Selo ELAS | Conheça o projeto em nossa entrevista com Bárbara Sturm


Lançado oficialmente na quinta, 05-04 no Rio2C, o Selo ELAS da ELO COMPANY, nasce com o intuito de “Aumentar o potencial artístico e comercial de longas-metragens para atender a essa demanda crescente do público”, afirma Sabrina Nudeliman Wagon, sócia-fundadora da empresa ao lado de Ruben Feffer e Flavia Prats.

O selo é lançado com nove filmes contratados. Entre as ficções estão AMORES DE CHUMBO, de Tuca Siqueira; A CHAVE DE CASA, de Simone Elias; AOS OLHOS DE ERNESTO, de Ana Luiza Azevedo; É TEMPO DE AMORAS, de Anahí Borges; FAIRPLAY, de Malu Schroeder e RIR PARA NÃO CHORAR, de Cibele Amaral. Três documentários também estão selecionados para a primeira fase do projeto: MEU QUERIDO SUPERMERCADO, de Tali Yankelevich; SOLDADO SEM ARMA, de Maria Carolina Telles e TORRE DAS DONZELAS, de Susanna Lira. A expectativa é que esses filmes cheguem ao público até 2020.

Para desvendar um pouquinho mais sobre o projeto, eu tive a chance de conversar com Bárbara Sturm, que é diretora de conteúdo da Elo e tem uma carreira consolidada e bem integrada no mercado, atuando tanto como realizadora, distribuidora de filmes nacionais e internacionais através da Elo e também da Pandora Filmes (produtora da família Sturm) e ainda como exibidora com o Caixa Belas Artes, um dos cinemas de rua mais tradicionais de São Paulo, reaberto em 2014 por empenho de Bárbara e seu pai, André Sturm.

 

Sendo assim, tudinho sobre a iniciativa, o lançamento no Rio2C e ainda possibilidades de agregar novas conexões com o tempo e mais vocês poderão conferir  na entrevista abaixo! 😉

 

Priscila Miguel: Como você acredita que essa iniciativa do Selo ELAS vai impactar, vai refletir no mercado? Levando em conta que já existem 9 projetos entre ficção e documentário que estão nesse pontapé inicial e devem chegar às telas até 2020.

Bárbara Sturm: Então, o ELAS ele faz parte da área geral de projetos da Elo. Nós temos uma área de projetos que analisa tudo que chega interessado em ter a Elo como distribuidora e no fim de 2017 a gente acabou o ano com esses 9 projetos contratados, que estão em diferentes fases e a gente entendeu que era muito interessante a gente envelopar os longas dirigidos por mulheres dentro de um selo. Então, a gente continua tendo uma área de projetos de filmes dirigidos por homens e outros gêneros, mas os filmes dirigidos por mulheres estão dentro do Selo Elas agora.

No começo do ano passado, coincidentemente exatamente 1 ano antes do lançamento que foi na quinta-feira, dia 05 de abril, nós estávamos num seminário que a AVON e a ANCINE realizaram em São Paulo, onde foi divulgado pela primeira vez uma pesquisa da ANCINE onde que nos filmes de 2016 lançados no cinema apenas 17% eram dirigidos por mulheres. Desse evento até o final do ano a gente percebeu que a Elo é um distribuidor mas também é um agente de vendas, nós comercializamos no mercado externo-internacional conteúdo brasileiro. Então acompanhamos tendências que não são só brasileiras e entendemos que no fim de 2017 tinha uma tendência nova do espectador de demanda de narrativas femininas. Então dentro dessa defasagem das diretoras mulheres nos filmes brasileiros lançados aqui, com o interesse do mercado por narrativas como The Handmaid’s Tale, Big Little Lies, Mulher Maravilha, Lady Bird, entre outras, nós juntamos essa defasagem com a demanda do espectador para criar o selo.

Priscila: O que mostra também que não é somente em relação às mulheres, mas também em diferentes faixa etárias, considerando que Lady Bird é sobre uma adolescente entrando na juventude, Big Little Lies já pega mais a frente…

Bárbara: Exatamente! E também nas próprias narrativas em si.

O que a gente entende é que a direção feminina traz um ponto de vista feminino pra história, e isso não quer dizer que as histórias são sensíveis ou introspectivas, pelo contrário, Mulher Maravilha por exemplo é um filme para qualquer gênero, de ação, cheio de efeitos especiais enquanto The Handmaid’s Tale é super psicológica para qualquer um.

Então a gente também, nesses 9 projetos que estamos começando o selo com eles, nós também temos essa questão eclética na curadoria, tanto nas realizadoras, que tem 6 que estão fazendo o primeiro longa e outras 3 que já têm uma carreira com a sua marca. E temos projetos do Rio e São Paulo, mas também de Brasília e Porto Alegre. Temos opção de documentário, como por exemplo A Chave de Casa que é um filme super sensível sobre a busca de uma mulher pelos laços familiares e tem Soldado sem Armas que é um documentário sobre o André Lion que é o maior fotógrafo de guerra brasileiro e mora no Iraque e cobre lá.

O que a gente entende é que o selo é o ponto de vista feminino em qualquer tipo de história.

Priscila: Sim, porque são bem diversos todos os temas.

Bárbara: Exatamente!

Priscila: E parabéns pela iniciativa.

Bárbara: Obrigada! Nossa, nós estamos muito felizes com o retorno do mercado, dos jornalistas e tem sido muito legal receber tantos parabéns nos últimos dias e ter essa valorização e retorno positivo. E também o projeto vem pra isso, pra dar luz e continuar a jogar luz nessas obras.

Priscila: E para você como mulher, qual o sentimento de fazer parte ativamente na equipe a frente de uma iniciativa como esta e pelas mudanças que temos observado no mercado?

Bárbara: Eu trabalho numa área, que é a produção executiva, e comecei há 11 anos em 2007, e desde aquela época é uma área bem complexa onde o modo de trabalho é muito agressivo, pois o cinema tem muito risco, a gente mexe com dinheiro e é uma área muito tensa. E hoje em dia, metade das distribuidoras são dirigidas e as donas são mulheres, então o que eu sinto, é um pouco do que eu sinto na minha própria área, que pra mim é muito poderoso ter o espectador interessado. A grande conquista é o público ter interesse mesmo que inicial. Essas histórias que eu citei, estarem sendo produzidas num nível top do top e a gente poder criar um selo que tem uma projeção com objetivo de retorno comercial e isso é muito legal. Pra mim é a parte mais feliz e que eu comemoro é que a gente visualiza que potencializar esses projetos faz sentido, porque a gente tem onde ser visto e quem queira ver.

Priscila: Sim, porque não são apenas as mulheres, os homens também estão interessados em ver uma nova perspectiva.

Bárbara: Exatamente! E os critérios para selecionar e contratar os projetos do Ela é o mesmo da área inteira de projetos, nós não vamos selecionar projetos dirigidos por mulheres, nós vamos pegar os melhores projetos, mas a gente entende que existe uma necessidade de um acesso direto ao distribuidor que o Elas vem cumprir isso de chegar até nós e do outro lado a rede que a gente criou. E eu também acho que vai muito nisso que eu tô falando dessa justificativa das profissionais.

Quando a gente criou o selo, antes de divulgá-lo, no fim do ano passado e começo desse ano, em diversas reuniões que a gente teve com outras empresas, com advogadas e pessoas que trabalham na televisão, no vídeo on demand, diretoras, atrizes, etc, e a gente contava ainda em caráter confidencial, muita gente se mostrou interessada em estar disponível como pessoa física para consultoria desses projetos. E não é uma consultoria para a Elo, é uma consultoria para aquele projeto, em prol da carreira daquela realizadora. Então, nós fizemos o lançamento num evento de mercado – Rio2C – e recebemos diversas profissionais super experientes se disponibilizando, então agora a gente tá fechando qual vai ser o modelo de trabalho para pôr essas consultorias em prática.  

Priscila: Quais as suas impressões sobre a receptividade no Rio2C, onde aconteceu o lançamento oficial do Selo ELAS?

Bárbara: Nós fizemos um kit do projeto que tinha um folder com uma arte maravilhosa de 4 mulheres dando os braços, de diferentes tipos físicos e raças, e também fizemos um botom com o logo e colocamos um batom, que a gente teve um apoio da AVON, que disponibilizou 3 mil batons e nós distribuímos esse material no stand da Be Brazil que a gente tinha lá no Rio2C.

No primeiro dia, como a gente fez uma matéria exclusiva com a Ilustrada na terça-feira que foi o primeiro dia de evento, então foi muito legal porque as pessoas já sabiam o que era, se interessavam e queriam saber mais. E aí a gente começou a distribuir esses kits e foi super legal porque foi criando um boca a boca, e na quinta-feira a gente fez uma fala numa sala que cabia 50 pessoas, que foi o que entendemos que era a necessidade num primeiro momento, ainda interno de mercado. E tivemos mais de 300 pessoas, rolou uma super lotação e claro que nem todo mundo conseguiu entrar, o que é um problema bom.

Então foi muito legal, tanto no sentido de quantas coisas aconteceram ao mesmo tempo no Rio2C, e a pessoa escolheu ir lá ouvir sobre o selo e essa foi a primeira parte muito feliz. A segunda foi a quantidade de gente que me parava no corredor pra se apresentar, que tinha ouvido sobre o projeto, gente dando o material porque quer que o projeto faça parte do selo. O interesse no sentido de credibilidade assim foi muito legal e como eu te falei as profissionais, que a gente já tinha algumas finalizadas, mas a gente teve outras pessoas muito fortes, que são pessoas com experiência muito grande e muito conhecimento, cada uma na sua área se disponibilizando.

Então foi muito feliz, a gente entendeu que realmente fazia todo o sentido para o mercado e para o espectador.

Priscila: Como foi a escolha da Camila Pitanga para madrinha do projeto?

Bárbara: Quando a gente entendeu que essa rede… Porque assim, num primeiro momento essa rede seria interna da Elo. Eu sou formada em cinema, eu faço projetos, então eu faria a consultoria a partir disso, a Carole (Moser) que é a minha parceira da área de projetos na área executiva faria consultoria executiva e a Maria Carolina Teles que é a head de documentários aqui na Elo faria a parte de documentário. E quando a gente começou a conversar com as pessoas, contar informalmente e elas se mostraram interessadas mesmo não sendo pessoas da Elo, e nós entendemos que o interesse era pelo projeto, nos começamos a falar: “Vamos convidar a pessoa?” “Vamos esperar ela se manifestar?”

E aí a gente pensou na Camila, e entendemos a Camila como uma atriz realizadora, como uma pessoa engajada e envolvida no mercado audiovisual para além de um rosto lindo, maravilhoso e calmo. E a gente entrou em contato com ela, mandou um convite oficial explicando o que era o selo e falando que ter ela ao nosso lado teria tudo a ver com  a cara do projeto, do perfil e ela se mostrou super aberta , nos convidou pra ir na casa dela para uma conversa. Então ela realmente abriu os braços , aceitou ser madrinha no sentido de divulgar o selo e indicar pessoas, enfim, ser uma madrinha mesmo de potencializar o máximo possível. Infelizmente ela não pôde estar no evento por estar numa viagem pessoal na Tailândia e enfim, ela foi a primeira pessoa que entrou nessa rede externa e fez um post na rede social dela que teve uma super repercussão no dia do lançamento, convidou várias pessoas e ela é a primeira da rede.

Priscila: Para você, qual a importância de escolas como o InC, a AIC, o Barco por exemplo nessa iniciativa, considerando que elas facilitam e muito o acesso de quem tem interesse em aprender mais e fazer cinema? (Bárbara ministra cursos livres eventualmente em algumas escolas) Vocês já pensaram – cogitaram integrá-las nesse projeto, talvez como uma subcategoria dentro do selo na qual pegariam estudantes dessas escolas para prestar consultoria e auxiliar no desenvolvimento?

Bárbara: O que eu acho muito legal desses cursos livres é a própria experiência. O meu curso é totalmente em cima do que eu já fiz nesses 11 anos, que são diversas coisas, enfim, já trabalhei como programadora de cinema, distribuidora de filme gringo no Brasil, de filme brasileiro, lancei ‘Que Horas Ela Volta’, tenho um festival que tem 8 anos que eu faço no sul do Brasil, então eu tenho uma experiência em todas as janelas, e é isso, eu divido a minha experiência com essas pessoas apresentando cases da indústria. Eu acho fundamental, adoro e cada aula é uma aula, num é?! E cada turma é uma turma e cada pessoa pega a informação de um jeito.

A área da comercialização é uma área muito restrita, muito fechada, então é muito difícil distribuidoras compartilharem informações, números, estratégias, pois existe uma insegurança de ser comparado com outros números e tudo parecer pequeno. Então é exatamente isso que eu dou no meu curso, como entender o tamanho do filme, o que é sucesso pra ele, eu acho fundamental esses cursos, eu adoro, daria toda semana aula.

E pra mim é muito rico também, ouvir o feedback, ouvir as dúvidas que as pessoas têm e como elas entendem o mercado. E no meu caso de distribuição, não só em cinema mas também para TV e On Demand não existe nenhuma faculdade no Brasil que tenha aulas de comercialização, faculdade de audiovisual e cinema, então eu acho mais importante ainda esses centros culturais, escolas e institutos, porque é realmente uma complementação. Todas as turmas que eu dei tinha alguém cursando cinema na ECA, na FAAP, ou no SENAC que já tava ali porque sabia que era uma deficiência do curso.

Sobre a possibilidade de transformar isso num workshop, eu e a Carole, a gente tem uma terceira frente, digamos assim do ELAS, que é estar dentro de eventos disponibilizando nós duas para e dentro do elas para criar workshops.

Estamos em contato para disponibilizar esses workshops com o Prêmio Cabiria e com o NetLabTV, mas como um curso ou workshop específico a gente ainda não almeja isso.

Priscila: Vai ter algum evento de lançamento aqui em São Paulo também ou vocês vão participar de algum evento que já vai acontecer pra falar um pouco mais como aconteceu no Rio?

Bárbara: A AVON lançou há alguns dias o FIM, Festival Internacional de Mulheres, que vai acontecer em  julho e a gente quer fazer um happening lá nesse evento porque daqui até lá a gente já vai ter esse modelo de trabalho definido pra poder começar essas consultorias e a comunicação com o networking.

 

Ainda sobre o projeto

Pode parecer uma grande coincidência, mas em 2017 diversos conteúdos audiovisuais [séries e longas-metragens] dirigidos ou protagonizados por mulheres quebraram recordes, surpreenderam o público e abocanharam as principais premiações globais. Para a ELO COMPANY essa é uma tendência de interesse do público mundial e por isso empresa lançou o selo ELAS no dia 05 de abril, durante o Rio2C, no stand Be Brazil.

Diretoras interessadas em fazer parte do selo devem enviar os projetos para o e-mail seloelas@elocompany.com.

“A ELO atua há 15 anos na vanguarda do audiovisual. Buscamos sempre criar pontes que amplifiquem o potencial comercial do conteúdo de nossos clientes – produtores e diretores de audiovisual. O selo ELAS busca aumentar o potencial artístico e comercial de longas-metragens para atender a essa demanda crescente do público”, afirma Sabrina Nudeliman Wagon, sócia-fundadora da empresa ao lado de Ruben Feffer e Flavia Prats.

As principais referências femininas no mercado brasileiro estão sendo convidadas a fazer parte desta rede, que vai atuar como mentora dos projetos. Atrizes, diretoras, produtoras, roteiristas, advogadas vão doar, a convite do selo ELAS, horas de trabalho para projetos em diferentes fases de produção.

A atriz Camila Pitanga é a madrinha da iniciativa e disse:

“Isso é uma grande conquista para as artistas brasileiras que vem se dedicando a produção audiovisual”.

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