Nota:

Data de lançamento: agosto de 2016 (1h 22min) Direção: Jemaine Clement, Taika Waititi Elenco: Jemaine Clement, Taika Waititi, Jonny Brugh, Ben Fransham, Cori Gonzalez-Macuer Gêneros Terror, Comédia Nacionalidade: Nova Zelândia
9.0

Uma equipe de filmagem acompanha a aventura de 4 vampiros,  Vladislav (Jemaine Clement), Viago (Taika Waititi), Deacon (Jonny Brugh) e Petyr (Ben Fransham). Mostrando o dia a dia (noite a noite) e os problemas enfrentados pelos vampiros na era moderna.

Com roteiro de Jemaine Clement e Taika Waititi, Há uma tentativa clara de, além de homenagear toda a literatura e cinema sobre vampiros, também desconstruir a visão dos mesmos. Estes vampiros não são inteligentes, sofisticados, sensuais ou mesmo assustadores. São uma coleção de criaturas toscas e risíveis que acreditam ter todos os predicados falados anteriormente. E aqui mora a grande graça do filme. Vladislav tenta ser a versão Drácula interpretado por Gary Oldman. Viago falha em ser o vampiro interpretado por Brad Pitt. Deacon uma clara referência a Bela Lugosi e Petyr, uma grande homenagem a Nosferatu. Se juntam a esses o novato Nick (Cori Gonzalez-Macuer) que verbaliza ser uma versão de Edward de Crepúsculo. Nessa colcha de retalhos os conflitos vão se avolumando e ganhando contornos absurdos, surreais e ridículos. Talvez essa última seja a palavra que mais caracteriza esse filme. Nada aqui funciona como deveria funcionar. Uma grande jogada do roteiro é humanizar os personagens. Apesar de serem monstros, e eles deixam isso muito claro, há uma dimensão humana e essa nos faz criar empatia por toda a loucura que aqueles vampiros vivem.

Quanto a direção, Taika Waititi mostra que sabe trabalhar com humor absurdo. Em momento nenhum ele leva a sério seus personagens, fazendo questão sempre de explorar o rídiculo que cada um deles é. Outra grande sacada são seus enquadramentos, sempre nos mostrando que estamos no dia a dia daquele seres, em momento nenhum perdemos essa perspectiva. E é de se elogiar a quantidade de efeitos práticos e computação gráfica usado de forma bem dosada, sendo recorrido a eles quando necessários (Há uma plano-sequência muito bem filmado). Elogioso também são as referências visuais aos vampiros de inspiração. É um trabalho preciso, deixando claro cada referência de origem.

A atuação é sem dúvida um dos pontos fortes. Waititi faz muito bem o seu Viggo, sua tentativa de ser sofisticado e chic falha em todas as vezes. Jonny Brugh tem um ar superior, mas esbarra na sua incapacidade de fazer qualquer coisa.Jemaine Clement sofre com insegurança por não ser mais o vampiro que um dia foi, esperando a oportunidade de se vingar de seu inimigo. E  Petyr, que parece estar acima de todos esses pormenores. A introdução de Cori Gonzalez-Macuer, traz ânimo novo a equipe, atualizando-a e sendo o motor de conflitos que levam a história a frente. E por fim Stuart Rutherford, como Stu o amigão de a pesar de ser um humano. Sua total falta de expressividade torna todas as situações ainda mais hilárias.

O que fazemos na sombra é um filme que diverte brincando com séculos de fábulas de vampiros. Subverte e homenageia o gênero enquanto diverte o espectador do início ao fim.