Nota:

Data de lançamento 15 de fevereiro de 2018 (2h 15min) Direção: Ryan Coogler Elenco: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong'o mais Gêneros Ação, Aventura, Ficção científica, Fantasia Nacionalidade EUA
10.0

O Pantera Negra foi o primeiro super herói negro da Marvel a ser introduzido nos quadrinhos, e o primeiro super herói negro a ter um filme solo em seu universo cinematográfico. Um herói que não é estranho a grandes marcos no universo em que representa.

A ideia de se ter um filme solo sobre um super herói negro por si só já é uma grande vitória na sociedade extremamente racista e hipócrita em que vivemos. Mas Pantera Negra é muito mais que isso. É um filme que tem toda a sua base em referências e reverências a nossos ancestrais africanos, sua essência, seu poder, sua força e sua beleza. Pantera Negra é uma ode à cultura e ao povo negro.

A história reconhece não só o passado do nosso povo, mas também busca um empoderamento no presente para garantir um futuro menos sombrio para um povo que sempre precisou lutar para garantir seu espaço. Pantera Negra é mais um dos trunfos que temos em mãos (a série Luke Cage sendo também uma grande e importantíssima aliada) nessa conquista tão dolorosa por um lugar que é de direito de todos: o de ser devidamente representado através da arte.

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A trilha sonora é um evento tão grandioso quanto o filme e o enriquece de forma brilhante. Assinada por Ludwig Goransson, reponsável pelas trilhas de Creed, Fruitvale Station e Get Out, e produzida por Kendrick Lamar a música do filme é uma mistura deliciosa de ritmos e sons de origem africana e beats mais futuristas, que são a representação perfeita para o cenário criado para Wakanda, que mistura o tradicional e o moderno, num casamento onde o passado e o futuro se completam e satisfazem.

Um Tocantins inteiro para a direção e produção de arte e também para a figurinista Ruth Carter, que pesquisou a fundo trajes e costumes de tribos africanas para montar o figurino de cada tribo de Wakanda e de seus cidadãos comuns. Um festival de cores, acessórios e símbolos trazidos diretamente da Terra-mãe.

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Muito se disse a respeito do elenco desde que ele foi divulgado, e não nos decepcionamos nem um pouco com o time convocado para esse evento cinematográfico. Nunca antes na história dos filmes de super herói se viu um elenco principal em que sua maioria era composta por atores negros. Pantera Negra não só fez isso como trouxe boa parte da elite de atores afro-americanos de todas as gerações.

E por falar em atores, Michael B. Jordan consegue se livrar da maldição dos Tocha Humana (acena para o Chris Evans) e entrega um vilão completo. Um vilão cheio de nuances e com uma urgência que só alguém que passou muito tempo nas sombras tem. Um dos melhores vilões do universo cinematográfico da Marvel.

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A psique de seu personagem é acentuada também com o trabalho magnífico da trilha sonora. Em um momento chave do personagem no filme, a música tem uma pegada mais futurista e até sedutora, que nos traz uma leitura bastante simbólica do personagem em si e de suas intenções em relação ao futuro de Wakanda. Enquanto isso, os instrumentais que permeiam as cenas de T’Challa possuem mais dos ritmos e sons africanos, representando seu apego às tradições do seu povo.

Essa dicotomia entre o T’Challa (Chadwick Boseman) e Killmonger nos faz lembrar intencionalmente de Malcom X e Martin Luther King e suas diferentes visões a respeito da luta por igualdade racial. O discurso de Killmonger é muito parecido com o de Malcom X, enquanto Dr. King é representado por T’Challa. Seus interesses podem ser os mesmos, porém suas formas de chegar a eles são bem diferentes.

Pantera Negra também é sobre a jornada pessoal de T’Challa para se encontrar e se reconhecer como rei e protetor de Wakanda. Ele sabe que aceitar esse manto é uma responsabilidade imensa, e esse seu conflito interior acaba sendo um inimigo útil para a história, pois ao ser testado ele compreende seu papel como indivíduo e também como soberano daquela nação.

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As personagens femininas são um ponto fortíssimo do filme. Danai Gurira, Lupita Nyong’o, Angela Bassett e Letitia Wright nos agraciam com cenas intensas e mostram as multifaces da mulher negra, dona de si, sensível e forte ao mesmo tempo. Okoye, sempre leal à sua nação e ao que seu título representa, encontra também seu conflito interior quando sua lealdade ao rei é posta à prova. Assim como Nakia que se vê dividida entre lutar pelo que acha certo e seu amor pelo T’Challa. Mas o mais importante da relação das duas com seu povo é sua jornada para entender que suas intenções e virtudes não precisam ser opostas e sim se complementar. A rainha-mãe e Shuri se unem a este time para trazer às telas algo que Hollywood parece ainda ter problemas para entender: a mulher tem várias forças diferentes e está também em posições de liderança, fazendo escolhas muito mais acertadas e sendo muito mais do que sidekicks (companheiras ou assistentes) para os heróis masculinos. Elas estão na linha de frente na batalha, na tecnologia, na luta pelos seus ideais e na busca por um mundo melhor.

Aliás, um dos grandes trunfos de Pantera Negra é que todos os seus personagens têm suas personalidades bem delineadas e são extremamente fortes em seus ideais e convicções. Uma representação palpável dos nossos conflitos interiores e das decisões que tomamos a partir deles.

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Pantera Negra é um evento cinematográfico, e mais ainda, é um instrumento de luta, de representatividade e de o quanto é importante e fundamental conhecer e se orgulhar de suas raízes.

A revolução, meus amigos, está sendo televisionada. Numa tela gigante, para que ninguém diga que não nos viu chegar. E as pessoas vão saber sim o que as atingiu: Black Power!

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3 Comments

  1. Andréia Costta
    17 de Fevereiro de 2018
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    “Pantera Negra é um ode à cultura e ao povo negro.” Belíssimo texto, retrata com muita precisão não só o filme, mas toda nossa ancestralidade e contemporaneidade.

  2. Magno Vidal
    18 de Fevereiro de 2018
    Responder

    Velho que lindo e gratificante ver esse ponto de vista enriquecedor. Aderir algumas ideias que não tinha passado pela minha mente, depois que li essa critica, que diga de passagem muito boa, consegui colocar alguns pontos nos is no meu raciocínio. Parabéns Aline “wakanda forever” !! ✊

  3. GalaxyCPA
    27 de Fevereiro de 2018
    Responder

    Facebook, thanks so much for the post.Really thank you! Great.

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