Nota:

Título Original: The Killing of a Sacred Deer Lançamento: 08 de fevereiro Direção: Yorgos Lanthimos Roteiro: Yorgos Lanthimos, Efthymis Filippou Elenco: Nicole Kidman, Colin Farrell, Raffey Cassidy, mais
9.0

Aviso: Se você quiser potencializar sua experiência só leia esse texto depois de ver o filme, se possível não assista nem aos trailers.

Steven (Colin Farrell), um cardiologista conceituado que é casado com Anna (Nicole Kidman), com quem tem dois filhos: Kim (Raffey Cassidy) e Bob (Sunny Suljic). Já há algum tempo ele mantém contato frequente com Martin (Barry Keoghan), um adolescente cujo pai morreu na mesa de operação, justamente quando era operado por Steven. Ele gosta bastante do garoto, tanto que lhe dá presentes e decide apresentá-lo à família. Entretanto, quando o jovem não recebe mais a atenção de antigamente, decide elaborar um plano de vingança.

Escrita pelos gregos Yórgos Lánthimos (que também dirige o longa) e Efthymis Filippou, a história é muito intrigante desde o primeiro momento, ficando claro que há algo de muito errado em toda situação, mas o roteiro não tem pressa em explicar, o que faz com que fiquemos cada vez mais presos e curiosos para saber o que está acontecendo. E quando a explicação vem, outras tantas perguntas começam a aparecer jogando o espectador num outro labirinto. Até que chega o momento em que somos atirados num filme de horror sem perceber que isso aconteceu. E isso de forma muito sutil e nunca deixando claro nada do que acontece, a sugestão é a chave.

Porém a grande força desse filme é a direção. Lánthimos tem uma forma de dirigir claramente inspirada em Kubrick, e assim como o diretor americano, ele sabe como incomodar o espectador. Seus personagens são robóticos, distantes, tudo parece programado naquela realidade. Em contraponto informações muito pessoais são lançadas, em certos momentos, aumentando assim o desconforto de quem assiste. Seus cenários e o modo como o diretor decidiu retratá-los aumentam a sensação de vazio. Todos os ambientes têm uma cor e iluminação opressivas, porém bonitas. A trilha sonora é outro ponto chave para criar essa atmosfera, desarmoniosa e assustadora, claramente querendo causar um senso de desorientação. A dinâmica da narrativa sabe trabalhar os contrastes dos personagens e sugerir mais que mostrar. É um trabalho bastante manipulativo.

Contudo, sem as perfeitas atuações esse filme não aconteceria.  Colin Farrell, constrói um personagem que apesar de ser corroído pela culpa, mantém a aparência distante e muitas vezes desdenhosa. Ele está sempre contendo suas emoções, deixando a mostra seu lado mais humano apenas quando sua agressividade vem a tona. Nicole Kidman tem uma atuação muito maliciosa. Sua personagem sabe como jogar, se adapta a situação e cria caminhos para tentar soluções. Barry Keoghan tem uma atuação excêntrica, seu personagem parece inofensivo, indefeso, e alguns segundos depois é assustador. Ele sabe bem como usar os maneirismos para potencializar toda sua estranheza.  Já os filhos Raffey Cassidy e Sunny Suljic nos apresentam duas crianças que, apesar de não entenderem o que está acontecendo, tentam de todo jeito se salvarem, usando armas não muito louváveis.

O Sacrifício do Cervo Sagrado é um filme sádico. Duro de assistir, é assustador pela forma como conduz seus personagens. Embora não seja um filme fácil, vale muito a pena.

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