O Regresso | Crítica 2


Será que o urso vai levar o Oscar?

O Regresso’ começa mostrando aparentemente bravos trabalhadores envolvidos em diversas camadas de pele de caça, em meio a estes está Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) e seu filho mestiço Hawk (Forrest Goodluck). Durante uma expedição nos arredores do rio Missouri com o intuito de coletar peles de animais, o acampamento é brutalmente atacado por índios, que acreditam que eles raptaram a filha do chefe da tribo.

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Logo nos primeiros minutos de filme ganhamos de presente uma longa sequência filmada magistralmente. Muita ação bruta para apresentar a batalha, e um banhado de horror, tiros, flechas, facas e sangue com detalhes que impressionam, e nos transportam com mais tensão para todos os momentos da barbárie.

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E isso é apenas uma amostra do que virá a seguir. Como em ‘O Resgate do Soldado Ryan, a batalha brutal de inicialização de ‘O Regresso’ serve para enquadrar o cenário em que o resto da ação terá lugar: em uma terra inóspita onde a lei e a justiça são meros paradigmas éticos, um bando de selvagens imigrantes americanos precisam agora fazer de tudo para salvar suas próprias peles.

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O diretor Alejandro González Iñárritu sabe confortavelmente mostrar o lado mais escuro da alma humana, que é algo que sabemos desde que foi lançado ‘Amores Perros’ filme mexicano de (2000); mas se tem algo que ele sabe mesmo fazer, é submeter a total crueldade, os seus principais personagens, na maioria dos casos, incapaz de estabelecer limites quando se trata de retratar o horror.

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O protagonista, Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), uma espécie de guia num inferno repleto de neve, tenta superar terríveis ferimentos sofridos por um ataque espetacular vindo de uma ursa,  sequência essa que marcará a direção dos fatos. E se acha que esse é o ponto mais interessante da jornada de Glass, se prepare para sentir-se um pouco enganado, pois os próximos acontecimentos que foram estabelecidos são chocantes, e muita coisa passará até que o personagem principal consiga alcançar o seu companheiro que o deixou para trás John Fitzgerald (Tom Hardy). Dito isso, cada passo não é apenas uma amostra de tenacidade infinita, mas um novo chicote no seu sofrimento contínuo desse rapaz.

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A estética e a ética ao qual estamos acostumados nos trabalhos de Iñárritu, desaparecem nesse filme (que na minha opinião, é o melhor que ele já fez). Bem, se o cineasta tivesse limitado-se  apenas as cenas de aventura de Glass, já teríamos um grande filme (pelo menos para aqueles que gostam de um grande cinema de violência).

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Mas isso não significa nada, pois todas as sequencias sujas nos contrastes de terra, neve e sangue, destacam ainda mais a sensação de apuros que precisamos respirar. Tudo isso se une ao campo visual e sonoro para tornar a história mais mágica e relevar a fraqueza que de fato circula nas linhas do roteiro.

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Este é um filme que merece a sua atenção, sem vilões ou mocinhos, e as decisões de cada personagem, é simplesmente para mostrar o lado selvagem extremo que vive em cada um de nós, violento e as vezes irracional, é a verdade sobre a busca pela sobrevivência.

Elenco:Leonardo DiCaprio – Hugh Glass, Tom Hardy – John Fitzgerald, Domhnall Gleeson – Andrew Henry, Will oulter – Jim Bridger, Paul Anderson – Anderson, Brendan Fletcher – Fryman, Brad Carter – Johnnie.
Direção: Alejandro González Iñárritu
Gênero: Aventura, Drama
Distribuidora: Fox Film
Estreia: 4 de Fevereiro de 2016

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