Power Rangers (surpreende e diverte) | Crítica


Milhões de crianças em todo o mundo cresceram com a série dos anos 90 ‘Power Rangers’, inclusive nós do Cinema Sim. Eram bonecos, espadas e morfadores para todos os lados, e quem não pôde ter nada disso, ainda assim, compensava sua falta de armadura coreografando épicas lutinhas arriscadas e sem faíscas em toda parte da casa.

E o lendário filme de 1995?, qual o fã que não assistiu em VHS?, isso era um deleite para os que sonhavam ser um Ranger. Por essas e outras era lógico e esperado que a franquia recebesse um novo layout para tentar dominam as bilheterias do mundo todo novamente. Esta é a principal motivação por trás do novo filme de Power Rangers um show cuidadosamente projetado para atender às novas gerações, sem negligenciar os fãs que ganhou ao longo da vida.

O novo filme dirigido por Dean israelite (diretor com poucos trabalhos lançados, seu último e mais conhecido foi ‘Projeto Almanaque’ de 2015) apresenta uma versão mais escura e estilizada de Power Rangers. Um de seus maiores sucessos foi ter convertido os cinco clássicos protagonistas em adolescentes “infratores” (mas especiais, é claro). Assim, Power Rangers se torna muito deliberadamente, uma espécie de cruzamento entre os filmes ‘Clube dos Cinco’ e ‘Poder Sem Limites’, para narrar uma história que começa na sala de detenção de uma escola e se desenvolve de acordo com o contexto desse universo atual de quadrinhos e filmes de super-heróis da Marvel (inclusive existem várias referências que fortalecem essas intenções).

Israelite exige bastante tempo para conhecermos bem os principais personagens antes de se tornarem Rangers. Jason (Dacre Montgomery), Kimberly (Naomi Scott), Billy (RJ Cyler), Trini (Becky G.) e Zack (Ludi Lin), uma equipe de estrelas jovens que supõe um acerto quíntuplo de no elenco, eles são o coração do filme em todos os momentos, e isso faz este trabalho funcionar tão bem.

Isto é, surpreendentemente, Power Rangers sabe a importância de não se apressar e fazer as coisas direito, e dedica o tempo necessário para caracterizar seus personagens, dar forma às suas histórias, suas relações e desenvolver dinâmicas de grupo, cujas diferenças e semelhanças são as principais forças por trás do filme. Por isso, esperamos mais para vê-los com a sua armadura Ranger, uma decisão orgânica que colocou a necessidade de estabelecer uma boa base para a ação.

Mas isso não significa que os dois primeiros atos sem ações ou eventos notáveis, sejam um saco. Pelo contrário, ver esses adolescentes problemáticos descobrindo seus poderes (no verdadeiro estilo Spider-Man), navegando na pressão social e familiar, e treinamento para lidar com a ameaça que espreita o mundo, é o que torna o filme muito melhor do que deveria, e do que esperávamos.

Claro, Power Rangers não seria Power Rangers, se não tivesse tudo o que fez da marca ultra popular em todos esses anos. Temos o mentor dos Rangers, Zordon, interpretado por Bryan Cranston, um personagem cuja história o apresenta a 65 milhões de anos no passado para contar a origem dos Rangers e configurar o conflito central (a eterna luta para defender um poder primitivo (um cristal mágico, é claro) que não devem cair em mãos erradas. Neste caso, Rita Repulsa, que aqui parece bem ameaçadora, é vivida por Elizabeth Banks, que, apesar de um redesenho fantástico e poderes muito bem feitos, não deixa de ser como o vilão característico e pouco definido de quase todos os filmes de Super-heróis.

A famosa frase “Ai,Ai,Ai” do robô Alfa e a inclusão do “Go, go, Power Rangers!” provoca certo desequilíbrio e desconexão em algum momento, mas durante seu clímax, o filme dá aos fãs tudo o que esperam dele, tão deliciosamente absurdo quanto antes, mas envolto em um turbilhão de CGI. A ação exagerada, o confronto com o vilão e a batalha subsequente de titãs que causa destruição na cidade, claro!.

No entanto, o melhor do filme não é esse combo apocalíptico, mas tudo o que vimos antes de chegar até ele, que redesenha a história de Jason, Kimberly e companhia, fazendo mudanças apropriadas para refletir a realidade do século XXI (incluindo até um pequeno, mas potente momento LGBT), e transformá-los em personagens com mais corpo do que o habitual, e com grande potencial para sequencias futuras (que, como é evidente em todos os momentos, é a idéia).

Power Rangers não é um poço de profundidade (e nem deve ser), mas nos surpreende ver à importância dada aos personagens e até a habilidade de seus jovens atores. O cuidado visual lindamente integra as cores que identificam os personagens com o cenário mais pessimista da nova Alameda dos Anjos, o seu humor também é leve e muito mais ousado.

Definitivamente aqui há uma luta entre os antigos e os novos resultados em um produto muito atento e divertido, apropriado para mais jovens, mas menos crianças. Então que está esperando para se divertir e relembrar os velhos tempos? Go, go para os cinemas meus caros!

OBS: esperem a cena pós-créditos.

Data de lançamento 23 de março de 2017 (2h 04min)
Direção: Dean Israelite
Elenco: Dacre Montgomery, RJ Cyler, Naomi Scott mais
Gêneros Ação, Aventura, Ficção científica
Nacionalidade EUA
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