Operações Especiais | Crítica do filme


Ao ver o trailer de Operações Especiais você pode ter pensado: “lá vem mais um filme nacional, cheio de traficantes e uma versão feminina do Capitão Nascimento!”. Se acertamos, você está redondamente enganado(a).  

08fb01e010c47bf7a9a485ab518be582

Batida Policial e assalto com reféns a um hotel, obviamente são situações que definem de imediato um Thriller policial e chamam a atenção de quem o assiste. O cenário é a cidade do Rio de Janeiro, em 2010, época em que o complexo do alemão foi invadido e muitos traficantes fugiram para zonas periféricas. E como todo filme de ação tem um herói, surge Francis (Cléo Pires), uma recepcionista de hotel formada em turismo, que de forma serena e corajosa protege uma criança em meio ao ataque dos bandidos. Insatisfeita com a situação em que vive, Francis toma aquele momento como ponto de partida para sua transformação profissional e pessoal.

12

Francis faz a prova para Polícia Civil e é aprovada. Na academia se destaca sob olhares atenciosos de Paulo Froes (Marcos Caruso), um delegado linha dura que a convoca para combater a bandidagem na fictícia cidade de São Judas do Livramento, no interior do Rio de Janeiro. E você pensa: “Agora a recém formada Policial irá enfrentar tudo e todos com veemência contra a bandidagem!” Calma aí, caro leitor, ainda não.

[tie_slideshow] [tie_slide]  1 |10 [/tie_slide] [tie_slide]  2 | 7 [/tie_slide] [tie_slide]  3 | 2[/tie_slide] [/tie_slideshow]

O diretor e roteirista Tomás Portella (Qualquer Gato Vira-lata, 2011, Lisbela e o Prisioneiro, 2003, Meu Nome Não é Johnny, 2008 e Isolados, 2014), faz questão de evidenciar todos os temores vividos pela personagem, o processo de se adequar profissionalmente ou ainda superar o velho clichê de ser subestimada pelos colegas Roni (Thiago Martins) e Décio (Fabrício Boliveira). Francis recria todos os seus conceitos de vida, além de encarar todos os seus medos.

É inevitável, com tudo que já foi descrito aqui, não relacionar Operações especiais à Tropa de Elite. E é para se fazê-lo mesmo! Portella utilizou ingredientes da mesma fórmula de sucesso de Padilha – critica social, corrupção, policiais incorruptíveis, altos níveis de criminalidade e muita adrenalina. Apesar de toda correlação com o filme de Padilha, Operações especiais consegue obter sua singularidade, uma narrativa diversificada, pautada na luta contra o crime em cenas eletrizantes.

3

Portella também consegue transmitir a tensão dos personagens, nos envolvendo de tal forma na trama, que podemos sentir  o “pânico” pessoal da iniciante Francis, fazendo com que também nos sentamos mais confiantes e corajosos, à medida em que os fatos se desenrolam. Passamos em diversos momentos a compartilhar da indignação e nos sentimos até mesmo impotentes diante de certas situações no decorrer do argumento.

A trilha sonora e sonoplastia, nos impulsionam e emolduram perfeitamente todos os momentos de câmera na mão e closes inquietantes. Percebe-se que houve uma preocupação para ampliar a sensação de adrenalina e nesse ponto a produção não deve nada para outros filmes nacionais do gênero.

4

Então, se você espera ver boas cenas de ação, uma boa narrativa e uma heroína que foge dos padrões convencionais, Portella canalizou tudo isso em Operações Especiais, um bom filme que te faz sair satisfeito com o que viu e até nos deixa um gostinho de quero mais.

O longa estreia 15 de outubro nos cinemas e possui ainda no elenco Fábio Lago, Fabíula Nascimento e Antonio Tabet. Confira o trailer abaixo:

FICHA TÉCNICA: Direção e roteiro: Tomás Portella. Co-roteirista: Marina Rupp. Produção: Pablo Torrecillas e Rodrigo Castellar. Elenco: Cléo Pires, Fabrício Boliveira, Marcos Caruso, Thiago Martins, Antônio Tabet, Fabíula Nascimento, Fábio Lago, Gillray Coutinho, Augusto Madeira e Analú Prestes. Direção de Fotografia: Bárbara Alvarez. Direção de Arte: Cláudio Amaral Peixoto. Figurino: Ana Avelar e Gabriela Campos.

[yasr_overall_rating size=”medium”]