O Regresso | Crítica do filme


Atenção, grande chance de você ler a palavra “impecável” repetidamente nas linhas a seguir!

Sim, e por que não? Especulações sobre a atuação de Leonardo DiCaprio, embalam as expectativas do filme “O Regresso”, que disparado levou 12 indicações da academia esse ano. Só por este motivo, devemos ao menos assistí-lo, certo?

O outro motivo que pode fisgar você a contemplar “The Revenant” (título original), é que enaltece a luta de um homem, Hugh Glass, que após sofrer uma fatalidade, luta pela vida em condições nada favoráveis e busca vingança contra aqueles que o deixou para morrer.

Até aqui você pode até achar clichê, e sim pode até ser, mas não se esqueça de que o mais importante da história é como ela é contada. E nesse caso a maneira e artifícios utilizados para dar vida ao romance homônimo de Michael Punke é o que agrada.

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O Regresso é um daqueles filmes que já arrebata sua atenção desde as primeiras cenas. Muito difícil lembrar-se de algum outro que se assemelhe ao que é apresentado no longa e cada paisagem é um convite a uma incessante admiração.

O Emmanuel Lubezki nos apresenta um trabalho primoroso de fotografia, no mínimo para ser classificado como estonteante. Aliás, que sequência de riqueza técnica em cada trabalho o Emmanuel têm nos apresentado! Cada cena é um quadro, você pode distrair-se um pouco e ao voltar seus  olhos para a tela, sempre verá um belo panorama de tirar o fôlego.

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Essa fotografia vem acompanhada de planos-sequência no mínimo “impecáveis”. Imagina-se que muito desses planos foram gravados com a ajuda de drone. A forma como é conduzido e as transições entre detalhes e os planos gerais, são de uma sutilidade, que funcionam como uma ferramenta hipnotizadora capaz de te prender a cada pormenor de cada personagem. E consequentemente a direção, é outro quesito que contribui para este resultado super positivo. E aí se destaca o trabalho do cineasta Mexicano Alejandro González Iñárritu.

Alejandro tem a delicadeza de tornar todo o trabalho quase que sensorial, a cenas são tão penetrantes que o Leonardo DiCaprio ao respirar, embaça a lente da câmera, fazendo que o telespectador note-a em várias partes do filme.

Tudo muito bonito, bem dirigido, bela fotografia, mas cenas monótonas estão presentes também, diria até que desnecessárias. Outras exploram o sofrimento do personagem de modo tão forte, que a reação como telespectador é nos espremer nos nossos assentos de olhos cerrados, a evolução da melhoria de Glass poderia se resumir a cenas que realmente importassem, deste modo até teríamos um tempo de exibição menor do filme.

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A mixagem de som, o figurino e cenários completam o primor das cenas e não podemos nos esquecer do excelente CGI empregado. Nada absurdo e nada desnecessário, ao contrário é muito bem explorado.

Mas tudo não poderia ser tão belo, se os atores não nos entregassem atuações condizentes com a qualidade técnica do filme. Não me lembro de uma atuação tão boa do Leonardo de DiCaprio, coerente e seguro, consegue transmitir sem dúvidas os sentimentos do personagem.

Torcemos pelo Hugh Glass do início ao fim, nos incomodamos com as perdas e as injustiças que ele sofre. Para equilibrar a equação da atuação de um bom protagonista, um antagonista de peso: Tom Hardy. Tom transmite a frieza do John Fitzgerald, a caracterização do sotaque arrastado, quase que incompreensível marcam a atuação de Hardy. Aliás, Domhnall Gleeson e Will Poulter também nos entregam um excelente trabalho.  Mas o destaque mesmo é o Tom Hardy, é muito bom acompanhar a evolução do trabalho do ator a cada filme que o mesmo faz.

The Renevant, que tem estreia programada para 04 de fevereiro nos cinemas Brasileiros, pode ser sim descrito em alguns quesitos com “impecável”. Não sei se será o suficiente para ganhar o Oscar, mas que é um bom longa para se assistir, isso é!

Veja o trailer:

Ficha Técnica

Direção: Alejandro González Iñárritu
Duração: 2h 36m
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Música composta por: Ryuichi Sakamoto, Carsten Nicolai, Bryce Dessner
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter
Gênero: Faroeste, Aventura
Ano de produção: 2015
Nacionalidade: Estados Unidos
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