Oito Mulheres e um Segredo | Crítica


Nota:

Data de lançamento 7 de junho de 2018 Direção: Gary Ross Elenco: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway e mais Gêneros: Comédia/Policial Nacionalidade: EUA Duração: 110 min
10.0

Nos últimos anos, grandes franquias voltaram aos cinemas com novos filmes: Star Wars, Mad Max, Caça-Fantasmas… todas com uma coisa em comum: mulheres como protagonistas. Em 2015, a misteriosa e, até então, desconhecida Rey (Daisy Ridley) substituiu Luke Skywalker (Mark Hamill) como a protagonista da popular série em Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens, dir. J. J. Abrams); no mesmo ano, a série Mad Max ficou maior com um novo filme, Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, dir. George Miller) e, embora o protagonista Max Rockatansky (com Tom Hardy substituindo Mel Gibson no papel) estivesse lá, quem assistiu ao filme sabe que a real protagonista é a Imperatriz Furiosa, interpretada por Charlize Theron. E, logo no ano seguinte, Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson e Harold Ramis deram lugar a Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Leslie Jones e Kate McKinnon no novo Caça-Fantasmas (Ghostbusters, dir. Paul Feig, 2016).

Sem dúvidas, as mulheres têm tomado a frente e assumido papéis que, anteriormente, costumavam ser destinados apenas aos homens, enquanto elas eram relegadas ao coprotagonismo, aos papéis de donzelas indefesas, mocinhas ou princesas, dentre tantos outros esteriótipos que o cinema – e a sociedade – criou ao longo dos anos.

Sandra Bullock comanda o time: juntas para roubar um colar de 150 milhões de dólares

Nesse ano, mais uma prova dessa virada chega aos cinemas, com o filme que estreou essa semana: Oito Mulheres e um Segredo (Ocean’s Eight, dir. Gary Ross), spin-off da trilogia iniciada em 2001 com Onze Homens e um Segredo (Ocean’s Eleven, dir. Steven Soderbergh). Na história original, Danny Ocean (papel de George Clooney), após passar um tempo numa penitenciária em Nova Jersey, recruta um time de dez caras (que inclui Brad Pitt, Casey Affleck, Don Cheadle e Matt Damon) para um roubo de 150 milhões de dólares em três dos maiores cassinos de Las Vegas simultaneamente. As continuações, Doze Homens e Outro Segredo (Ocean’s Twelve, dir. Steven Soderbergh) e Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean’s Thirteen, dir. Steven Soderbergh) vieram pouco tempos depois, em 2004 e 2007, respectivamente.

Confesso que nunca assisti a nenhum filme da antiga trilogia, então não espere que essa seja uma crítica dizendo quem fez melhor e nem comparando uma obra com a outra. No entanto, a premissa de Oito Mulheres e um Segredo não foge muito do que o filme original propôs: Debbie Ocean (Sandra Bullock), irmã do recentemente falecido Danny Ocean (será mesmo?), sai da prisão após cinco anos, já com o plano de um grande roubo, o de um colar de diamantes avaliado em… 150 milhões de dólares.

Para isso, ela se reúne com sua antiga parceira, Lou (Cate Blanchett), e formam um time com mais cinco mulheres, interpretadas por Helena Bonham Carter, como a excêntrica estilista Rose Weil; a cantora Rihanna, como a hacker Nine Ball; Mindy Kalling, a avaliadora de joias Amita; Awkwafina, a habilidosa batedora de carteiras da equipe, Constance; e a estrela da série American Horror Story Sarah Paulson, como a receptadora/faz-tudo Tammy. A oitava mulher do título? Ela é Anne Hathaway, ou melhor, Daphne Kluger, a inocente vítima de quem as outras mulheres roubarão o colar durante o Met Gala, o evento mais exclusivo de Nova York, que ocorre todos os anos no Metropolitan Museum of Art. Juntas, elas colocam em ação o plano que Debbie pensou por todo o tempo em que ficou na prisão.

Rico em detalhes, parece quase impossível que elas tenham sucesso com o roubo, mas conforme a ação acontece, o que fica impossível é manter a boca fechada de incredulidade enquanto elas se encarregam de realizar o plano superando, inclusive, as adversidades que surgem no caminho. E tudo isso com muita destreza.

Não só um filme de ação, Oito Mulheres ainda traz um humor singelo que arranca risadas naturalmente. Sem mencionar o elenco: bem escolhidas, as mulheres interagem bem entre si e fazem com que o espectador simpatize com elas imediatamente, desde Debbie, ressentida por sua prisão e com desejo de vingança, até Constance, a mais nova de todas, na ação pelo dinheiro e a diversão do roubo. Rihanna, há muito criticada por sua atuação em papéis anteriores, se saí bem como Nine Ball, mas apenas porque a personagem é uma representação quase fiel de como a cantora aparece na vida real; e Mindy Kalling é um charme e agrada mesmo sem ter muito destaque.

Acredito que a maior crítica ao filme – não da minha parte – é a improbabilidade de toda a ação, mas se passarmos disso e levarmos em consideração que, de fato, aquilo poderia dar certo, mesmo com todas as chances de dar errado, temos um grande filme e quase duas horas de muita diversão.

Provavelmente pensado para ser uma nova trilogia que, no final, chegaria até a trilogia original (Nove Mulheres…, Dez Mulheres…, Onze Homens…), me coloco no time que está torcendo pelo sucesso do filme e clamo, com muito anseio: que venham os próximos!

Anterior FX confirma terceira temporada de Atlanta com Donald Glover
Próxima Festival Varilux - Nos vemos no paraíso | Crítica

Sem Comentários

Deixe uma Mensagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *