Planeta dos Macacos: A Guerra | Crítica + Síntese da Coletiva com Andy Serkis


Desde o surgimento do mundo e o ser humano, seja como criação divina ou através do Big Bang e a evolução natural da espécies, que tendemos a nos considerar “melhores” por sermos “racionais” e capazes de raciocinar conscientemente a respeito de tudo que nos cerca, o que fazemos ou deixamos de fazer e até mesmo sobre questões para as quais nem temos evidências que de fato existam.

E se tem uma questão que sempre interessou e se tornou uma obsessão para o homem é o PODER. Uma palavra pequena mas que possui um peso e um reflexo tão grande sobre o mundo e seus habitantes, sejam eles humanos ou não. Essa sede de poder tem guiado o mundo por um caminho tão conflituoso e e destrutivo.

War for the Planet of the Apes (2017)
Woody Harrelson

Em “Planeta dos Macacos: A Guerra”, terceiro filme da trilogia que estreia nesta quinta, 3 de agosto, a grande reflexão, visto que a produção apresenta macacos cada vez mais próximos do ser humano como o conhecemos, na forma de falar, andar, racionalizar e se relacionar com o outro, enquanto o homem caminha na direção contraria, se tornando mais selvagem, insensível às necessidades alheias aos seus próprios desejos e interesses, é: Quem vai sobreviver? Como e porquê irá? Como o próprio Andy Serkis, ator que dá vida ao protagonista César e está no Brasil para promover o filme, disse ontem (01/08) durante a coletiva da qual participei em São Paulo, a principal consideração é essa metáfora de usar os macacos para discutir e refletir sobre a própria humanidade, a capacidade de empatia que estamos perdendo, seja pelas diferentes culturas ou especies.

Essa foi exatamente a minha primeira impressão desde o início do longa, a troca de papeis que acontece, as relações poder e dominação nas diferentes especies, como também dentro de um mesmo grupo que poderia ser considerado de “iguais”, porém são criadas distinções e inúmeras maneiras de segregação. E até mesmo a sede de poder, de se encaixar, de se sentir pertencente à determinado grupo ou seguimento que nos leva a abdicar de nossas opiniões, valores e essência. E qual o preço estamos dispostos a pagar? Porque a escala está sempre ganhando novos patamares. O quanto somos capazes de arriscar? O quanto poderemos perder? E mais importante, o quanto o mundo como um todo têm perdido com essa ganância desmedida? Por que estamos perdendo aquilo que inicialmente nos definia/determinava como espécie humana? Considerando que alguns dos sinônimos e significados de HUMANIDADE é justamente clemênciacompaixãomundobeneficência. Por quê temos nos permitido alimentar sentimentos como inveja, ódio, fúria e pensamentos negativos sobre o outro e até sobre nós mesmos, como indivíduos? Por que permitimos que o poder desses pensamentos e sentimentos sobre nós sejam tão grandes a ponto de prejudicar aqueles que nos cercam?

Planeta dos Macacos: A Guerra explora de forma bem importante como nossas ações têm nos guiado para um mundo cada vez mais inóspito. É bom poder assistir à um filme que vai além das qualidades estéticas, de atuação, direção, que não seja apenas capaz de contar uma história de forma grandiosa, tecnológica, porém que possa também ser provocativa, promovendo questionamentos e reflexões. É uma obra que não se encerra em si e embora denominada objeto de entretenimento é/e pode ser ao mesmo tempo um condutor de transformações importantes na forma de pensar e agir de seus espectadores.

Na coletiva Andy ainda contou que foi uma experiência bem intensa e agradável fazer esse terceiro filme, que embora seja um trabalho que envolve e está diretamente ligado a tecnologia, a preparação como ator perpassa pelas mesmas etapas de construção de personagens, que requer pesquisas, observação, então ele foi a zoológicos, viu vídeos para entender como os macacos agem, como se movem, quais são seus hábitos. É preciso entender quem é o personagem e o que ele precisa. E que nesse caso deve se acrescentar que não são apenas macacos, mas macacos que foram modificados por essas drogas, os aspectos humanos concedidos a eles devido a isso. Segundo ele o filme é apenas uma metáfora para que possamos refletir sobre a condição humana e olharmos para nós mesmos, em nosso interior, através de uma perspectiva diferente.

Ele ainda comentou que considera importante a valorização de profissionais nas grandes premiações, que assim como ele aliam o seu trabalho de atuação com a computação gráficas e outras novas tecnologias, que o fato de se servir delas para dar vida a seres como macaco, uma cobra, um leão ou mesmo um ser como o  Gollum (Franquia Senhor dos Anéis), não desmerece em nada o trabalho como ator, afinal não há diferença no processo de preparação e construção dos personagens. E também que ele acredita que em alguns anos isso será diferente, embora seja frustante o tratamento oferecido atualmente.

Ao falar sobre o amadurecimento do personagem César, que nesse filme já aparece mais velho, ele disse que o pensou, que se inspirou em Nelson Mandela, como um líder de um movimento para libertar da escravidão, que lutou pra criar uma sociedade mais justa, que lutou por seu povo. Ele precisou olhar para dentro como César e ponderar sobre como as experiências do personagem o influenciaram e o modificaram até aquele momento da história .

 

Título Original:  War for the Planet of the Apes

Lançamento: 03  de agosto

Direção: Matt Reeves

Roteiro: Mark Bomback

Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Amiah Miller Yanagizawa

Gênero: Ficção científica, Ação, Aventura

Nacionalidade: EUA

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