Nota:

Data de lançamento 27 de outubro de 2018 (2h 15min) Direção: Alfonso Cuarón Elenco: Yalitza Aparicio, Marina de Tavira, Nancy Garcia, Verónica Garcia, Daniel Demesa, Jorge Antônio Guerrero, Marco Graf Gêneros: Drama Nacionalidade: México, EUA
10.0

Cidade do México, 1970. A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher (Yalitza Aparicio), que trabalha como babá e empregada doméstica, sendo supervisionada por sua patroa Sofia (Marina de Tavira). Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais.

Com roteiro, direção, direção de fotografia e produção de Alfonso Cuarón, e ele nos mostra uma história que acontece no México, mas que poderia muito bem se passar em qualquer país latino americano dos anos 70.  Ele conta a história de uma empregada doméstica de traços indígenas vivendo com uma família de classe média alta. A relação é o que esperamos, a casa grande e a senzala. As domésticas vivem para a família, abdicaram de sua vida para servir o outro, bem típicos de países onde a desigualdade é grande. E nessa relação há desprezo, subserviência misturada com atenção e carinho. É um roteiro cheio de nuances e detalhes que tornam a história rica e rebuscada. Uma crítica social bem montada e sutil. Outro grande ponto é a posição da mulher na sociedade. Não importa se rica, pobre ou classe média. A mulher sempre vai ser a mais penalizada, ela que sempre arcará o ônus de ser mulher e mãe. Enquanto ao homem é permitido se libertar, a mulher é obrigada a permanecer presa às obrigações e suportar o peso que talvez elas não estejam prontas.

 

Quanto a direção é, primeiramente,importante destacar a fotografia. Cuarón mostra que não é só bom de roteiro e direção, é bom também na fotografia. A paleta sépia é um escolha ousada e funcional, nos presenteando com cenários e composição lindas. Isso ajudado pelo modo como ele escolhe os enquadramentos, os movimentos lentos e circulares desde a primeira cena a última é elegante e nos coloca dentro da história. Todo o envolvimento que sentimos com os personagem é criado aos poucos, com esmero, camada por camada. É uma direção lenta e realista, não se preocupa em “ganhar o espectador” nem nos fazer ter sentimentos piegas com aquelas pessoas, ele simplesmente mostra a realidade, que às vezes é doce, às vezes azeda, e nos deixa fluir por esse panorama sem necessariamente que haja vilões ou heróis. Há apenas pessoas aqui, vivendo suas vidas em meio a uma realidade desigual.

Yalitza Aparicio nos entrega uma personagem simples e ao mesmo tempo complexa. Ela não tem ambições, nem perspectivas, e é levada a situação que muitas mulheres passam e que, provavelmente, tem as mesmas reações que ela. Marina de Tavira já nos mostra o oposto, sofisticada e de classe média, é a tipica mulher que viveu pra família, mas passa por problemas no seu casamento o que a liga fortemente a sua emprega, a história das duas se tocam e algo maior é mostrado. São atuações bonitas e singelas.

Roma, que é uma homenagem ao bairro que o diretor cresceu, é envolvente, bonito, sem pressa e profundo, um deleite aos olhos. Um filme a ser apreciado com calma. E entendível a quantidade de prêmios que vem ganhando. E espero que o grande público entenda o seu objetivo.