Scream – The TV Series


“Hello, Emma.”

Quem nunca sentiu um calafrio ao ouvir a voz do Ghostface pelo telefone? A franquia Pânico, criada por Kevin Williamson e dirigida por Wes Craven, foi fundamental para o surgimento de uma onda de filmes de terror focados no público jovem, com tramas envolvendo adolescentes e universitários em meio a sex appeal, intrigas e muito sangue. A saga de Sidney Prescott, que gerou quatro filmes até agora, fez surgir um novo gênero onde o medo e o suspense andavam lado a lado com a ironia, a comédia, o deboche e a metalinguagem. Os filmes brincavam com os clichês, mudando seus arquétipos e trazendo a realidade do mundo pop da época para as telas. E é nesse mesmo clima que a franquia é reinventada e se transforma em série de televisão.

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A história de Scream se passa na cidade de Lakewood, onde um vídeo viral recém publicado expõe a jovem Audrey (Bex Taylor-Klaus) e se torna um catalisador para um assassinato brutal que reacende a memória de um massacre que ocorreu no passado da cidade e que pode ter sido a inspiração e a origem de um novo serial killer. Nesse cenário, acompanhamos Emma (Willa Fitzgerald), que se descobre sendo o alvo principal do assassino e precisa resolver o mistério de sua identidade antes que todos ao seu redor acabem mortos. A trama possui a mesma fórmula usada nos filmes, com direito a muitos segredos de família, crimes do passado, correlações inesperadas entre personagens, e, claro, intrigas entre adolescentes. Porém, a semelhança não é um ponto negativo, afinal a mitologia de Pânico funciona com determinadas regras e a série faz questão de não quebrá-las. Apesar disso a trama traz um frescor ao apresentar uma trama completamente desconectada da saga de Woodsboro, com um tom menos debochado e até uma máscara mais sombria e real para o assassino.

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Quando foi anunciada a criação de uma série de TV, a principal preocupação era a forma como a história ia se desenvolver. Se nos filmes sabíamos que o mistério seria resolvido em menos de duas horas, na série temos que esperar 10 episódios para descobrir a identidade do assassino. Os roteiristas usam então o personagem Noah (John Karna), nerd especialista em serial killers, para explicar logo nos primeiros episódios como as regras vão funcionar na nova roupagem da franquia. Em um slasher (filmes de serial killers), personagens “descartáveis” vão morrendo rapidamente até sobrar apenas um ou dois protagonistas para desvendar o mistério. Em uma série, é preciso esticar a trama, fazendo com que o espectador se importe com os personagens e seus dramas, desenvolvendo subtramas que aos poucos se conectam e ligam os pontos até a descoberta do assassino.

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“Você torce por eles, ama eles, então quando eles são brutalmente assassinados, isso dói.”

Essa estratégia funciona através de um roteiro bem escrito e inteligente, porém peca ao entregá-lo a um elenco jovem ainda muito inseguro, que muitas vezes deixa a desejar em suas atuações. Se nos filmes Wes Craven foi buscar um elenco jovem, porém experiente, aqui a escolha do elenco errou ao selecionar atores muito “verdes” ainda. Talvez o caso mais grave seja o da protagonista que, inevitavelmente, é comparada à Sidney Prescott. Willa Fitzgerald faz uma Emma apática e sem muito carisma, contrastando com o papel de Neve Campbell nas telonas, sempre esperta, ativa e corajosa, a ponto de encarar corajosamente o assassino sempre que surgia a oportunidade.

O roteiro também sofre com a necessidade de manter a longa vida da série. Ao final do mistério, muitos personagens continuam vivos, deixando claro que eles estão sendo poupados para as temporadas seguintes, provando que a série não será uma antologia. Essa importância dada aos coadjuvantes diminui a quantidade de assassinatos da temporada, o que deixa um gostinho de quero mais nas poucas cenas de morte e conversas ao telefone com o assassino.

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Apesar de seus defeitos e falhas, a temporada homenageou a ousadia da franquia ao abusar de referências à outras obras do mundo pop atual e inserir o dinamismo do mundo tecnológico de hoje em dia na trama. Como sempre, a revelação do assassino é inesperada e um gancho surpreendente para a próxima temporada, já confirmada para abril de 2016, mantém a curiosidade para saber o que vai acontecer em seguida. Usando a ideia do “eles sempre voltam” de forma irônica e inteligente, Scream provou que pode inovar mesmo seguindo à risca os clichês do gênero, sem nunca desrespeitar o original.

“Uma vez que o primeiro corpo é encontrado, é só uma questão de tempo até que o banho de sangue comece.”

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