Nota:

Título Original: O Processo Lançamento: 17 de maio Direção: Maria Augusta Ramos Roteiro: Maria Augusta Ramos Gênero: Documentário Elenco: Dilma Rousseff, Lula, Chico Buarque de Hollanda, Gleisi Hoffmann, Janaína Paschoal, José Eduardo Cardozo, mais Nacionalidade: Brasil, Alemanha
8.5
Pros
Roteiro.
Cont
Políticos.

Somos um país jovem, que completou seus 518 anos desde o descobrimento recentemente. E desde aquele tempo as lutas e obsessões pelo poder causam estragos sem tamanho. Primeiramente tomando a terra dos índios, e depois usufruindo indiscriminadamente dos recursos naturais e impondo novas culturas e formas de pensar, o que se segue até o presente momento.

Os políticos, cidadãos escolhidos pelo povo para administrar nossos recursos e as demandas que o país possui, têm há muito tempo esquecido qual o real fundamento de suas responsabilidades e o porquê da atribuição para o cargo, pensando apenas em como ganhar status e acumular de forma descontrolada e desonesta recursos financeiros.

E na obra documental, O Processo da cineasta Maria Augusta Ramos, que fez sua estreia nacional na última quinta (19-05), depois de ser destaque no Festival É Tudo Verdade, podemos ver claramente como isso se tornou uma pandemia.

É vergonhoso, entretanto muito necessário assistir tudo que é apresentado na produção, pois nos permite um confronto com fatos tão marcantes e não de uma maneira que gostaríamos da nossa história recente. Nele podemos acompanhar muitos dos vários acontecimentos e momentos que compõem o circo criado em Brasília, nossa Capital Federal e que se espalhou pelo restante do país durante o processo de Impeachment da Presidente eleita para o seu segundo mandato em 2014, Dilma Rousseff.

Independente de partidarismo, é claro como todos os envolvidos têm responsabilidade sobre o caos que tomou conta, seja por omissão, seja por atitudes diretas e indiretas, e quando digo isso, me incluo, pois acredito que todos nós como nativos dessa pátria devemos agir em favor dela, o que percebo, começando por mim, temos negligenciado fortemente.

Mas e o que podemos fazer? Isso é algo que eu também tenho buscado descobrir, e não me considero alguém que possa orientar outros nessa caminhada pessoal, contudo de reflexo público. Todavia há algo que posso sim dizer: Pensamento crítico ao analisar o que chega até nós é algo bem válido, deixando de lado um pouquinho os fanatismos e paixões, sejam partidárias, sejam religiosas, sejam familiares e qualquer outra que habite em nós. Pois somente assim teremos a capacidade e abertura necessária para o diálogo, para ouvir de verdade, tentar compreender a posição do outro sem querer lhe impor o que consideramos verdade.

Lembrando que nossas perspectivas são influenciadas consciente e inconscientemente por toda a bagagem que possuímos, então, não há de fato como ser imparcial, porém podemos sim tentar ser os mais respeitosos com a opinião e posicionamento do outro, tentando encontrar nas divergências um caminho para aparar as arestas e contribuir para o crescimento e melhoria nas condições de vida para nós, o povo, não apenas para alguns indivíduos.

E com o que vi em O Processo, ficou muito claro para mim que os políticos desse país nos consideram completos idiotas, e têm se valido de nossas crenças e esperanças para nos manipular descaradamente para chegarem ao poder e lá estando fazerem o que bem entendem, desde que isso os mantenha na posição ocupada ou lhes permita alcançar cargos que lhe concedam ainda mais poder e dinheiro.

Esse ano temos eleição, mais uma vez temos o direito e a responsabilidade de ir às urnas escolher novos representantes. Que tal começar a reavaliar tudo que chegou ao seu conhecimento e buscar mais informações, antes de fazer a sua escolha? Nesse sentido, obras audiovisuais – como a de Maria Augusta por exemplo -, literárias e conteúdos disponíveis nessa grande rede chamada internet podem ser materiais interessantes para esse exercício.