Os Excêntricos Tenebaums


“Todas as famílias felizes são parecidas; as infelizes são infelizes cada uma a sua maneira”, diz Tolstói na primeira linha de Ana Karenina. Para nosso filme de hoje essa frase faz todo sentido. Somos apresentados aos Tenenbaums, uma família de gênios, e conhecemos Chas ( Ben Stiller), Richie (Luke Wilson), a filha adotiva Margot (Gwyneth Paltrow), o pai Royal (Gene Hackman), que no original dá nome ao filme, e a mãe Ethel (Anjelica Huston), além do não menos importante vizinho, Ely rash (Owen Wilson).

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Todos os personagens desde criança são extraordinários. Chas é um gênio das finanças e logo cedo se torna um rapaz rico; Richie é um tenista exemplar, com múltiplas habilidades; Margot uma escritora de peças de teatro já reconhecida desde muito nova e Ely Crash um escritor best-seller. Porém, apesar de serem bem sucedidos, todos eles são depressivos e fracassados no âmbito pessoal, o que nos leva a perceber que toda genialidade não os ajudou em nada. E muito em consequência do patriarca, Royal Tenenbaum (Gene Heckman), um homem pouco confiável e que não tinha muito apreço  pela família. Ele retorna após mais de 7 anos sem nenhum contato e alegando estar doente, isto após perceber que a esposa (ele e Ethel nunca se separaram legalmente) pode casar com o  contador da família, Henry Shermam, vivido por Denny Glover. Falando assim pode parecer que o filme é um drama. Não se engane! Até hoje eu não sei se os excêntricos tenenbaums é um drama “comediado” ou uma comedia “dramatizada”.

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E isso se deve ao roteiro escrito por Wes Anderson e Owen Wilson. As situações são quase surreais e o mais importante, o modo como Anderson filma é genial. O estilo do diretor nos faz lembrar a todo tempo que estamos num filme, é um modo quase infantil de contar uma história séria, de falar de dramas, deixando tudo mais leve, mais delicado, com diálogos excelentes, bem teatrais, encaixando completamente nesse mundo paralelo que foi criado, isso facilita a empatia pelos personagens e emula emoções. E tudo que caracteriza o cinema de Anderson está lá, enquadramentos simétricos, muito uso do vermelho e amarelo, movimentações laterias de câmera.  Provavelmente nas mãos de um outro diretor esse seria um filme chato, sem atrativos maiores

Preciso destacar algo importante em todo o filme: a trilha sonora. Um show a parte com “Hey Jude” (instrumental), dos Beatles, passando por Ramones, Paul Simon, Bob Dylan, Jhon Lennon, Clash entre outros que encaixam perfeitamente nas situações. Esse foi o primeiro filme de Anderson que assisti, e foi amor à primeira vista.

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Não há como não destacar as atuações porque todo o cast está muito bom: Gene Heckman está hilário como Royal Tenenbaum. Cínico e dissimulado faz um pai/ marido exemplo a não ser seguido. Ben Stiller, como Chas, convence o público como um homem que passou por muitos traumas e faz de tudo para salvaguardar os filhos para que não passem pelas mesmas coisas, o que só agrava os problemas. Luke Wilson faz o depressivo Richie, apaixonado pela irmã Margot e esperançoso pela volta do pai (é o personagem mais triste). Gwyneth Paltrow faz uma Margot que não perdoa o pai por lembrá-la o tempo todo que é adotada. Cabisbaixa e entediada com o casamento com o psicanalista Raleigh St Claire (Bill Murray, ator presente em quase todos os filmes de Anderson). Anjelica Huston sempre faz seus papéis com maestria e aqui não é diferente, é fascinante ver as reações da personagem frente as situações que que se desenrolam na trama. Danny Glover faz um homem sério, que realmente ama  Ethel e tenta, da melhor maneira possível se encaixar em toda a loucura que vê. Owen Wilson como vizinho ligado á família desde cedo, tem o desejo de ser um Tenenbaum. E temos também o não menos importante Kumar Pallana , o pagoda, o “faz tudo” dos tenenbauns, que é braço direito de Royal em suas armações.

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Os Excêntricos Tenenbaums é um filme genial, mesmo não fazendo tanto sucesso quando foi lançado em 2001, infelizmente. No entanto, com o tempo vem sendo reconhecida como uma obra prima que merece ser vista e discutida muitas vezes. Lá estão todas as características do cinema de Anderson, personagens pitorescos em situações absurdas, mas que dentro daquele mundinho criado faz todo sentido.

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