O Quarto de Jack|Crítica


Prenda a respiração nos primeiros minutos de filme, ele transmite uma sensação insuportável de confinamento. É claustrofóbico, é impactante. O Quatro de Jack (Room) é um drama chocante, baseado na obra de Emma Donoghue (Room) que mostra a vida de Joy (Brie Larson) e Jack (Jacob Tremblay) respectivamente mãe e filho, que são mantidos como refém num quarto minúsculo.

Dentro deste cativeiro, Joy tenta educar o filho e fazer com que ele leve uma vida “normal”, se alimentando, exercitando, lendo, e até vendo televisão. Joy faz Jack acreditar num mundo apenas dele e cheio de mágica, e o seu único contato com o mundo exterior é a visita periódica do “Velho Nick” (Sean Bridgers), o sequestrador.

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A direção do longa é espetacular, Lenny Abrahamson conduz o filme alternando com a angústia daquela situação monstruosa em que os personagens vivem, e a força do amor materno.  É realmente muito chocante, Abrahamson, sutilmente consegue brincar com o espaço ao decorrer das cenas, o quarto aparece espaçoso e ao mesmo tempo sufocante. Indescritível a sensação.

Um ponto que vale ressaltar, o filme poderia facilmente ser dividido em dois, antes da fuga de Jack, e a volta para a casa da família. E é possível notar a diferença de ritmo neste período, até então tínhamos a visão romântica da situação pelos olhos de Jack, e na segunda parte, a densidade e drama do trauma sofrido pela família e as vítimas.

Brie Larson and Jacob Tremblay star in "Room." (Ruth Hurl/Element Pictures)

Nesta virada de perspectiva, a segunda parte se torna um pouco arrastada e há alguns pontos que poderiam ser mais explorados, como a relação entre a mãe e o avô (William H. Macy), onde fica um conflito que não é abordado, e o paradeiro do sequestrador, também fica meio vago.

O Quarto de Jack segue mostrando o descobrimento do mundo, pelo menino, e quanto tudo aquilo o maravilha, sua adaptação é menos traumática do que a de Joy, que parece não conseguir se encaixar neste novo mundo depois de sete anos de clausura.

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Os primeiros momentos de Jack fora do cativeiro são excelentes, ele vê luzes desfalcadas e objetos sem forma, como se o mundo não estivesse definido ao seu olhar e o espanto segue, ao observar a rua por uma janela do alto de um prédio ou o modo desengonçado de descer uma escada e quando conhece sorvete e outras pequenas coisas, tudo para ele é novo.

Não posso esquecer-me de enfatizar a atuação grandiosa de Brie Larson, indicada ao Oscar de Melhor Atriz, concorrendo com as premiadas Cate Blanchet (Carol) e Jennifer Lawrence (Joy – O nome do Sucesso), disputa mais que acirrada. Larson e Tremblay surpreendem, e o garoto merecia uma indicação pelo papel.

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Belo filme, que promete emocionar bastante, O Quarto de Jack (Room) está concorrendo a quatro Oscar, na categoria Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz e Melhor Diretor e estreia neste final de semana em todo o país.

Elenco: Brie Larson – Joy, Jacob Tremblay -Jack, Joan Allen – Avó,  William H. Macy – Avó, Sean Bridgers – Velho Nick,  Amanda Brugel – Policial Parker, Cas Anvar – Dr. Mittal, Joe Pingue – Policial Grabowski

Direção: Lenny Abrahamson

Gênero: Drama

Distribuidora: Universal Pictures.

Estreia: 17 de Fevereiro de 2016

Nota: [yasr_overall_rating size=”medium”]