The Breakdown

Título Original: Loveless Lançamento: 08 de fevereiro Direção: Andrey Zvyagintsev Roteiro: Andrey Zvyagintsev, Oleg Negin Gênero: Drama Elenco: Maryana Spivak, Alexey Rozin, Matvey Novikov, mais Nacionalidade: Rússia, França, Bélgica, Alemanha
9.5
Pros
Atuações.
Cons
Tempo arrastado em algumas cenas.

Boris (Alexey Rozin) e Zhenya (Maryana Spivak) estão se divorciando depois de anos juntos. Os dois se preparando para suas novas vidas: ele com sua nova namorada, que está grávida, e ela com seu parceiro rico. Com tantas preocupações eles acabam não dando atenção ao filho Alyosha (Matvey Novikov), que desaparece misteriosamente.

Diz o russo Tolstói na primeira frase de Anna Karênina: “Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira.” Nesse filme parece que a lógica é invertida. Com roteiro de Oleg Negin e Andrey Zvyagintsev, que também é o diretor do longa, temos aqui uma narrativa carregada de sentimentos pesados. Fala de infelicidades, más escolhas, negligência, fuga da realidade, egoísmo, descaso, enfim, uma análise rica da frieza de uma cultura. Tudo isso sob um pano de fundo do desaparecimento de uma criança, sendo que esta não é amada pelos seus pais e nenhum dos dois se preocupam com ele após a separação, sendo quase um jogo de empurra. O que faz que com seu desaparecimento desperte a preocupação por motivos diferentes. Eles se movem porque a sociedade espera, não há de fato uma preocupação com a criança, é quase como se fosse um protocolo os pais procurarem os filhos desaparecidos. Os diálogos aqui são aterrorizantes, a raiva, o desespero estão em cada palavra dita, e na maior parte das vezes, nas não ditas.

A direção de  Andrey Zvyagintsev constrói realmente um mundo sem amor, no qual a relação entre os pais é de puro ódio e desprezo. Ele habilmente é capaz de construir um muro, quase que palpável, entre eles através dos enquadramentos. E por diálogos calmos e dissimulados todo nervosismo e a negligência ficam visíveis. Chega ao ponto de esquecermos o menino desaparecido, e isso é feito de forma proposital, para que evidencie o quão tóxico é aquele ambiente e o quão egocêntricas são aquelas pessoas. E todos os personagens, sem exceção parecem ser infelizes e incapazes de mudar essa realidade, parecem não entender que o problema são elas em relação à elas mesmas. Isso tudo reforçado pelo atmosfera fria, de cores mornas. Contudo o diretor muitas vezes alonga demais algumas cenas, deixando-as, em alguns momentos, vazias.

Quanto ao elenco, todos eles têm um trabalho muito difícil, mas executam de maneira formidável. Maryana Spivak é a própria frustração, infeliz, instável, sempre irritada, é o retrato da pessoa que não conseguiu a vida que esperava. Alexey Rozin faz um homem frustrado, porém que guarda todas as emoções, são personagens com emoções parecidas, entretanto com formas diferentes de transparecer seus sentimentos, propiciando um contraste muito rico. Matvey Novikov apesar de pouco tempo em tela, consegue mostrar o quanto a negligência e falta de amor afeta o personagem, e há um momento muito sofrido que o ator executa bem.

Sem Amor é o título perfeito para esse filme. Numa sociedade que pensa o amor como alicerce de todas as relações, esse nos faz refletir o quanto teremos que ter cuidado com esse sentimento. Um filme duro que em momento nenhum tem piedade do espectador.

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