Paris Pode Esperar | Crítica


Viajar é umas das melhores coisas que existem, junta-se a isso uma gastronomia farta, saborosa e transforma em filme. Temos então uma das melhores combinações do cinema. Até mesmo porque não dá para conhecer um local, sem experimentar seus sabores e temperos. A comida pode representar tanto a história de um país quanto sua música, dança, outros tipos de arte e características locais. Um bom exemplo de sucesso nesse estilo foi “Comer, Rezar, Amar”, lançado em 2010 e estrelado pela maravilhosa Julia Roberts. Pra enriquecer a lista, essa semana chega aos cinemas nacionais com toda a sua leveza, frescor e energia “Paris Pode Esperar”, de Eleanor Coppola (vulga mamãe Coppola), que comprova que definitivamente talento para o cinema está na genética da família. Eleanor, aos 81 anos, roteirizou e dirigiu, esse que é o seu primeiro longa ficcional, já que a cineasta já tem no currículo uma série de documentários, entre eles “Francis Ford Coppola – O Apocalipse de Um Cineasta”, realizado em 1991.

Nele temos a talentosíssima e encantadora Diane Lane como a protagonista Anne, uma mulher que foi se guiando pelas necessidades da profissão, maternidade e matrimônio, permitindo ainda que involuntariamente que seus próprios desejos e necessidades fossem deixados de lado. Seu marido, Michael (Alec Baldwin), um ocupado produtor de cinema está sempre ao celular falando com alguém enquanto Anne tenta em vão manter uma comunicação. O que supostamente seriam férias se torna mais uma viagem de trabalho dele, e o ponto em que a história começa a se desenrolar se passa justamente em Cannes, onde eles estavam para o conceituado e famoso festival. Ele precisa ir a Budapeste e depois a próxima parada no itinerário será a cidade luz, contudo devido ao forte incômodo que sente em seu ouvido, Anne é aconselhada pelo piloto a não voar. Jacques (Arnaud Viard), sócio de Michael prontamente se oferece para levá-la de carro, enquanto Michael  pode resolver seus negócios em Budapeste e se encontrar com ela depois.

Temos aí o início da grande aventura dessa mulher que vai surgindo a cada cena mais sorridente e com um brilho no olhar de quem há tempos não aproveita o tempo consigo e fazendo algo por puro e simples prazer. Sem planejamento, muita organização, apenas se permitindo apreciar o que surge no caminho. Com um olhar impressionante para detalhes, ela sempre está acompanhada de sua câmera fotográfica e suas fotos são de uma beleza e sutileza incríveis. O filme logicamente desperta vontade viajar – como se eu ainda precisasse de algo mais para já querer isso -, você também pode sair com fome, ainda que tenha feito alguma refeição antes, afinal fica impossível não querer provar todas àquelas delícias, e talvez um pouco leve e deslumbrado pelo olhar excitado e convidativo da protagonista em relação às suas ações futuras.

Se deu vontade pegar o primeiro voo para a França? Com toda certeza! E claramente fazer o mesmo roteiro dos personagens com paradas em pousadinhas charmosas, restaurantes acolhedores, belas paisagens como os aquedutos de Aix-enProvence, os museus, mercados e a belíssima Paris. Também é óbvio que passa pela mente quanto da inspiração para o roteiro de “Paris Pode Esperar” veio das próprias experiências de Eleonor, o quanto ali de fato pode ter acontecido. É um filme solar e altamente recomendado, que traz contentamento e diversão para quem assiste, mesmo abordando de maneira leve e desconstruída questões como o distanciamento nas relações com o passar dos anos, mães que ficam um pouco perdidas quando vêm os filhos saindo de casa e construindo suas próprias vidas, o romance após os 50 e ainda os diferentes conceitos de realização e felicidade para cada povo, nesse caso mais específico de Estados Unidos/França.

Título Original: Paris Can Wait

Lançamento: 08 de junho

Direção: Eleanor Coppola

Roteiro: Eleanor Coppola

Elenco: Diane Lane, Alec Baldwin, Arnaud Viard

Gênero: Romance, Comédia

Nacionalidade: EUA

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