No dia 24/09 o Cinema Sim teve o prazer de receber para um bate-papo muito agradável, o ator Osmar Prado que está em cartaz nos cinemas com o grande filme ’10 Segundos para Vencer’.

No filme Osmar vive ‘Kid Jofre’, um pai com o sonho especifico de fazer do filho um campeão mundial de Boxe. Na trama que carrega muita emoção e revelações de um herói do esporte nacional, que talvez muitas pessoas não lembrem mais, somos nocauteados por essa relação pai e filho que impulsionou ‘Éder Jofre’ (hoje com 82 anos) ao sucesso dentro dos ringues.

o meu pai também tentou impor que eu procurasse um outro “emprego”, mas eu fiz valer o meu sonho…

Antes de iniciarmos a conversa Osmar deixou claro que é suspeito para falar da produção, e diz que houve uma sincronicidade que resultou nesse filme, seu orgulho é imenso em ter contribuído para o longa.

CS: Como foi para você mergulhar nesse personagem, já que o pai do campeão não está mais entre nós?

Osmar: Eu tive pouca referência porque quem mais aparecia na vida real era o Éder, ele deu muita entrevista, foi a muitos programas de televisão, e não me lembro de ter ouvido nem o ‘Kid’, se tem entrevista dele, não chegou a mim, então eu precisei fazer uma espécie de transferência. Ele era argentino e eu tenho algumas referências na minha família de como falar com esse sotaque diferente, e usei também muitas referências emocionais da minha vida, minha relação com meu pai. Quando eu queria ser artista o meu pai queria que eu fosse qualquer coisa menos isso, então se Kid tinha encontrado em Éder a possibilidade de realizar um sonho que ele não conseguiu, o meu pai também tentou impor que eu procurasse um outro “emprego”, mas eu fiz valer o meu sonho, então também tivemos grandes embates, e essa mistura de amor e ódio entre nós, eu levei para o Kid.

CS: Essa emoção está na tela, é realmente muito verdadeiro o que vemos…

Osmar: E o mais bacana disso tudo, é o fato de estar na tela, porque se não estivesse sido filmado do jeito que filmou, morreria. Acho que a emoção do filme não é uma emoção de criar ecos, provocada para efeitos, a gente tenta até esconder. No filme nós não colocamos lacinhos cor de rosa na interpretação, fomos diretos, tentando fazer exatamente como deveria ter acontecido no momento real.

der Jofre ao lado de Pelé e do pai Kid Jofre — Foto: Arquivo Pessoal

CS: A direção de José Alvarenga é muito certeira, percebemos que isso foi muito importante para o filme alcançar seus acertos. Ele permitia em algum momento o improviso?

Osmar: Sim, mas nós pouco improvisamos porque não havia necessidade, mas uma coisa eu tenho que dizer, porque eu pedi para estar no filme. Quando o Éder ganhou uma de suas lutas e colocaram o microfone na frente dele, lhe falaram “o presidente Médici ta na platéia e quer as suas luvas”, e ele disse “As minhas luvas pertencem ao meu pai que ficou comigo esse tempo todo no ringue”, essa cena não estava no roteiro e nós adaptamos para o filme.

CS: Existe uma passagem no filme em que Éder chega a questionar sobre o valor que um campeão ainda não tem no Brasil. Você acha que hoje em dia esse cenário mudou?

Osmar: O Brasil é um país maravilhoso, mas nós temos um ranço histórico, que é exatamente a casa grande e a senzala. Então, toda vez que alguém tenta dar um pouco de guarida a senzala é punido, Isso aconteceu e continua acontecendo. Mais do que nunca ainda é assim, a diferença é que agora existem meios de comunicação diferentes, o que torna a coisa mais acessível, e um assunto vai se tornando viral, mas o que adianta se não houver apoio, educação e investimento?

CS: Existe um momento em que o Éder se vê forçado pela esposa,a parar para de lutar para se dedicar a família. Como você vê essa situação, sendo que isso acontece meio que contra a vontade dele?

Osmar: Ela em vez de ajuda-lo, enche o saco do cara. Ela tem até um pouco a razão quando protesta contra os momentos machistas, mas naquela época era assim, mesmo dessa forma acho que ela é um papel ingrato.

CS: Qual é a cena mais marcante do longa?

Osmar: Existe uma cena que me emociona muito e eu não estou nela, é quando o Éder ta tomando uísque num barzinho com o ‘Zumbanão’ (Ricardo Gelli) e ele desabafa sobre as pressões do pai. Essa é uma cena linda, Ricardo Gelli me emocionou muito nesse momento, e eu disse isso pra ele, tanto que ele ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante.

Confira a crítica do filme

Veja o recado que o Osmar mandou para você que curte o Cinema Sim:

Confira o Trailer:

O filme já está nos cinemas, e esperamos que vocês assistam , é uma bela história que não poderia jamais ser desconhecida.

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