o que tá escrito aqui oh ler mas não é uma coisa engraçada, mas isso aqui é uma piada” Como é que você entrega isso na hora de falar?

MT:  Tem uma etapa que a gente sempre tentar ter, as vezes por falta de tempo não consegue tirar na real, mas tem uma parte que o termo é em inglês que a gente chama que é o Tone reading , que é uma leitura com os roteiristas. São quem realmente sabem exatamente qual a intenção de cada palavra. A gente pela nossa experiência tem muita certeza mas às vezes até a gente pode se enganar e falar “ Poxa aqui era pra ter sido irônico? O que isso que você tá falando”. Então tem essa etapa que é uma leitura com os roteiristas que a gente debate essas coisas, pra gente ter certeza que a gente entendeu certo. E a gente vai construindo isso, vai afinando com os atores,  vai direcionando para esse lado e também as escolhas de ângulos de câmera de tamanho de plano..

GG: E já em uma quarta temporada tem muita confiança assim de você já você como ator, a gente às vezes estranhava muito, você vê esse raciocínio que eu faço do golpe no primeiro episódio, era muito louco quando eu peguei entendeu? Mas automaticamente como eu já estou acostumado com a Camila, com o texto da Camila, do Fábio e do Ale, a direção do Mitchel e da Julia, na hora você “Ta vamos, lá…”

PM: E é tão Oscar.

GG: É! Mas é difícil algumas horas. Acho que a gente já conhece o texto que vem e já fala “Olha a loucura da Camila”.

MT: E vice e versa né, porque o personagem que você ( Gabriel Godoy) entregou desde a primeira temporada fez com que eles (roteiristas) conseguissem, pela primeira vez eles tem uma voz.

GG: É, exatamente.

MT: Aí já sabe, “ Cara isso aqui eu vou dar de bandeja pro Gabriel, ele vai arrebentar. Aí já se usa melhor a habilidade dos atores a partir do momento que eles já se conhecem.

Gabriela Metropolitana: Eu queria aproveitar isso então e perguntar tanto para vocês no quesito de produção e pra você de atuação, qual vocês acham que é a principal diferença da primeira temporada pra essa? Do seu personagem e da produção.

JJ: Bom, acho que o principal…em termos de produção é que elas ( as atrizes principais) ficaram mais ricas né. Então é um mundo mais glamoroso. E pra gente isso foi um desafio pra cada temporada crescer mais no glamour e ficar mais bonita…por exemplo se você olhar os figurinos delas na primeira temporada e colocar lado a lado com a última tem assim um salto…

PM: A Karin se nao me engano na segunda já tá no terceiro carro dela…

JJ: Eu nao lembro… Mas assim, existe essa evolução né e pra gente em termo de produção acho que isso é  um desafio de colocar o produtinho velho na tela.

MT: E o pessoal da equipe de arte ficava brigando, quando tava fazendo a terceira temporada e pensando “ Nossa, se tiver mais uma, pra onde é que a gente vai? “  Vamos ter que filmar em Las Vegas.

FláviaHBO: Vai ter que ir pra Miami…

PM: Aproveitando, fiquei pensando isso, até comentei lá na sala que a HBO gosta muito de São Paulo. Se fosse analisar a possibilidade de desenvolver O Negócio em uma outra , mesmo que fora do país, qual cidade talvez refletiria tão bem como São Paulo reflete essa energia.

GG: Barueri

MT: Como é uma cidade cosmopolita, uma grande metrópole e a história é meio…apesar de ter coisas brasileiras , ela é universal e poderia engajar, pensando no formato sabe, e poderia ter uma versão em Nova Iorque, poderia ter uma versão em Londres, Berlim e todas as grandes capitais. Acho que São Paulo está nessa lista dessa grandes metrópoles mundiais.

MSM: Você queria que eles falassem Taubaté, né?  A gente estava conversando antes lá e Taubaté virou tema da nossa conversa.

JJ: E ela é transmitida para 50 países e viaja mesmo na história da imersão

PM: E vocês imaginavam isso?Quando começou,  chegando no final na quarta temporada já seria uma estreia simultânea em outros 50 países?

MT: Nao, isso foi uma surpresa pra gente, uma grata surpresa.

JJ: A gente sabia da qualidade..

MT: A gente sabia do interesse e do feedback de pessoas de vários países, os atores sempre viajando e circulando como eles estão na vitrine, são sempre reconhecidos  e davam esse feedback pra gente e divulgaram nas redes sociais e então a gente sabia que ela repercutiu bem mas nunca imaginamos que fosse chegar com essa estreia em mais de 50 países.

GG: E muita coisa né?

MT: é essa lista de mais de 50 países né? E ela perguntou também do retorno. De onde vocês estão assistindo O Negócio? Do mundo inteiro.

MSM: Eu quero falar o seguinte, em uma era que a televisão gosta muito de remake e reboots, eu sei que esse não é o forte da HBO, mas imagina que um dia a HBO Americana fala” Vamos fazer? Um remake Americano “The Business”, o Matthew McConaughey fazendo o seu personagem. Como vocês se sentiriam vendo isso? Ia dar um frio na barriga e ficar com aquele sentimento: “O Negócio é meu, não inventa!”.

PM: Já que se falou em Matthew McConaughey, pega então a esposa dele (Camila Alves também atriz) que já é brasileira, mineira inclusive, e já dá uma abrasileirada.

Muitas risadas.

JJ: Eu gostaria de dirigir.

PM: Você (Gabriel) seria o coach do Matt.

MSM: Iria fazer, Nova Iorque, Las Vegas imagina…

MT: É, lá é mesmo “The Business”.

JJ: A gente tem ela no HBO Latino também como “El Negocio”.

PM: Uma dúvida, O Oscar veio agora apresentando um amigo. Esse amigo pode se tornar uma ameaça? Há alguma chance disso tanto em referência ao dinheiro que ele tem quanto em referência a Luna?   

GG: Será? Próximos episódios…

MSM: E você joga poker na vida real?

GG: Não, nossa é tudo uma farsa. Nao sou de poker

JJ: tem que ficar explicando tudo

PM: E salta de paraquedas?

GG: Eu já saltei, mas o poker eu dava risada porque eu ficava só fazendo carão.

MT: A gente tinha consultor de poker que ajudava a gente com os trejeitos

MSM: Jogador profissional?

MT: É!

MSM: Qual o nome dele?

GG: Acho que cada temporada teve um.

MT: Ele é ator também. Ele contracenou também.., mas agora não me recordo o nome.

JJ: Ele fez figuração, mas honestamente as jogadas era eu que fazia. Eu adoro jogar poker e ficava “Não isso aqui vai ficar demais, vamos tirar que vai e colocar uma quadra”.

GM: E você não conseguiu aprender nada nesse tempo?

GG: Eu tenho um monte de amigo que joga, tá na moda, mas eu não tenho interesse no poker , tenho preguiça.

PM: Como mulher  e hoje é o dia internacional da mulher e uma série que trata de mulheres como protagonistas, mulheres fortes e que se assumem embora esse contexto da família ainda ta um pouco complicado mas estão chegando la. Como fazer para direcionar para que fique uma coisa tão legal e sem ser vulgar porque embora  elas sejam garotas de programa não tem a vulgaridade que a gente está acostumada a ver quando tem algum projeto relacionado a isso .

JJ: Primeiro que a nossa base que é o roteiro e que a nossa bíblia e é o que a gente segue, dos roteiristas da Mixer (produtora) já têm um respeito muito grande pelos personagens e eles sempre buscam esse empoderamento delas, entendeu? Então pra mim como diretora o desafio maior é só achar o tom, é respeitar os limites das atrizes … e eu acho que do Michel também, eu acho que nem é uma questão de ser uma diretora mulher ou nao, sabe? E é uma série que ta em um momento perfeito, porque quando ela começou, inclusive, não sei se o Michel lembra disso, tinha um questionamento se a gente não estava incentivando a prostituição. E o nosso foco da série sempre foi o incentivo da escolha da mulher, a liberdade dela. Nossa eu faço a série e da vontade de eu também fazer um programa por 20 mil reais… Risadas Ser uma garota de programa que lê livros. Enfim, eu acho que a série ela tá em um momento muito bom e ela ta chegando no fim em um momento muito especial, com esse movimento do #MeToo, #TimesUp… E se vocês pararem pra pensar elas estão a um passo a frente disso, porque elas já fizeram esse processo de que “É o meu corpo e eu faço o que eu quero”. Agora elas estão no processo “É o meu corpo, eu faço o que eu quero e sim essa sou eu ‘Viu papai, viu mamãe?’ e vocês vão ter que me aceitar assim.

(Após o encerramento, eu ainda tive conversando alguns minutinhos com eles, e falei com a Júlia que nem era uma questão apenas por ela ser mulher num lugar de liderança no projeto, mas por estar numa produção na qual essa não vulgarização foi uma preocupação.)

MT: Deixa eu só completar um detalhezinho mais técnico do que você falou do tom , dos trejeitos caricatos que a gente tem e se acostuma…Isso é uma preocupação desde a primeira temporada como essa que a gente teve com as meninas e falando sobre preparação, como que a gente vai preparar esse personagem? A gente vai conversar com outras garotas de programa? Ai isso foi uma estratégia de dizer: Não. Porque a gente não quer nenhum tipo de trejeito que vai surgir inevitavelmente se vocês realmente estudarem e fizerem um laboratório de imersão dentro do universo da prostituição porque a gente tava querendo fazer uma coisa mais original e fazer o oposto disso. E eu falei o laboratório de vocês vai ser assim: Tentem frequentar os melhores restaurantes, os melhores lugares de São Paulo, hotéis..tentem ficar com essa postura mais elegante de mulher de negócios, executiva. Essa é a postura, o sexo é um detalhe.

PM: Com essa alta de influencers, A Magali no início mesmo era uma influencer,porque ela trocava a presença dela e as habilidades que ela tinha por estadia e por presentes e tal.

FHBO: Tem uma coisa que eu posso adicionar, um comentário de uma coisa bacana que a gente fez recentemente, foi uma pesquisa sobre quais são as personagens mais fortes dentro do catálogo da HBO pro nosso público e as pessoas reconheceram algumas personagens de série internacionais mas reconheceram também as personagens de O Negócio na América Latina claramente como mulheres empoderadas independentemente do trabalho que elas fazem, elas são de sucesso e elas são poderosas.

MSM: Então, Karin e Khaleesi (GoT) a galera tava reconhecendo..acho legal.

FHBO: Amigas..

GM: Imagina uma conversa entre essas duas?!

FHBO: Imagina que legal que iria ser.

MSM: Um podcast com essas duas, Karin- Khaleesi, KK.

FHBO: Acho que a Khaleesi iria adorar!

PM: Então o marketing sempre foi a proposta para seguir até o fim ou era só naquele início para implementar as primeiras ideias pro projeto?

JJ: É que você (Michel) respondeu tão bem da última vez…

MT: O marketing foi um ponto de partida e aí a evolução natural chegando no mundo dos negócios mesmo, com questões de business, a series chama O Negocio, nao eh O Marketing, então Marketing era o começo.  “Como a gente revoluciona a nossa profissão?”. A Luna estuda marketing na faculdade. “Peraí deixa eu ler isso”. A Karin estudando… “Olha essa estratégia a gente pode aplicar então”. Então foi o começo, elas ali tentando reinventar a profissão delas né? Então aí esse foi o primeiro passo, agora elas continuarem nisso iria acabar ficando meio engessado e prisioneiro dessa de você ficar pegando estratégias de marketing de todas as marcas e tentar aplicar…esgotou neh? Já usou um monte na primeira e alavancou e alçou elas em um voo muito maior e as questões começaram a ser questões de corporação, business plan e  enfim.

JJ: Eu acho que isso também permitiu a gente ir mais pro pessoal delas , de sair só do âmbito dos negócios e entender mais quem é a Luna, quem é a Magali e quem a Karin e depois na terceira a entrada da Mia.

MT: foi se aprofundando cada vez mais nos personagens e transformando eles em tridimensionais.

 

Segunda Rodada

 

Guilherme CineMundo: Surgiu na outra sala a possibilidade de um remake da série nos Estados Unidos. Quem vocês gostariam que representassem vocês.

Rafaela Mandelli: Ah, num tô nem sabendo dessa informação.

Priscila Miguel: Foi uma proposta na outra sala..

Aline Jones: Acho que nem o Beto (Roberto Rios) tá sabendo dessa informação.

PM: Pro personagem do Oscar já seria o Matthew McConaughey, então eu já sugeri a esposa que é brasileira pra não destoar  Brasil.

RM: Ai que ótimo!

GCM: Foi só uma hipótese, gente.

Risadas e burburinhos.

GCM: Mas então, quem vocês gostariam que interpretassem vocês?

RM: Jennifer Connelly!

Ressoa um “Oh!” uníssono.

PM: Claro!

Roberto Rios: Você é mais bonita que ela, então vai ser mais feia que você!

RM: Ah, eu acho ela linda!

AJ: Como é mesmo o nome daquela atriz que faz Westworld?

RM: Rachel Evan Wood.

GCM: Rachel, maravilhosa!

Juliana Schalch: Ah, ela é muito parecida com você por sinal.

Michelle Batista: Ela é muito você.

AJ: Então ela poderia ser.

JS: A Keira Knightley.

PM: Adoro!

RM: E a Peggy (Elisabeth Moss) de Mad Men, esqueci o nome dela agora.

MB: Eu não sei quem eu seria.

JS: A Michelle é única, não dá.

GCM: Ah, ela teria que ir mesmo.

MB: Ah, a Giselle Batista. (Irmã gêmea de Michelle)

PM: Pensei!

PM: Roberto, você já está preparado pra se despedir do “Negócio”?

(Ele já comentou em várias ocasiões em que estive presente que é um fã totalmente viciado em séries, que mesmo participando ativamente dos projetos do canal gosta de assistir, fica animado quando acompanha as histórias dos personagens.)

RR: Ah, faz um ano e meio já que eu estou me despedindo, mais até. Quase 20 meses e tem pelo menos mais de uma semana pra estrear ainda, aí depois 12 semanas… Tem ainda mais uns 5 meses pra gente.

Desde que a gente tomou a decisão oficial e tudo mais, que foi no finalzindo do ano retrasado, nós fizemos questão absoluta de quando a gente anunciou, a gente conversou e discutiu que as meninas falassem com os seus fãs. Não iria ser um comunicado de imprensa, era uma coisa muito íntima e a gente queria dar a chance pra que nesse ano inteiro as pessoas pudessem discutir, conversar, rever os melhores episódios. Era intenção justamente de poder dizer: “Ó, isso aqui não é uma coisa única tá?!” São 6 anos de trabalho contínuo na verdade, apesar de ser uns 5-6 meses de trabalho intenso delas no set mesmo, mas com preparação com o Michel e com o escritores, não para porque a gente tá sempre escrevendo coisas. Então, pra mim  em especial é muito forte, a gente tem 8 anos de trabalho juntos com o Michel, o Fábio, a Júlia e todo o pessoal. Então de fato, é forte, é de muita emoção e de muito orgulho por todas essas coisas.

PM: É pra celebrar, a gente se envolve, parece que somos amigas delas. Inclusive, eu tenho o recado de uma amiga que não pode estar aqui hoje, a Thaís da CultCultura, ela falou que vocês estão num lugar muito especial no coração dela porque foi a primeira série que ela realmente maratonou.

Ressoou um “Uau!” seguido de um “Que legal!”

Ela está de coração partido porque não pôde vir, mas deseja muito sucesso  e vai tá acompanhando tudo.

Equipe: Obrigada!!!

PM: Aproveitando o gatilho… O que é mais difícil (pra personagem): Ao se olhar no espelho e se encarar Karin e se vê Joana, ou se encarar Joana e se vê Karin?

RM: Eu acho que no caso da Karin é mais difícil ela se encarar vendo Joana, porque a Karin de alguma maneira serviu de proteção pra ela durante muito tempo, neh?

Então, ela sendo Karin de alguma maneira ela tá segura. Sendo Joana ela tem que se abrir, ela tem que se dispor e isso pra ela é muito difícil.

Então no caso da Karin, o mais difícil é se vê como Joana do quê Karin.

Gabriela Metropolitana: Eu vou puxar um pouco mais pra esse tom de despedida. O que vocês quatro vão sentir mais falta da série, do processo todo.

Atrizes: Ah, voltou… a gente falou disso agora.

JS: A gente falou, é porque pra gente é tudo. Porque não é só da produção, da história, da personagem…É de tudo que envolve a série. É de todas as pessoas que compuseram, 80% da equipe tá desde o primeiro episódio da primeira temporada, então a gente foi construindo uma família. Cada pessoa que chegava permanecia, os atores que passavam mesmo que fazendo participações, foram participações que ficaram. Eles sempre foram muito bem recebidos e a gente teve facilidade no convívio. Então a gente vai sentir falta.

MB: Do trabalho, da personagem e dos bastidores.

JS: Dessa relação afetiva.

MB: E com certeza foi uma equipe que a sintonia foi muito forte, então não é toda hora que a gente trabalha numa equipe com essa sintonia.

GM: E vocês vão levar um pouquinho de cada personagem pra vida de vocês?Já levaram?

MB: A gente já levou. Eu no caso tenho que levar em doses homeopáticas. Mas levei sim.

Muitos risos.

RR: Magali com moderação!

AJ: Eu tava no México na casa da minha irmã com a Mixa (Michelle) e aí daqui a pouco eu falo assim no café: “Ai mano, sinceramente eu acho que as coisas vão acontecer assim e assim, assim, com a tua vida, tua vai pra esse lugar e depois …”

De repente eu parei e falei: “Desculpa, eu tô prevendo o teu futuro”.

 

Michel Série Maníacos: Eu vou tentar tirar uma informação do Roberto e se eu conseguir, vai ser muito legal pra vocês se tiver válida essa afirmação.

É correto dizer: “O Negócio é a série brasileira da HBO mais bem sucedida, na história da HBO Brasil.”?

RR: Sim!

MSM: É correto dizer isso? Facilmente?

MB: Pode pô isso no título.

Muitas risadas.

RR: Tem que ser observado, especificamente para o momento que aconteceu e para o momento que a gente tá agora, de que todos os primeiros, digamos como se fala em inglês, os “firsts” todos que tem a série, número de temporadas, número de episódios, porque temporadas o Sr. Ávila tem um número semelhante que também tá terminando agora, porém tem menos episódios, a primeira chance de encerrar uma série dessa maneira, de ter essa intimidade com os personagens, onde eles têm a chance de ter essa relação com o público, com os fãs, com os clubes, as pessoas se comunicam, você olha nas páginas, em todos os lugares da social midia, são 4 mulheres, a gente tá contando essa história há 6 anos e a gente chega agora na jornada final com uma explosão dos movimentos todos aí, #TimesUp e todas essas coisas, de histórias muito tristes, de histórias importantes, de histórias que têm que ser resolvidas como elas são e a gente vê que tantos mil anos de história a gente continua ainda maltratando a mulher, como maltrata outras pessoas também.

O fato de ter escolhido isso aí, de dar poder na mão, empoderamento, de dar controle sobre a sua vida, seu destino, seu corpo, sua sexualidade, seu negócio, todos esses elementos que pra gente era muito válido naquele momento, já eram válidos, então hoje em dia tem uma validade que é boa agora para o poder de voz cultural, mundial, global, que eu espero que seja  de uma mudança mesmo, embora a gente saiba que as mudanças culturais são cíclicas, mas essa eu acho que tem que ser a primeira e a mais bonita de todas porque historicamente é a mais antiga de todas.

Mulher mãe, mulher professora, eu sempre falo a mulher em todas as áreas, as funções mais fundamentais, na verdade neh?! Então eu acho que se a gente conseguir celebrar isso e resolver esse problema, os outros talvez também.

MSM: A distribuição também é um first, 50 países, é a primeira vez também pra uma série.

RR: Mais de 50 países. É uma série brasileira que tem um sucesso gigantesco nos outros países também, e é muito bacana isso. Nos Estados Unidos, o HBO latino adoram a série, fazem eventos, fazem maratona, e o público latino americano que vive nos Estados Unidos curtem a série também. Então, por serem americanas e terem uma posição um pouquinho diferente, também se sentem empoderadas.

Então eu acho que é legal, qualquer pessoa que está assistindo a série e vê seja através da metáfora muito clara de que a gente fez de que tem que dar às mulheres o poder de controlar o jogo que sempre foi armado contra elas, para torná-las mais fracas, acho que ganhar esse jogo é muito difícil. E a Karin faz isso, e não faz sozinha, ela leva todo mundo, o que é importante, porque se tivesse feito a série com uma personagem só, não era a mesma coisa.

RM: Não teria a mesma força.

RR: O processo da união acontece e incorpora também os homens. É importante dizer que os rapazes que vêm, apesar de serem quase todos eles cômicos, se a gente for olhar, não é comum personagens um pouco mais sérios, talvez o Augusto e os pais, mas o Oscar, o Yure, o Ariel. Acho que o personagem do César talvez seja, quase paternal, como um tio, um irmão mais velho de todo mundo e acaba virando de alguma maneira o irmão mais velho também do Ariel. Foi um achado que a gente encontrou, porque não tava na série isso.

PM: Aproveitando isso do cômico… Todas elas são inteligentes e tem esse lado também de humor, e a gente pode considerar isso um afrodisíaco. Vocês consideram que isso foi um diferencial pro Negócio funcionar? Tanto na série como uma empresa e elas atraírem essa exclusividade que elas queriam se tornando um objeto de luxo?

AJ: Intelectualidade e humor, quem não quer isso, neh?!

MB: Quem não gosta, é uma junção maravilhosa.

JS: Nossa, a série ela integra essas duas qualidades de uma maneira muito bem elaborada no roteiro assim, essa dinâmica que tem as frases são fenomenais.

AL: Porque é uma arte isso, você conseguir ter conhecimento…

JS: Eu acho que a série integra mesmo isso de uma maneira muito fluida, dinâmica, o cômico e a inteligência, porque a agilidade de pensamento, a maneira como o corte acontece, a edição, as frases são muito bem colocadas. Acho que é um casamento muito bacana. Mas você falou também…?

PM: Para as personagens também ter sido um diferencial, a inteligência e o humor que elas têm para atrair esses clientes que elas queriam os mais qualificados pra quererem um objeto de luxo.

RM: Eu não considero elas objeto de luxo.

PM: É porque tem uma parte que elas falam que têm que se tornar  como os objetos de luxo capaz de atrair todo mundo.

JS: Diferenciadas, neh?!

RM: É, o diferencial.

JS: É, eu lembrei de uma cena da Luna, que ela fazia várias personagens porque era um pouco isso…Ela tinha que cativar um cliente que contratava uma pessoa por dia da semana, então ela tinha que cativar o cara pra conseguir fechar a semana inteira com ele. Aí ela começou a desenvolver personagens pra isso e aí, eu acho que é o único lugar onde eu me lembro que a Luna acaba colocando mais humor no programa, porque de resto nos programas a gente não vê muito essa parte de humor dentro ali do programa em si.

MB: Mas com certeza a inteligência é o grande diferencial.

JS: Sim, mas ela também usa da inteligência pra fazer isso.

GCM: Foi até uma pergunta que eu fiz na outra sala também… Como é para vocês atrizes equilibrar esse tom de humor cômico e o drama? Como vocês conseguem entregar isso em cena junto com a direção e eu também gostaria de saber em relação à temporada, se vocês buscaram alguma inspiração pessoal para compor esse grande momento de contar a verdade para os pais? Vocês têm coisas pessoais, num sei, já tiveram algum momento assim que vocês trouxeram para as personagens na hora de enfrentar a família?

Risos.

GCM: Para as quatro.

MB: A minha família é muito diferente da família da Magali. Então pra mim é uma realidade muito distante.

RM: Pra mim também.

MB: Ter uma família com a relação que a Magali tem com os pais que é engraçada e e que é tudo, mas… Eu tenho uma família muito próxima, muito amorosa, então eu não pude usar nada da minha experiência pessoal para me relacionar com a família da Magali especificamente assim. Mas a gente tá sempre, o tempo inteiro emprestando coisas de experiências pessoais, memórias e coisas que a gente vê e sabe para as personagens. Assim, até a intimidade que a gente criou na vida real a gente empresta para a série o tempo inteiro e faz muita diferença, porque a gente realmente é muito amiga.

AJ: E também eu acho que essa coisa do cômico e do drama, tem personagens que levam mais pra um e pra outro. Então às vezes tu tem que ser um pouco escada do colega assim, de saber que em momento de grupo quem vai fazer a piada é o Ariel e a Magali, então tu precisa também manter, fazer a base para que o cômico também surja. Eu me senti, acho que em vários momentos fazendo assim, em que a piada vem do outro.

MB: Você levanta a bola para o outro bater.

RM: E é legal como as duas coisas chegam bem. E às vezes a  comédia chega de uma maneira mais fácil, mais aceita, mais engraçada, mais leve. Porque quando vem uma coisa de intensidade, de drama, tá chegando na série da mesma maneira como a comédia chega. Isso pra gente é muito bom, onde você pode ter os dois.

JS: E isso eu acho que é uma das coisas que nem a comédia e a inteligência, o drama e a comédia nessa série eles também estão muito integrados. A Luna, ela vai em várias temporadas casando os dois, tem momentos que são bem cômicos e tem momentos que ela vai pra um pocinho, e é isso que traz a verdade.

A karin traz essa densidade mais forte, a Magali traz comédia um pouco mais, porém tem momentos onde a gente vê ela mais se humanizando e eu acho que isso é um tempero muito real assim, não dá pra ser comédia o tempo inteiro ou dá, num sei..

RR: É, até dá, mas é uma coisa que tá desenhada nos roteiros, em todas as mulheres, nunca foi um drama, nunca foi uma comédia hahaha que tem uma piada a cada 5 segundos.

Então a gente encontrou aqui, o gene da história, o próprio personagem da garota de programa, ela existe em histórias do mundo inteiro. Você vai em 1910 e já tem história. Ela está presente de todas as maneiras. Tem todos os ângulos que você possa imaginar. É uma história muito clássica que ajuda muito a descrever a sociedade. Você não lê nenhum romance do século XIX que não tenha o personagem. E quando não é garota de programa, é sobre mulher infiel, ou seja você tem todas as personagens, seja em qualquer história.

Obviamente nossos escritores são muito informados, o Fábio Danesi tinha essa visão clara na hora de escrever, e obviamente com os diretores, a Julia e o Michel com as meninas também, a gente entendia que pra funcionar  tinha que ter um equilíbrio, que não podia só a história da Karin, que ia ser um pouco exaustiva demais. A gente ia ficar num dilema tão forte com as questões, que a gente não ia conseguir fazer isso.

PM: E qual a chance do livro da Karin ser publicado para o público que é fã?

Risadas.

RM: A gente até já comentou sobre isso.

RR: Ta aí a série, os 51 episódios são o livro, neh?!

Mais risadas.

PM: Ah, mas é porque ler é diferente.

MSM: Eu queria entender o sentimento de vocês quando estão lá mexendo na programação da HBO GO e aí vocês veem a fotinho de O Negócio do lado de Game of Thrones, Westworld, Big Little Lies…no maior e mais prestigiado catálogo da tv mundial. Isso aí bate em vocês aquele orgulho?

Atrizes: Dá muito orgulho. Claro que dá!

RR: Estou certo que o pessoal de Game Of Thrones e Big Little Lies quando veem que estão ao lado do Negócio também ficam felizes.

Atrizes: Nooossa!!! Acompanhado de um sorrisão de alegria.

RR: É verdade!

RM: E é legal a gente poder ter isso no Brasil, a gente tá ali, emparelhado.

MB: É verdade, a gente acompanhar a nossa série sendo lançada em mais de 50 países, as pessoas dizendo que são fãs do trabalho que tá sendo feito aqui, todo feito por brasileiros, um produto 100% nacional. Isso pra gente é um motivo de orgulho incrível.

PM: Igual a cena das meninas parando o elevador pra ver o anúncio da Oceano Azul.

Risada geral!

E assim, encerramos nosso papo oficial.

Após, tivemos um minutinho para fotos e eu pude ganhar um abraço muito carinhoso da Rafaela, enquanto comentava da cena dela como Nanda em Malhação.

A cena da chuva, ela completou. Todo mundo fala.

Eu comentei, já deve ser até chato, num é, mas eu não poderia perder essa oportunidade.

Ela: “Não, imagina!”

Foi incrível poder viver esse momento, espero que vocês consigam sentir um pouquinho da energia boa que estava lá. E assistam O Negócio, hoje às 21h na HBO.

P.S. Obrigada Gui, por partilhar o aúdio da segunda rodada já que o meu celular teve um probleminha.

P.S.2. Obrigada à Agência Febre e à HBO pelo convite e por mais uma vez nos receberem tão bem.

P.S.3. Obrigada Vivi e Dan, sem vocês nada disso também seria possível.

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2 Comments

  1. 19 de Março de 2018
    Responder

    Ai, que demais, Pri!! E eu to no meio dessa entrevista toda. Aaah, amei! (Meu Deus! Vc transcreveu TUDO! Isso que é fã, hehehe).

    Nossa, a parte que o Roberto Ríos falou que o pessoal de GOT e Big Little Lies estão orgulhosos de se verem ao lado de O Negócio me emociou s2

    • 19 de Março de 2018
      Responder

      Obrigada, Thá!

      Ah, eu não podia deixar de passar sua mensagem, e eles ficaram super alegres.

      Sim, eu quis transcrever até os detalhes e reações pois acredito que isso ajuda a transpor um pouco do clima que estava lá.

      Foi muito bom e produtivo, e é muito legal quando você tem a oportunidade de estar diante de alguém que você admira o trabalho e poder conversar assim, livre e informal e ainda poder compartilhar essa experiência com outras pessoas que também gostam.

      Sim, dava pra ver o orgulho dele em poder dizer isso. É emocionante mesmo vê-los chegando ao fim de uma jornada como essa com tamanho reconhecimento.

      🙂

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